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1 Bilhão de Devs: da tese à realidade

A contratação de devs, em 2026, está aumentando. Mais: está crescendo a quantidade de novas vagas.

No Hipsters #430 sentamos para discutir uma tese que parecia ambiciosa na época: 1 bilhão de pessoas construindo software. Não apenas programadores no sentido clássico. Pessoas que resolvem problemas com software, com automação. Pessoas que constroem. Builders.

Tudo isso baseado nesse post do maior fundo de Venture Capital do Vale do Silício.

E olha só: o podcast é de 2024 e o post de 2023!! De lá pra cá, o que está acontecido confirma muitas apostas do mercado.

O conceito de dev explodiu

Peter Steinberger, criador do OpenClaw, disse no Lex Fridman: “não se vejam mais como engenheiros de iOS. Vocês são construtores (builders) e podem levar muito do conhecimento de como construir software para novos domínios.” Vibecoder, builder, novo dev. A nomenclatura ainda está se ajustando, mas a direção ficou clara.

Werner Vogels, CTO da AWS, no re:Invent 2025 trouxe a mesma visão com outra lente: o profissional em T. “T-shaped developers combine depth with breadth. We can dive deep into a specific product, but will also understand how it fits into a larger system.” E completou: drag and drop is still coding. Eu diria que vibe coding is still programming.

No episódio do Hipsters, o Sérgio fez uma observação que ficou comigo: a IA representa uma inflexão diferente de tudo que veio antes. Linguagens mais produtivas, no-code, low-code, cada uma dessas ondas foi linear. A IA pode ser exponencial.

E a Bruna desenhou as camadas que estamos vendo na prática: o hardcore dev que escreve código de infraestrutura, o dev em evolução que usa low-code e agentes, e o citizen developer que é o pessoal de marketing, financeiro, vendas, que começou a resolver seus próprios problemas com tecnologia.

A Tavane trouxe um dado que confirma isso: as empresas não estão pedindo capacitação em tech só para o time de TI. Estão pedindo para vendas, RH, financeiro, operações. O profissional que entende tecnologia na sua área está em demanda.

Software efêmero muda a equação

Tem um outro fenômeno que está acelerando essa expansão. No post sobre SaaS e vibe coding, eu chamei de disposable software. Software descartável, com contexto muito específico, que resolve um problema e depois morre. Não precisa de manutenção, não precisa de deploy sofisticado, não precisa de time.

Isso é importante porque muda quem pode construir. Se o software é descartável, o custo de errar é baixo. Se o custo de errar é baixo, mais gente tenta. Se mais gente tenta, mais gente aprende. O ciclo se auto-alimenta.

A Sequoia Capital previu o próximo bilhão de desenvolvedores. O GitHub já passou de 150 milhões de contas. Na tese do Grupo Alun, a gente colocou isso como um dos pilares: 1 bilhão de pessoas vão construir software, e a maioria nem sabe disso ainda.

O problema do “1 bilhão” não é chegar lá. É preparar o caminho.

Quando o André questionou o gatekeeping da comunidade dev no episódio, ele tocou num ponto que a gente precisa enfrentar: se 1 bilhão de pessoas vão construir software, quem vai ensinar o que é um deploy seguro? Quem vai explicar que não se pusha API key no GitHub público?

A gente viu isso na prática. O Aniche compartilhou no grupo Clauders que o pessoal do financeiro da empresa dele codou algo com Claude Code e pusharam uma API key no GitHub público. Em 1 dia detectaram. Sorte.

O Sérgio resumiu bem: “a gente sabe que o last mile existe. Essas pessoas não.” Deploy, segurança, infra. Esse é o gap quando democratizamos desenvolvimento.

Isso não é argumento contra a democratização. É argumento a favor de educação que acompanhe a velocidade das ferramentas. O Claude Code Security foi anunciado pra isso. Mas quantas empresas vão configurar antes do primeiro incidente?

Profundidade ainda importa

Uma coisa que o Sérgio enfatizou no episódio, e que eu concordo completamente: programadores precisam continuar estudando e evoluindo. Muda o foco. De bits and bytes para abstração maior. De dominar uma linguagem para entender problemas do mundo real.

No post sobre devs juniors, eu já falava disso em 2022: cuidado para não se tornar “apenas” dev de framework. Use da sua nerdice para conhecer o código fonte daquela biblioteca, a arquitetura da máquina virtual e as entranhas do navegador.

Isso não mudou. Se alguma coisa, ficou mais importante. Porque quando o código é gerado em vez de escrito, o que diferencia profissionais é a capacidade de julgar, corrigir e direcionar. O Akita resumiu numa frase que ficou: IA reflete quem você é. Se você é bom, acelera 10x. Se é ruim, só acelera a criação de código bosta.

Onde estamos agora

Estamos no meio dessa transição. O profissional em T, que o Werner Vogels e o Martin Fowler descrevem, já é o perfil que funciona melhor. Quem tem profundidade técnica e consegue navegar entre domínios está criando mais valor do que nunca.

A pergunta do Fred Brooks de 50 anos atrás continua sendo a mais importante: a parte mais difícil de construir software é decidir precisamente o que precisa ser construído. Ferramentas resolvem o como. Pessoas resolvem o quê e o porquê.

1 bilhão de pessoas vão construir software. Muitas delas vão construir coisas descartáveis. Algumas vão construir coisas que mudam indústrias. E as que fizerem isso vão ser as que entenderam que builder não é um título. É uma mentalidade.


Este post conecta ideias do Hipsters #430 — 1 Bilhão de Devs, dos posts sobre vibe coding, vibecoding e o novo dev, eu voltei a programar e da tese do Grupo Alun.

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