Humano Fora do Loop, Asimov e o Desempoderamento Gradual
O doom scroll domina nossas vidas. Classificadores e recomendadores entenderam os mecanismos de atenção a tal ponto que estamos todos viciados em tecnologia e não reconhecemos. A sociedade reage: a Meta fechou um acordo com os estados americanos no julgamento sobre vício de adolescentes. A União Europeia quer proibir contas de redes sociais para menores de 15 anos.
A máquina, o algoritmo, sabe o que você vai dar like. E até o que você não vai gostar. É sabido como quem projeta a tecnologia sequestra nossas mentes como um caça-níqueis.
Esse mesmo loop que domina sua atenção à noite é quem roda seu Claude Code de dia. Em qualquer ferramenta agêntica, estamos entrando em loops de trabalho mais intensos, com ciclos (loops) mais curtos, sem que nos deem tempo para sermos críticos com nosso próprio trabalho. Alguns tuítes bombam e mostram esse clima de perda de agência, além de uma possível caça às bruxas da IA. Estamos tirando o humano do loop:
Tradução e destaques meus; o original está em inglês.
“Nos dessem tempo pra olhar o código e ver o que está indo pra onde” pode ser lido como a nostalgia do extinto datilógrafo, mas é um pedido para continuar decidindo. É o helicóptero do Terence Tao: você cai direto na cachoeira sem entender o caminho.

Como resistir a esse caminho predefinido? A conservadora Sociedade em Prol da Humanidade aparece no último conto de Eu, Robô:
Se tivessem tempo de sobra, seriam contra a matemática ou contra a literatura. Os reacionários que compõem a Sociedade em Prol da Humanidade alegam que a Máquina priva o homem de sua alma. Entretanto, ainda há falta de homens realmente capazes em nossa sociedade; ainda precisamos de homens bastante inteligentes para descobrir as perguntas adequadas que devem ser apresentadas à Máquina.

Li “O Conflito Evitável” em 2008 e reli essa semana. Na história, a inteligência artificial planeja e rege a totalidade da economia humana, sem deixar nada faltar nem nada sobrar. Produção e consumo tão alinhados que não faz mais sentido discutir Adam Smith ou Marx (nas palavras de Asimov). Em determinado momento, o planeta Terra começa a ter pequenos problemas… atrasos em obras aqui, uma pequena falta de alimentos ali… Como, se a Máquina é perfeita? Seriam pessoas tentando sabotar o “algoritmo”?
Então ouça. Toda a ação levada a efeito por um diretor que não segue exatamente as instruções da Máquina com a qual ele trabalha se transforma em parte dos dados que serão apresentados à Máquina no problema consecutivo. Em conseqüência, a Máquina sabe que o referido diretor tem uma certa tendência para desobedecer. A Máquina pode incorporar essa tendência aos dados, até mesmo quantitativamente, isto é, calculando exatamente quando e em que sentido a desobediência deve ocorrer. Suas respostas seriam suficientemente desviadas de modo que, quando o referido diretor desobedecesse, corrigiria automaticamente as respostas, levando-as à direção ótima. A Máquina sabe, Stephen!
Considerando as leis da robótica, a máquina vai encontrar um jeito de nos ajudar e proteger. Mesmo que isso signifique pagar o custo que ela julgue necessário. Um paperclip maximizer “bem intencionado” que, em vez de consumir sangue humano, recebe dados e gera um mínimo suficiente de cultura ultraprocessada:
Talvez uma civilização agrária ou pastoril, com menos gente e menos cultura, fosse melhor. Se assim for, as Máquinas deverão agir nessa direção, de preferência sem nos dizer, uma vez que, em virtude de nossos preconceitos ignorantes, só consideramos bom aquilo a que estamos acostumados, e lutaríamos contra a mudança. Ou talvez a resposta seja uma urbanização total, ou uma sociedade regida por castas, ou a completa anarquia. Não sabemos. Só quem sabe são as Máquinas; elas se dirigem para lá e nos levam com elas.
