Você não é pago para escrever código
Lembro em 2016 quando encontrei esse artigo que tinha essa frase forte. Refleti bastante e comecei a usar essa provocação junto com a abordagem do profissional em T.

Falando sobre essa dicotomia: a gente nunca gosta quando alguém cobra quantas linhas de código escrevemos. E ao mesmo tempo, a gente acha que ganha o salário para ficar fazendo commit de linhas.
A nossa profissão sempre teve essa cara de resolver problemas, automatizar sistemas, colocar software no ar, e não necessariamente quem escreve mais linhas de código. Qualquer gerente que cobra isso de seus colaboradores, os colaboradores ficam loucos da vida.
Hoje existem métricas de pull requests que estão mais relacionadas a features, porque aí faz um pouco mais sentido. O quanto você está colocando em produção algo útil, independente de quantas linhas de código você precisou para aquilo. Às vezes até mesmo de quanto tempo. Está trazendo valor, para usar o jargão estartupeiro.
Hoje em dia, todo mundo programa
Pensando nisso, em um vibe code, eu quero deixar uma frase aqui forte: Hoje em dia, todo mundo programa, dizem aqueles que não sabem programar. Estou aqui parafraseando o poeta, porque faz muito sentido.
As pessoas consideram que software está resolvido, como dizem os CEOs das big techs de AI. E eu acho muito esquisito.
Saiu bem recente agora, um paper mostrando que as LLMs simplesmente não conseguem programar se você usar essas linguagens esquisitas e que têm pouco repertório na internet, como BrainFuck, como Shakespeare e outras. Por quê? Porque a LLM está realmente papagaiando padrões muito bem conhecidos e que ela leu bastante.
Por isso que o Jensen da NVIDIA dizer recentemente que nós chegamos na AGI é esquisitíssimo.
Software não está resolvido
O software não está resolvido e mais do que nunca, uma das principais habilidades que precisamos ter como pessoas de tecnologia e de software é saber programar.
Você precisa saber programar. Você precisa dominar:
- As stacks nas quais você está envolvido
- A arquitetura na qual você está envolvido
- A web
Para você poder domar as ferramentas que fazem essa metaprogramação via Vibe Code.
Digo mais: esse post que eu me refiro no começo tem outras sacadas que eu sempre achei muito interessantes. Sobre um post sobre por que chefes e comandantes militares são bons gestores de produto.
As fronteiras estão cada vez mais blur
O que está acontecendo na verdade é esse meme, que também foi o Sérgio Lopes que me trouxe:
- Devs acham que não precisam mais de pessoa de produto nem de design
- A pessoa de design acha que não precisa de produto nem dev
- A pessoa de produto acha que não precisa de mais ninguém
Quando na verdade é simplesmente que essas barreiras, essas fronteiras dessas profissões de tecnologia estão cada vez mais blur.
É algo que já vem acontecendo, um fenômeno mundial desde a época do agile, os crachás perdendo força. Se você é analista, engenheiro, programador, cientista da computação, analista de dados, tudo isso mudou fortemente e está mudando.
Profissional em T
Você também pode gostar

Vibecoding, Hipsters e Novo Dev
O profissional em T não é novo, mas nunca foi tão necessário. De Werner Vogels na AWS a Bill Gates, passando por Martin Fowler.

Feeds, Brain Fry e Vibe Coding
Redes sociais e vibe coding compartilham o mesmo mecanismo de dopamina acelerada. A diferença entre yearning e craving, e por que precisamos de intenção.

Markdown, abstrações e o futuro do UX
Do XHTML ao Markdown, do LaTeX aos Skills da Anthropic: como os formatos simples vencem os complexos, e por que texto é o centro do futuro da computação.