Arquétipos em vez de profissões
O Boris Cherny, criador do Claude Code e voz ativa nas redes sociais de inteligência artificial, fez uma reflexão sobre as profissões do futuro e os arquétipos esses meses e, na verdade, ele está justo falando da profissão não ter muito nome de uma profissão.
Eu gosto bastante porque, desde o mundo ágil, desde que o Manifesto Ágil apareceu e entrou depois com força nas corporações, a gente vê esse job title sumindo. Algumas empresas, inclusive bancos, um da Holanda (o ING, em 2015) fez um grande anúncio de que não havia mais cargos no crachá, que estava todo mundo participando de um mesmo objetivo dentro do banco.
Eu vejo isso também com essa questão da gente ser pressionado a ser mais generalista, poder atacar o problema de diversos ângulos, já que tarefas mais específicas o computador, o Excel, a inteligência artificial pode executar. Acho que é a minha provocação: a profissão no desenvolvimento não só é válida, como é reforçada em uma necessidade de a gente ser mais generalista ainda, num formato A era do Dash-Shaped Professional.
O Boris vai dizer que há alguns arquétipos, em vez do que profissões. Ele cita que as profissões não serão mais domain-specific. É óbvio que ele tem uma visão muito específica do mundo corporativo tecnológico do Vale do Silício, que pode ser aplicado em alguns outros locais do mundo e indústrias, mas ainda naquelas que são muito tech intensive.
Os nomes que o Boris utiliza para esses arquétipos, como builder, prototyper, grower etc., demonstram que as pessoas estão atuando em momentos e estágios de um produto, normalmente um produto digital, em vez do que estarem focadas em uma parte específica do produto. Ela trabalha com o produto como um todo, porém numa época de existência dele: de maturidade, de teste ou de prototipação, de crescimento, de encontrar o market fit.
E repare que esses nomes verdadeiramente são generalistas. Ele inclusive cita que quem vai ser builder, por exemplo, pode ser tanto um designer quanto uma pessoa de produto quanto uma pessoa de programação. Vai depender bastante do seu conhecimento, da sua maturidade e até do seu perfil como profissional.
Acredito que os crachás estão perdendo com velocidade suas funções. Eu costumo, em palestras, fazer a seguinte pergunta para o público: “Sabe quando as pessoas da sua empresa te conhecem pela primeira vez e perguntam: olha, o que você faz aqui na empresa? Qual é o seu cargo?” As pessoas costumam começar essa resposta com “então, aqui na empresa eu faço um…” e elas titubeiam. E esse fenômeno acontece até mesmo com pessoas do mesmo departamento. Você não sabe explicar com perfeição o seu job description.
Inclusive hoje, na definição de uma vaga de emprego, está cada vez mais complicado dizer o que a gente precisa, qual a especialidade, qual a formação, quais são os conhecimentos técnicos que aquela pessoa necessitaria para exercer bem a sua função. Pois não só tudo está em ebulição, como é possível que pessoas com conhecimentos técnicos e cargos bem diferentes possam exercer essa nova posição do seu time e da sua empresa de forma ainda melhor que o background que você costurou na sua imaginação.
Citados neste texto: Boris Cherny · Claude Code · Manifesto Ágil · Vale do Silício