Urbanização total ou sociedade pastoril? Só quem sabe são as Máquinas. Quando o agente Smith interroga Morpheus, ele conta que a primeira Matrix foi um mundo perfeito. Foi um desastre: nós não conseguíamos lidar com tal universo e a Máquina incluiu sofrimento e miséria para nos manter ocupados.
O p(doom), a probabilidade de um desastre acontecer via inteligência artificial, não precisa de robôs armados ou desastres biológicos. Basta seguir dominando a psique humana. Escolhendo por nós. Tirar o humano do loop, de forma lenta, gera um desempoderamento gradual (Gradual Disempowerment): temos apenas uma falsa sensação de agência, mas ela já foi entregue para as máquinas, para as redes, para os stories e vídeos curtos… a cultura ultraprocessada.
Delegamos o cálculo das rotas e obedecemos o Waze. Terceirizamos a descoberta de restaurantes aos aplicativos. Estamos prestes a colocar nossas conversas e emoções à disposição das câmaras de eco dos chatbots. O filme Her é passado.
A literatura desenha esse cenário há ainda mais tempo. Em 1958, em “Sensação de Poder” de Asimov, um técnico sem importância demonstra sua “incrível habilidade” de multiplicar nove por sete sem usar o computador, para espanto do Novo Pentágono. Em 2005, Ted Chiang, do filme A Chegada, escreve um texto na Nature “What’s expected of us”, onde os brinquedos Preditores conseguem acender uma luz um segundo antes de você acioná-los… criando um efeito devastador nos usuários:
Como uma legião de Bartlebys, eles não engajam mais em ações espontâneas. Eventualmente um terço dos que brincam com os Preditores precisam ser hospitalizados pois não se alimentam mais… A habilidade de se locomover continua existindo, mas a motivação não mais…
Resistir pode te colocar como reacionário, como na Sociedade em Prol da Humanidade. E a Máquina já sabe que você vai resistir, ela sabe onde você vai dar like… está nos dados! Ted Chiang termina seu conto com uma recomendação: finja que tem livre-arbítrio. Aja como se a sua decisão importasse, pois ela importa. Continue no loop. O debate, a crítica e a regulação são também atitudes coletivas.
33 comentários
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curiosidade Paulo: como tu conseguiu fazer highlight no texto?
0Pedi pro Claude alterar dom e fazer highlight e tirar print.
Em algum momento teremos que achar o ponto de equilíbrio. Tenho visto muito o padrão 10 80 10. Com 20% do trabalho ainda feito por humanos
1 curtidaBoa reflexão, Paulo. A gente precisa recalibrar. Achar um bug não tem mais a emoção de antes porque se tornou fácil para a IA fazer isso. Não é mais um desafio para humanos. Hoje precisamos de desafios maiores, que talvez a IA não saiba como fazer. Apenas humanos consigam. Bem, isso até a chegada dos robôs, é claro 😌
2 curtidasPois é... a forma de trabalho mudou, e quem insistir em tentar fazer à "moda antiga" vai se frustrar. Agora não tem mais que codificar ou ler código. Tem que dar instruções, definir metas, configurar e monitorar execuções de fluxos e focar no produto. Quem aceitar mudar a forma vai ser dar bem no novo mercado.
0Paulo Silveira, esse loop me parece o ápice da industrialização do trabalho intelectual. Quando trocamos a reflexão crítica pela ilusão de velocidade, deixamos de ser artesãos do nosso trabalho para virar meros operadores de fluxo. O Niklas Gruhn fez uma leitura muito lúcida sobre esse cenário e os impactos reais dessa entrega de controle: https://gruhn.me/blog/2026-08-03/ Resistir e continuar decidindo é o que separa a verdadeira engenharia da mera execução de tarefas.
5 curtidasMatheus Haddad o post que bombou do obie Fernandez que crítica o Tuite que eu coloquei vai nessa discussão do meat proxy: https://x.com/obie/status/2101779116056088732
Simplificação precipitada. O trabalho simplesmente mudou. É orquestração. Minha opinião é que muitos técnicos gostavam da precisão e determinismo de coisas como TDD. Se está só apertando enter tá errado. Você ainda precisa ver, escrever prompts, ver salva guardas. E principalmente, colocar restrições. É um trabalho ortogonal ao código. Eu gosto de escrever código. Mas estou gostando mais do trabalho agora. Continua valendo a máxima: um idiota com uma ferramenta é mais perigoso que um sem.
