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Anthropic, Fricção e o Papa

O cofundador da Anthropic, Chris Olah, esteve com o Papa durante a leitura da primeira encíclica de Leão XIV, “A Humanidade Magnífica”. A razão? Pode ser a seriedade da empresa em envolver a sociedade em discussões importantes; pode ser uma forma de criar hype em torno do Claude e sua “capacidade apocalíptica” para inflar, ainda mais, sua valorização.

Chris Olah, cofundador da Anthropic, ao lado do Papa Leão XIV na apresentação da encíclica "Magnifica Humanitas" no Vaticano, 25 de maio de 2026. Foto: Yara Nardi / Reuters via OSV News

A encíclica é afiada. Os capítulos 3 e 4 são seculares e abordam muitas das preocupações atuais da sociedade, de pais, de educadores e de nós devs. Nos parágrafos sobre escola, sobre aprendizado, fala sobre o problema de não encararmos fricção:

140: Em contrapartida, os processos educativos requerem um tempo de maturação, de confronto com a realidade que vai além das aparências, e um caminho de paciência. A questão é fundamental, pois toda a tecnologia educa quem a utiliza. Educar para o uso da IA implica, portanto, educar para decidir quando e em que situações não a utilizar. A rapidez e a facilidade com que se obtém uma resposta ou uma síntese correm o risco de extinguir o desejo de colocar perguntas, o qual dá frutos só a longo prazo.

Como escreve Platão, as coisas mais profundas e importantes só se aprendem depois de muito tempo e esforço, no empenho em discutir com os outros para “friccionar”, como numa pederneira, os conceitos e as experiências, até saltar em nós a centelha da compreensão.

Devemos educar-nos ao jejum da IA e proteger os nossos jovens das promessas da máquina perfeita, daquela subtil sedução que parece tornar o pensamento humano inútil precisamente quando é mais necessário.

Num mundo de hiperestímulos, acelerado, a atenção se fragmenta e torna muito difícil o aprendizado profundo e a discussão:

“(115) O ser humano contemporâneo, assediado por estímulos contínuos, tende a perder o gosto pelas coisas que se demoram a compreender. Uma cultura que valoriza apenas o rápido, o eficiente e o quantificável empobrece a interioridade e enfraquece os laços que dão consistência à vida partilhada.”

Uma sociedade em que se evita a fricção, teremos sempre medo de conversar com pessoas novas, de encontros em grupos ou até mesmo de mandar um email para o chefe sem ajuda do ChatGPT.

“Há um cansaço novo, característico do nosso tempo, que não é apenas físico, mas tem que ver com a hiperexposição informativa, com a dispersão da atenção, com a dificuldade de estar verdadeiramente presente a si mesmo e aos outros.”

E apesar de não citar explicitamente o problema difícil da consciencia, o documento dialoga com as atuais [provocações de Richard Dawkins] e a [revolta de Ted Chiang], ao criticar nosso sonho de onipotência:

“O sonho transumanista de uma humanidade indefinidamente potencializada pela técnica nasce, em muitos casos, da incapacidade de aceitar o limite, a fragilidade, a doença, a morte. Mas precisamente reconhecer estes limites é o que torna possível uma vida cheia de sentido, e não a sua negação.”

[aqui ir fechando?]:

  1. É necessário promover uma verdadeira higiene da atenção: ritmos que prevejam silêncio, estudo aprofundado, leitura, debate ponderado.

Fiz a leitura de diversos parágrafos da encíclina [nesse episódio do Hipsters].

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