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Comentários de meu pai sobre o post do Humano fora do Loop

Meu pai revisou esse post antes de eu publicar. Via áudio. Segue transcrição pois achei interessante:

Paulo, é um tema empoderador, aproveitando a palavra que ele usa no início. À medida que a gente muda a forma de conduzir, de se conduzir, de se assumir, isso dá um poder para a gente.

Curiosamente, eu vi uma explicação daquele doom scroll, procurando na internet a palavra. O ChatGPT deve ter feito um texto curto mostrando os aspectos, os riscos. Mandei, e mamãe deu um sinal positivo. Eu só não dei o sinal positivo porque estou aqui lendo. Mas é isso mesmo, esse tema faz a gente refletir.

“A tecnologia sequestra nossas mentes como um caça-níqueis.” Ótima frase. Na hora que o níquel não dá certo, foi mais um pouco, ser forçado a tentar de novo, tentar de novo, e nunca satisfaz plenamente. Então tenta de novo na expectativa de chegar ao céu, de receber todo o dinheiro.

Só que essa frase é perigosíssima.

Eu me lembro do curso de computador que a gente dava. Começava lá no Word. Mas primeiro iniciava: como que liga? O que acontece no computador? Alguma coisa simples, porque as pessoas estavam iniciando e não tinham nenhuma ideia. E uma moça, Sueli, no tribunal eleitoral, tinha uma vivência forte no trabalho social, junto ao operário. Se inscreveu no tribunal, entrou e trabalhou comigo. Era uma pessoa de extrema confiança nas formas de conduzir. Foi ela que propôs, e a gente montou juntos: como que o computador faz isso? O que acontece? Para tirar o mito de que o computador faz coisas esquisitas, um segredo, um mágico. Então a gente via. E insistia: não, até no computador tem pessoas. Essas pessoas construíram assim, parte porque não tinham capacidade para outros jeitos, e parte porque era o que eles queriam, o que eles querem.

Então existe uma pessoa. Não é a tecnologia que sequestra nossas mentes. São as pessoas que sequestram a nossa mente. Essas pessoas, em geral, são os poderosos, os que têm recursos, os que querem criar mais dinheiro, de diversas formas. A autoimagem do país, tudo.

É a história do macarrão dos italianos. Os italianos fazem o contrário: “essa macarronada foi feita por nossa avó”. O cara com 80 anos falando “essa nossa avó”, me lembro até dele meio mancando, que fez essa massa. Dando o outro lado: o agente humano atrás disso. E não a inteligência artificial que faz por si.

Não sei o que ele vai falar pra frente, mas esse ponto é crucial. É mostrar que tem agente humano com determinadas intenções, e que essas intenções, mesmo quando não são venda de produto, são criação de mentalidade.

Outra distinção a fazer é quando ele diz que “nem mesmo temos tempo para sermos críticos com nosso próprio trabalho”. Dois momentos. Um momento é de se culpar: porque você não é crítico do seu trabalho, você é o culpado de acontecer isso. Mas são duas coisas. Instituir o senso crítico sabendo que parte da culpa, e até a maior parte, é dos que montam isso. A gente pode ser crítico, e é essencial sermos críticos.

Foi assim nos genocídios: quando resolveram matar, não adiantava mais ser crítico. Não era a crítica que resolvia o problema. Mas é esse espírito crítico que, em diversos momentos, provocou reações contra o poder maior. Serviu para os povos perseguidos, para qualquer movimento de resistência.

O perigo é a gente culpar o paciente. Vem o médico: porque você não bebeu um litro e meio de água. A analogia do paciente é um pouco imperfeita, a maior parte não é assim. Mas tem uma característica que é.

Não é a questão de ser crítico; é ser crítico e como combater os que fazem. Porque não é só o racional: eu sou crítico, penso nisso, naquilo, concluo o quê? Não faço, porque o juros é maior. Não é esse racional. É o racional e o emocional. A gente está vivendo num ambiente como se estivesse no mato. Tudo é mato. Um ambiente que, primeiro pela criação da tecnologia que permitia isso, foi tomando posse das coisas. Antes era o rei do pedaço de terreno da Idade Média: ele tomava conta e tinha o poder, sabia que tinha o poder, e era difícil combater. É a mesma coisa. Só que é um poder que a gente não consegue ir lá e cortar a cabeça, e ele tem ajuda de uma espada diferente. Essa espada se chama tecnologia. Quando se transforma numa espada, ela arrasa a gente dando risada. Ela adoça a vida desesperada de trabalho, e aí pode atirar.