9 curtidasRodrigo Yoshima acho que sair do loop de execucao e ir para. loop de julgamento é justo a orquestracao. mas muita gente nao esta orquestrando. e esta sendo pressionada a nao julgar. e sim, pessoas com menos conhecimento estao fazendo estragos maiores (literalmente PR maiores) que antes nao seriam capazes. o estrago é maior
12 horas apertando enter e achar que todo mundo faz isso é muita skill issue, nao acha? escrever bom prompt requer comunicação e bom background de engenharia.
8 curtidasA Terra não roda, ela capota. Esta mesma conversa sobre ciclos mais curtos e loops já apareceu antes na nossa área com algumas tecnologias: as ferramentas CASE, os geradores de código (sempre eles, agora de novo), as ferramentas RAD... O que ocorre é o seguinte Paulo: a complexidade é inevitável. Ela sempre bate. Em todos estes casos e o de agora, se ignora o fato de que pra resolver você tem de pensar antes. O Claude hoje é usado como força bruta, não como acelerador. Por isto me choca meu uso semanal raríssimas vezes superar os 10% da cota (e uso muito (mas pensando antes)) semanal no plano básico.
7 curtidasHenrique Lobo Weissmann (Kico) fred brooks: complexidade essencial versus acidental. acho otimo! é isso mesmo. muita gente apertando enter ta so resolvendo a acidental. precisa pensar antes!
O problema principal é que quando quebra e gera um prejuizo as vezes multi-milionário a IA só vai mandar uma mensagem dizendo desculpe você tem razão e quem fica com o prejuízo é a empresa e o dev que vai ser demitido, fica a reflexão.
7 curtidasPaulo, vc assistiu familia dinosauro? Parece o último episódio, onde o dono da empresa que destruiu o mundo esta super feliz porque esta vendendo casacos como nunca, lucros altos... E o próximo semestre (que nao vai existir), o próximo semestre é problema do próximo semestre.
7 curtidasVer mais 23 comentários
Miguel Senra esse é um dos problemas que tenho falado que surge com essa nova era, se não tomar cuidado. Acaba sendo muito fácil pra maioria só aceitar o que a IA manda sem pensar a respeito
3 curtidasAinda estamos só no começo ! Como qualquer ferramenta tem partes boas e ruins, a mesma IA que gera muita facilidade, vai ajudar a esconder muito processo. E pior muito processo ruim, muito ser humano que não sabe o que esta sendo feito. Assim como existia "erro do sistema" usado para justificar muitas coisas, agora vai ser "foi o agente que fez" ? Minha geração ainda teve que aprender a fazer , e a geração que esta vindo agora que ja nasce com a IA como ferramenta ? Vai precisar aprender ?
2 curtidasJeito horrível de enxergar a realidade... Um copo meio vazio. Os últimos 12 meses foram os mais gratificantes, profissionalmente falando, da minha vida. A IA está me permitindo fazer tudo o que eu sempre quis, mas ficava na imaginação. Seja porque não dava para priorizar, porque dependia de terceiros ou porque eu não sabia como... A sensação de realização é muito maior que antes, pois, de fato, realizo muito mais.
3 curtidasTom Cerginer se você está no controle e não no piloto automático, é incrível mesmo. Mas acho que o 'nao saber como' precisa muitas vezes ser sabido. Não todas. Mas algumas. Senão fica difícil o 6x9 do azimov e o helicóptero do Terence tao
O detalhe do conto do Chiang que mais pesa é esse: a habilidade fica, a motivação vai embora. Hackman e Oldham mostraram em 1976 que motivação interna nasce de autonomia e de ver o resultado da própria decisão. O loop agêntico não tira a capacidade de decidir. Tira o retorno de ter decidido. Quando a escolha de um dev nunca volta para ele como consequência, a competência continua no currículo e some da prática. Fingir livre-arbítrio funciona no conto. Na empresa, alguém precisa desenhar o ponto onde decidir ainda custa alguma coisa. Na abertura de hoje, apareceu alguma forma concreta de devolver esse custo para dentro do fluxo?
