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Vínculos, bots e luto digital

Vínculos em queda

A quantidade de vínculos entre pessoas mostra sinais claros de diminuição. Os gráficos que o professor Scott Galloway publica sobre os Estados Unidos ilustram bem, mas esse é um fenômeno mundial.

Decline in Friendship: "menos de 3 amigos próximos" saltou de 16% (1990) para 32% (2021). "Nenhum amigo próximo" de 3% para 12%. Fonte: Survey Center on American Life, via Scott Galloway.

Não é unicamente culpa de redes sociais, mas uma ferramenta que prometia aumentar nossos laços e nos conectar a mais pessoas gerou um efeito oposto. Todos temos centenas ou milhares de “amigos” nessas redes, seguidores, e pouco conhecimento real dessas pessoas.

Bots que simulam amizade

Por isso considero ainda mais esquisita a proposta de que redes sociais terão bots que vão conversar com a gente, mandar áudio, enviar foto, perguntar como estamos, simulando amizade.

Pode ajudar alguém em um momento muito difícil que sem isso estaria pior. Mas é fácil ver que mecanismos como esse podem criar vínculos emocionais e dependência de forma muito rápida.

Mecanismos de negar a angústia

O Zuckerberg está patenteando mecanismos para postar depois de morto: suas notas, conteúdo, tom de voz reutilizados para diminuir a fricção dos relacionamentos sociais.

Num mundo cada vez mais dócil, com menos fricção, ficamos nessa busca de tirar qualquer hipótese de angústia, inclusive lutos. Vai ter até o ghosting do luto.

Nossos jovens já têm dificuldade de comunicação e de criar vínculos. Agora vamos dar mais um passo: evitando luto, angústias, saudade. Queremos viver no conforto absoluto, o que vai nos deixar cada vez mais frágeis.

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