Esses pontos a gente tem que alertar, para fazer uma bandeira. Uma bandeira “vamos lá invadir aquele pedaço de terra” não dá para ser uma bandeira. Aí vem a educação, aí vem a Alura. Vou conversar com a nova chefe do RH, e no texto que apresentaram, falaram: com isso tudo, com essa junção, a gente vai responder ao nosso negócio, na verdade ao nosso serviço. O serviço da Alura são dois: ensinar o debate e ensinar a crítica disso. Como fazem que a gente passe a interpretar de uma forma, de outra.

Como eu vejo o que o v0xium falou: é um desabafo. “É uma merda”, é um desabafo. Uma forma hiperbólica de falar. É uma forma de comunicação: você está engasgada, vem o cara e te balança, sacode. O primeiro é uma sacudida dele. Mas não é só o desabafo. Na verdade ele fala: vocês são tudo uma merda, os que mandam essa merda porque querem ver a gente fazer, e a gente é uma merda porque gosta de fazer isso e vai pra frente, tem a parte “eu dependo disso” e vai pra frente. A hipérbole é geral, e faz sentido. Como seria se a gente fizesse uma forma de ironia ou de chiste. Hoje mesmo fiz uma brincadeira com o Fran, falei uma coisa bem possível, meio gozada, e ele deu risada, mas eu estava sacudindo ele. Sacudindo a forma como encarava as coisas. Acho que é essa a posição dele.

Em segundo lugar, eu acho que não é assim. Porque quando a pessoa reclama, no fundo pode estar reclamando do colega no trabalho, pode estar reclamando de vantagens que perdeu. Não é uma pesquisa científica. É uma questão a se cuidar. Eu sei quanto acontece, quanto não acontece, quanto acontece muito. A TI e o uso dessa inteligência artificial viraram a caça às bruxas. Então tudo isso aí não vai bem: “olha lá, olha lá, você vê que a gente tem razão”.

E se não houver libertadores da parte dos empregados, se não tiver o início da libertação a partir daí, vai continuar o mesmo. Por que vai mudar de um para o outro? Não é isso. Precisa ir preparando a mente a isso, o espírito crítico. O espírito crítico é de onde vem, como fazer e como aproveitar a tecnologia. Que é a grande espada do poder, e que é uma espada da gente também, como sempre, menor, mais fraquinha. Como foi na Revolução Francesa, que tinha a guilhotina?

Essa tecnologia, o Claude. Porque você fala assim: o cara nem leu o código. Se você não lê o código, é um mau leitor. Ele tem que pegar e entender o porquê que aconteceu aquilo. Quando você vai comprar um Samsung S26, você vê, discute, percebe que aquele raciocínio não foi o melhor, que está faltando alguma coisa. E você ainda pode estar decidindo à revelia do Claude. Pode ter decidido à revelia dele, mesmo que isso seja o melhor caminho.

Acho que já passei o limite de tempo, mas é isso: a pintura de uma coisa que está acontecendo, que é uma voz, como ele citou lá no tweet. É um desabafo. Só que isso não atinge os três poderes que comandam, que vão tomando posse da tecnologia para o resultado deles e, em segundo lugar, para preparar as pessoas todas para se interessar, para se envolver nos projetos deles. Se o projeto é de vender, é de vender. É isso que ele quer, criando uma mentalidade que faz com que a tecnologia, sendo comandada, seja interessante. Ele dá muito sorvete, muita bala todo dia, toda hora, tanto que a gente até reclama. Mas o prazer é maior. Aí a gente começa a achar que é isso que é bom. Por isso o senso crítico.

Vamos construir uma nova cultura na área de tecnologia. É isso. E se levante o que precisa.

Me lembrei da pessoa da roça que limpava o terreno com enxada, e veio o tratorzinho que limpava, furava, jogava semente. O cara começa a pôr defeito em tudo que o outro está fazendo. Aí aceita a ideia: ele vai ter de se reconstruir nesse mundo. Então é um pouco mais do que criticar. É mais do que se organizar e querer que seja como antes. Ele fala: que eu possa ver o código, testar o código. Ele quer ter o domínio na mão, que antes outras pessoas não tinham. As pessoas passaram a ter esse domínio na mão, com êxitos e fracassos. E agora não quer sair. Do primeiro para o segundo passo, fazem; do segundo para o terceiro, não fazem. Assim como os datilógrafos falaram do computador chegando…

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