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Depois da psicologia, sonhar para frente e criar o novo

A arte de viver significa matar a psicologia e criar, a partir de si mesmo e de outras individualidades, seres, relações, qualidades que não tenham nome. Se não se consegue isso, essa vida não vale a pena ser vivida.

É Foucault sendo citado em Psicopolítica, de Byung-Chul Han. A frase não vem de um livro, e sim de uma conversa com o cineasta alemão Werner Schroeter, em dezembro de 1981, sobre paixão, amor e criação.

Michel Foucault numa conferência no Rio de Janeiro, em 1974

Foucault no Rio, 30 de outubro de 1974, num ciclo de conferências no Hospital das Clínicas da UEG. Foto do Arquivo Nacional.

Poderoso. Não ficar preso ao classificado, ao já catalogado, ao comportamento da estatística, do big data e da IA. É no singular, no diferente, no impensável que residem os novos movimentos.

A alegoria de “morte da psicologia” me lembra outra passagem, em O Espírito da Esperança, onde Han separa, com Bloch, o sonho noturno do sonho diurno: o noturno, que a psicanálise interpreta, olha para o passado. O sonho diurno sonha para frente, para o que ainda não é. Esperançoso. De desejo, de vontade, de criação. Como o Rilke que anotei há pouco: “Acredito em tudo o que ainda não foi dito.”

Como eu e como tantos, estou em terapia psicanalítica. E é poderoso para entender a si mesmo.

“Criar, criar… usar apoios e sair deles, chegar no novo” foi a resposta de meu pai quando mandei a frase do Foucault no grupo da família.

Citados neste texto: Michel Foucault · Byung-Chul Han · Psicopolítica · O Espírito da Esperança · Rainer Maria Rilke

#filosofia #literatura