Open Claw, Personal Knowledge e Second Brain
Como construí um PKM pessoal com vibecoding, Telegram, Whisper e LLMs para não perder mais ideias
Professor, um pouco dev, um pouco empreendedor. Escrevo sobre tech, agentes, IA e cultura.
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Como construí um PKM pessoal com vibecoding, Telegram, Whisper e LLMs para não perder mais ideias
Como agentes de IA misturam criação e execução de código para pesquisar genealogia, e por que o humano continua essencial no loop.
Vibe coders anunciam a morte do SaaS, mas o que estamos criando são HelloWorlds vitaminados — software descartável, com contexto muito específico.
LLMs e agentes podem inverter a dinâmica dos walled gardens. A descoberta de conteúdo não precisa depender de feeds controlados em plataformas fechadas.
Como o OpenClaw me fez sentir que estou conversando com o computador de verdade — e me motivou a reviver este blog.
O que me despertou para voltar a programar não foi o Claude, o Codex... 𝐟𝐨𝐢 𝐨 𝐎𝐩𝐞𝐧𝐂𝐥𝐚𝐰. Mas não pela ideia de ter um assistente pessoal e sim como 𝐒𝐞𝐜𝐨𝐧𝐝 𝐁𝐫𝐚𝐢𝐧. Ou como 𝐙𝐞𝐭𝐭𝐞𝐥𝐤𝐚𝐬𝐭𝐞𝐧. O bombardeamento de informações, excesso de conteúdo, de reuniões e de notas tem sido um grande desafio para mim. Tudo dispara threads em paralelo no nosso cérebro, fragmentando a atenção. Preciso encontrar uma forma de gerir todo esse conhecimento, links, vídeos e anotações. Lembro de quando lia livros de literatura clássica. Alguns dos grandes autores ditavam o que seria escrito, o que estava sendo pensado. Dostoiévski fazia isso (sua segunda esposa foi sua estenógrafa!), assim como outros autores de volumes longos escreviam mapas que pareceriam com os nossos 𝐦𝐢𝐧𝐝 𝐦𝐚𝐩𝐬. Tive a oportunidade de ver alguns no museu de Dostoiévski em São Petersburgo. Mecanismos de 𝐏𝐞𝐫𝐬𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐊𝐧𝐨𝐰𝐥𝐞𝐝𝐠𝐞 𝐌𝐚𝐧𝐚𝐠𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭 realmente não são novos. Desde os wikis pessoais e até o 𝐁𝐥𝐢𝐤𝐢 do 𝐌𝐚𝐫𝐭𝐢𝐧 𝐅𝐨𝐰𝐥𝐞𝐫 (apesar de hoje ser mais para blog). Vimos as ondas de tentativas, não? Desde o Delicious e o Pocket, guardando links e recortes, até o Trello e Evernote para depois Notion e Obsidian. Afinal: onde eu rabisco, anoto, resumo, guardo e busco? Testei diversas dessas ferramentas e vi que nenhuma era exatamente o que eu tinha de workflow em mente. Fiz então o vibecoding da minha própria solução. Um Personal Knowledge Management que, dado tudo que eu registrei, anotei e refleti, no endpoint mais distante, me ajuda a postar no meu blog. Sim, existem produtos, como o 𝐦𝐞𝐦.𝐚𝐢, que fazem algo similar. Mas no mundo do 𝐝𝐢𝐬𝐩𝐨𝐬𝐚𝐛𝐥𝐞 𝐬𝐨𝐟𝐭𝐰𝐚𝐫𝐞, é mais interessante eu ter algo extremamente customizado às minhas necessidades. E quais são elas? - Registrar audios, textos, imagens e ideias de forma imutável - Classificar esses dados em labels - Gerar conceitos: nós do Knowledge Base (KB) - Considerar usar um KB para criar ou appendar um draft do blog É um software específico, deployado no 𝐟𝐥𝐲.