Plataformização e a erosão da recomendação pessoal
Eu às vezes vejo a Cecília comprando comida no iFood, buscando pelo item, não o restaurante. Então você vai lá e digita Cheese Bacon, ou você digita Kafta Árabe, e vê o que sai, vê quantas estrelas tem o local e pede, sem saber qual é o restaurante, sem ter ido lá, sem conhecer o tipo de comida que eles fazem, sem ter uma recomendação pessoal.
Eu vejo isso como uma mudança de geração, que a plataformização, esse mecanismo de criar os grandes mercados B2B, acabam gerando esse descompasso. As pessoas perdem aquela capacidade analógica, pessoal, de pedir uma recomendação, saber onde foi.
Mesma coisa para médicos: elas vão no Instagram procurar um médico, ou diretamente no Google, em vez de saber se alguém que já foi lá conhece um bom médico, ou vai numa plataforma que tenta fazer essa recomendação de uma forma mais asséptica.
Isso vai causando um Race to the Bottom de alguma forma. Eu vi essa notícia recente de uma das plataformas da China que ofereciam bolos para venda, e redirecionavam a venda internamente em subplataformas, procurando o bolo mais barato. Fazia todo mundo, forçava os preços para baixo, e obviamente a qualidade caía em situações limítrofes.