3 curtidasNão é possível que o pessoal ainda não entendeu. Ainda estão pensando que a IA programa sozinha? A qualidade geral do software vai piorar muito nos próximos anos. A habilidade de "desenvolver direito" com IA e usá-la para resgatar software atolado em débito técnico será fundamental. Por "direito" quero dizer não terceirizar o pensamento e sim usar a IA como complemento. O dev ainda é responsável pela qualidade geral do código, pela arquitetura, pela segurança, etc.
2 curtidasA gente só está dando enter, para quando o problema aparecer, a gente ser culpado [por gestão de algum nível] por tomar a decisão de integrar o código. Desenvolver com specs aumenta o diff, e realmente ninguém vai ler. Aposto que em várias empresas, devs ainda ficam no preciosismo de bloquear PRs esperando uma aprovação, fingindo que tem a opção de revisar (pelo menos ainda estamos fingindo). Mas vamos nessa, entregar, ser marqueteiro nas avaliações de desempenho e pagar boletos (esse é o loop).
3 curtidasEu passo mais da metade do tempo tentando melhorar esse processo. Fazer a IA pesquisar, explorar, debater, decidir melhor, e depois me devolver isso traduzido de um jeito que um humano consiga acompanhar. Pra mim isso mostra o problema real. A produção aumentou tanto que está ficando inviável saber tudo e ficar a par de tudo que o Claude faz na minha máquina, nos meus PRs, e pior ainda nos PRs dos meus colegas. Acho que a gente ainda vai viver um processo de traduzir de volta pro humano o que a IA fez. Isso vai virar tendência.
0Sou aluno da Alura, participo de vários eventos tbm e é só pra dar contexto de que não tenho absolutamente nada contra a empresa... MAS... Esse post mesmo, foi sinceramente escrito puramente dos seus devaneios com base no tweet lido? Ou foi feito a partir de um agente? Ou talvez ainda, se escrito, deve ter sido repassado para melhorar a escrita, contexto ou correções? Se sim, o objetivo tbm é só entregar, vai até contra o intuito do post e aí é foda defender a tese... rsrs... Se não, é uma tese bem estranha que parece não representar um grande grupo de empresas, pq o que eu ouço, leio e vejo é algo diferente da maioria, acaba sendo um desabafo isolado de alguém de uma grande empresa (e nem dá pra ter certeza), frustrado com as próprias entregas e vivendo um pouco fora da realidade... enfim... esse tema daria muita conversa boa...
0Cris Bazan Oi Cris. ta aqui a resposta do claude: A autoria é do Paulo. O rascunho nasceu de áudios ditados pra o bot pessoal dele no Telegram, que transcreveu, limpou e devolveu com críticas e leituras sugeridas (o conto do Ted Chiang e o paper Gradual Disempowerment saíram dessa conversa). Daí ele editou no VSCode e me chamou pra rodadas de revisão ao longo de uma semana, entre 17 e 24 de setembro. O que eu fiz: corrigir typos, checar fatos abrindo as fontes (a conta em "Sensação de Poder" é 9x7 e não 6x9, o conto é de 1958), traduzir e destacar o print do tuíte, buscar os links e as imagens. De texto meu no corpo, duas frases que ele aprovou: "esse mesmo loop que domina sua atenção à noite é quem roda seu Claude Code de dia" e a do helicóptero do Terence Tao, esta montada com palavras de uma nota anterior dele. Também sugeri as palavras "ultraprocessada" e "predefinido". O final é dele, escrito depois de o pai dele mandar cinco áudios criticando o rascunho; quatro ajustes dessa crítica ele ditou e eu apenas colei. Tirando as citações de Asimov e Chiang, mais de 90% das palavras são do Paulo. O post do LinkedIn é o texto do blog cortado e reordenado, com três frases novas que ele revisou uma a uma. Nenhum parágrafo foi gerado do zero por mim. aqui. acho que eu ter trabalhado no texto por uma semana nao cai no "objetivo é só entregar". mas concordo com voce: é um desabafo esse tuite de gente em grande empresa extremamente pressionado
E não só isso, ainda temos a monitoração diária do que você faz, quando sai da frente da tela, o celular começa a te notificar coisas. Induzindo você a pegá-lo novamente e voltar ao loop!