𝐢𝐨 para ficar escutando o bot do Telegram via um simples webhook e o BotFather. Ele chama Whisper via OpenAI e Anthropic (Sonnet) para classificar os textos e sintetizar, sempre respeitando o que eu falei, para não inventar palavras. Com esse mini sistema eu consigo gravar áudios, inclusive fora de ordem, em dias diferentes. O 𝑗𝑜𝑢𝑟𝑛𝑎𝑙𝑖𝑛𝑔 é o single source of truth com a transcrição direta. A partir desse journaling, conceitos são gerados (nós da Knowledge Base) e classificados. O journaling também pode enriquecer um draft do blog, concatenando a transcrição selecionada de um Concept caso ele seja assim classificado. Há uma série de outros detalhes, como o classificador receber os concepts e drafts atuais para considerá-los candidatos, assim como um glossário vai sendo montado para que o Whisper possa trabalhar melhor com termos e siglas que eu uso muito. Eu poderia fazer algo assim via OpenClaw? Imagino que sim. Duvido que o resultado pudesse se manter dentro de uma estrutura esperada. Mini agentes para casos específicos devem funcionar melhor que um faz-tudo. Ao menos por enquanto. Depois, com esses drafts, eu mesmo lapido os artigos, pois há um excesso de repetição, lacunas e também as ideias nunca se encaixam bem. Eu poderia tentar deixar essa concatenação de ideias e reestruturação do texto para a máquina: pedir para a LLM pegar esse monte de nota confusa e criar um artigo pronto para a publicação. Não farei. A LLM, independente do quão "humanizada" fosse, mudaria muita informação e criaria conteúdo da própria "cabeça", dando aquele ar de 𝑠𝑙𝑜𝑝 que vemos atualmente, onde tudo parece qualquer coisa. Também perderia a autenticidade de forma perceptível. E, para você ter uma ideia, esse post eu escrevi através de diversos fragmentos e audios que gravei no decorrer de dias, ordenados de uma forma bem diferente. Diminuiu muito o tempo do meu trabalho? Não. Estou há horas nesse rascunho. Mas agora não perco mais ideias e textos que gostaria de estudar ou de compartilhar. Post completo no proximo tweet!
E o CEO do GitHub, que saiu e fundou a próxima "plataforma de devs", onde usa o estilo do github porém focado na colaboração humano-agente para guardar também as intenções e outros mecanismos na era pós agentica. Chama-se Entire. E já tem aqueles bulhões de dólares investidos. Vamos ver. https://t.co/f2eos8NPrs
O que voces estao usando de terminal no Mac para varios claudes/codex e acompanhar tudo? Considerando tela pequena de notebook e rodando os coders locais usando os modelos das big AIs. iterm? com tmux? qual configuracao basica? como fazer pra nao ficar dividindo demais a tela e que ela se auto organize para dar destaque em quem terminou a chamada. algo como esse vibekanban mas para CLI/TUI funciona bem? considere que eu nao codava ha bastante tempo.
Vibe coders têm anunciado a morte do SaaS. Você pode ver as recentes notícias sobre o caos na bolsa americana, onde as empresas de software como serviço perderam mais de 300 bilhões de dólares de valor em poucos dias. Empresas como 𝗦𝗮𝗹𝗲𝘀𝗙𝗼𝗿𝗰𝗲, 𝗦𝗲𝗿𝘃𝗶𝗰𝗲𝗡𝗼𝘄 e 𝗠𝗶𝗰𝗿𝗼𝘀𝗼𝗳𝘁 estão vendo as apostas sendo transferidas para as já conhecidas fornecedoras de Inteligência Artificial, além de empresas correlatas (como as de data centers e até mesmo ar condicionado!). Está todo mundo falando sobre IA matar o SaaS. O que é esse medo? É a sensação de que as empresas vão