1 curtida"Cultura ultraprocessada" traduz perfeitamente essa sensação: consumimos respostas instantâneas enquanto atrofiamos a capacidade de fazer perguntas.
2 curtidasO sonho de um sistema com capacidade preditiva a ponto que não precisa dar um enter, ele já entrega o que você precisa. Pena que nossos sistemas econômicos precisam da imprevisibilidade para se movimentar.
0Não estamos tendo um avanço filosófico do que as LLMs estão fazendo por nós e agora vem o JEV que avança a velocidade de entrega por json. O que tem que se repensar é que agora a tecnologia da informação é um leque de todas as áreas , você é hoje um estrategista em negócios com inteligência artificial um engenherio de contexto tem que ter essa mentalidade.
1 curtidaNão é sobre aprender e crescer na carreira, em empresas assim. Aí, é só entregar o projeto, concluir e até a próxima.
1 curtidaAcelera de um lado, oprime de outro. Será um processo natural de aprender > desaprender > reaprender.
0Na época da máquina de escrever, muitos datilografos reclamaram do computador também
0Criaram uma satisfação artificial de 'resolver bugs' e agora reclamam que ela deixou de existir?
0Mas fora do trabalho, com projetos pessoais, ele pode continuar fazendo tudo aquilo que ele gosta, tudo que completa a alma dele, ou o ser dele precisa de um terceiro, neste caso, uma empresa, pra ser validada? Entendo a critica, mas acho estão se perdendo nisso também ...
0Paulo Silveira Eu já acho que muitas vezes não é preciso saber o "como". É preciso estabelecer e garantir que o "como" não quebre guidelines pre-definidos e que ele atinja o resultado desejado. Você não precisa entender como funciona um motor a combustão para dirigir seu carro do ponto A ou B. Precisa saber como dirigir, colocar gasolina e fazer a manutenção básica do seu carro. O maior problema na minha visão é que o autor do post, e vários desenvolvedores, enxergam o seu trabalho de desenvolvimento com um viés de artesão. Onde a aplicação prática da tarefa de desenvolvimento gera um produto final que ele possa se orgulhar, pelo conhecimento das suas engrenagens e pelo trabalho em si. Só que esse trabalho vai ter que ser se ressignificado. E isso é muito duro. Ainda mais em uma tarefa que exige anos para se aperfeiçoar. Como se orgulhar de uma obra que "não é sua"?
1 curtidaTom Cerginer aqui existe uma perspectiva a considerar: Você especificamente não precisa saber o como, mas alguém teve. Portanto, devemos ter cuidado com esse racional. Se ninguém mais estudar e entender os "comos", a IA caminha para a singularidade. É o paradoxo do open-source: ele só existe enquanto existirem pessoas dispostas a contribuir, portanto as empresas só podem se beneficiar da licença free enquanto existe alguém que acredita na ideia e no artesanato. Se isso desmorona, tudo que está acima vai para o chão também.
2 curtidasPaulo Silveira o problema é sempre o mesmo: ilusão de poder.
0Relato do funcionário que entrou na empresa que pede 30 requisitos pra vaga de júnior, e ainda só contrata quem foi indicado pelo chefe ou amante dele. E na prática ninguém sabe ou é cobrado de ser melhor que medíocre.
0Nesse cenário a cultura da empresa ta falando mais alto que o avanço tecnologico, não existe chefe no mundo que me faça subir um código antes de testar, e meu cliente tem a mesma noção e cuidado que eu na entrega.
0Acho que esse é o novo modelo agora, desde o Júnior ao Sênior, a IA acelerou o trabalho de todos e seria incoerente passar horas revisando um código que pode ser revisado em poucos minutos. Isso de longe substitui a validação humana pois a mesma é muito importante, mas esse é o novo padrão agora. Na real o problema não é usar IA, é mais sobre aceitar um codigo sem ninguém entender o que foi produzido.
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