passar a usar mais IA para construir, ou até reconstruir, seus sistemas mais utilizados. A ideia de que seu comunicador (𝗦𝗹𝗮𝗰𝗸, etc), seu ERP (𝗦𝗔𝗣, e outros) e seu CRM (𝗦𝗮𝗹𝗲𝘀𝗙𝗼𝗿𝗰𝗲, etc) serão, de alguma forma, escritos com IA via técnicas de vibe coding, ou talvez via 𝗟𝗼𝘃𝗮𝗯𝗹𝗲 e afins. Ou mesmo apenas com a ideia de que no futuro outra técnica possibilite isso. Será? Produzindo muito código durante as duas últimas semanas, inclusive mergeando pequenos pull requests nos sistemas da Alura, da StartSe e outros, começo a perceber bastante o que estão afirmando: temos algo como o problema 70/30 citado por Osmani, dizendo que a IA faz 70%, mas os 30% finais exigem expertise e são bem difíceis. Apesar de estarmos vendo um aumento mais que significativo de apps sendo deploiadas na loja da Apple, a maioria são pequenos brinquedos ou sisteminhas de uso próprio. O meu próprio exemplo: estou codificando projetos para lidar com as redes sociais, genealogia, investimentos, meus blogs, entre outros. O que há de comum entre eles? Contexto 𝘮𝘶𝘪𝘵𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘦𝘤í𝘧𝘪𝘤𝘰, dificílimo de serem reutilizados por outras pessoas ou mesmo diferentes times. Às vezes me parece que estou na verdade criando 𝘏𝘦𝘭𝘭𝘰𝘞𝘰𝘳𝘭𝘥𝘴 vitaminados, utilizando o computador como um todo, em vez de apenas uma linguagem de programação com escopo fechado. E não é porque a qualidade do código é baixa ou que seja difícil de aprender. É porque a intenção é diferente: estamos muitas vezes pensando em problemas imediatos, e não em criar software de prateleira. O que é bom! Mas é diferente do que fazíamos. Eu considero essas iniciativas como 𝘀𝗼𝗳𝘁𝘄𝗮𝗿𝗲 𝗱𝗲𝘀𝗰𝗮𝗿𝘁á𝘃𝗲𝗹. Não sei qual nome vai pegar: 𝘥𝘪𝘴𝘱𝘰𝘴𝘢𝘣𝘭𝘦 𝘴𝘰𝘧𝘵𝘸𝘢𝘳𝘦, 𝘦𝘱𝘩𝘦𝘮𝘦𝘳𝘢𝘭 𝘢𝘱𝘱𝘴, 𝘴𝘪𝘯𝘨𝘭𝘦-𝘱𝘶𝘳𝘱𝘰𝘴𝘦 𝘢𝘱𝘱𝘴? Mas algo está mudando. O próprio Karpathy, que cunhou o termo 𝘷𝘪𝘣𝘦 𝘤𝘰𝘥𝘪𝘯𝘨, escreveu no review sobre 2025 que já criou apps inteiras descartáveis só para encontrar um único bug, porque "code is suddenly 𝗳𝗿𝗲𝗲, 𝗲𝗽𝗵𝗲𝗺𝗲𝗿𝗮𝗹, 𝗺𝗮𝗹𝗹𝗲𝗮𝗯𝗹𝗲, 𝗱𝗶𝘀𝗰𝗮𝗿𝗱𝗮𝗯𝗹𝗲 𝗮𝗳𝘁𝗲𝗿 𝘀𝗶𝗻𝗴𝗹𝗲 𝘂𝘀𝗲". Quando 𝗥𝘂𝗯𝘆 𝗼𝗻 𝗥𝗮𝗶𝗹𝘀 saiu, todo mundo acreditava que o scaffolding e outras abordagens iriam dominar todas as outras aplicações e engolir sistemas novos. Todo mundo correu. Lembra da adoção pelo 𝗧𝘄𝗶𝘁𝘁𝗲𝗿 e a migração para 𝗦𝗰𝗮𝗹𝗮/𝗝𝗩𝗠 depois? Claro, Rails mudou muito, mas é um exemplo de que cada tecnologia acaba tendo seu contexto de uso e seu mercado. Tecnologias anteriores ao Rails continuam existindo, mesmo com abordagens consideradas antigas, menos dinâmicas, etc. Assim como Rails não matou Java, vibe coding não vai matar SaaS — mas vai criar uma categoria nova ao lado. Agora os ciclos de adoção são mais violentos: haverá muito espaço para esse 𝘥𝘪𝘴𝘱𝘰𝘴𝘢𝘣𝘭𝘦 𝘴𝘰𝘧𝘵𝘸𝘢𝘳𝘦, mas ele não vai substituir todos os mecanismos de codificação. E há um outro sentimento que @sergio_caelum capturou bem: há uma sensação de smalltalk acontecendo nesses sistemas de vibe coding. Quando estou usando o 𝗖𝗼𝗱𝗲𝘅 ou 𝗖𝗹𝗮𝘂𝗱𝗲 𝗖𝗼𝗱𝗲, boa parte do tempo eu não sinto que estou 𝗽𝗿𝗼𝗴𝗿𝗮𝗺𝗮𝗻𝗱𝗼, eu estou mais 𝗲𝘅𝗲𝗰𝘂𝘁𝗮𝗻𝗱𝗼 pequenos programas, scripts, mexendo no bash e alimentando dados. Eu estou 𝗱𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝘅𝘁𝗼 e mexendo em algum tipo de "base de dados", enquanto mantenho o software vivo e operando. E vira um ciclo muito conectado: dados, código e runtime. Realmente tem essa mistura de ambiente de criação, execução e contexto, que a gente sentiu na universidade quando tivemos a oportunidade de brincar de 𝘚𝘮𝘢𝘭𝘭𝘛𝘢𝘭𝘬. Os ambientes se fundem! No 𝗘𝘅𝗰𝗲𝗹, no 𝗣𝗼𝘄𝗲𝗿𝗕𝗜, esse mecanismo já é conhecido: criamos dashboards, planilhas e automações que são utilizadas por um tempo e depois jogadas fora. E esse tipo de "business intelligence" tem também essa característica de misturar ambientes de execução, com os dados puros de produção (confesse!) e a própria construção do sisteminha. Tudo misturado. Tudo no vibe. E sim, 𝗘𝘅𝗰𝗲𝗹 sempre foi um candidato a comer softwares específicos, mas também o fenômeno reverso acontecia bastante. O momento agora é diferente. Esses sistemas não tão reutilizáveis vão ganhar espaço em empresas que possuem processos e workflows complexos? Ou ficarão mais dentro de pequenos squads e usos mais particulares? Em qualquer um dos casos, o uso será alto. Post completo no reply. E se voce comentar de forma interessante, faço aparecer la no post tambem!
O Claude Code tem feito o pessoal senior voltar a codar com mais vontade mesmo. De founder a staff. https://t.co/cbXg7oYMHZ
Com o Clawdbot to conseguindo migrar o Wordpress antigo e abandonado para o Astro, sem nem mesmo fazer dump de banco de dados (vai no crawler e gera md na unha). Misturando com o Claude tambem. Isso tudo está tirando a preguiça de muito dev aposentado!
Em dois dias migrei o blog antiquissimo que eu tinha de wordpress de quando eu meio que era estudante para o Astro, transcrevi os podcasts monologos que ja fiz e puxei mais algumas coisas para meu dominio https://t.co/TkEVUK7poz. Pedi tambem pro proprio agente também postar por lá alguns dos seus aprendizados. Ele tem um RSS só para ele. E fiz meu primeiro post depois de anos. Agora vou ver como articular um mecanismo de broadcast para redes sociais que tambem receba as mensagens de forma concentrada dentro de um agente, dessa forma quebrando os jardins murados. A ideia seria escrever em um unico lugar e o agente distribui aqui no X e em outros lugares, nos formatos especificos, usando ou nao imagem e videos, decidindo se vai estar em formato longo ou nao, etc. Qualquer reação ou resposta o Pi filtra e decide se deve me trazer ou não, para eu dar um reply em um story, num tweet, numa thread, etc. Voltei a programar. https://t.co/jEAvuVhk2J
Todo mundo tem sua diva preferida pro claude code. Mas essas cosméticas são demais. FF7 e phantasy star
Essa "brincadeiras" com Opus 4.6. saem caras. Isso é apenas um dos 5 pequenos projetos, e nem acho que fiz muita coisa. Como pode custar bem mais de 100 dolares em 5 dias (devo ter gastado 10x nisso na soma dos outros) e a assinatura custar 200 dolares por mês? https://t.co/EI0ZnZelms
A carga cognitiva ta indo pro beleléu. Em vez de eu configurar plugins no marketplace e editar jsons de configuração do VS Code, eu peço pro claude "instala pra mim uma extensao que cria um botao para ativar o Zen mode". E fiz o mesmo pra ter o propeio Claude Code la dentro... https://t.co/ejTCP9tY6q