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O vício no celular

O primeiro ponto que precisamos concordar: estamos viciados. Não é um eufemismo. Esse professor Arthur Brooks faz uma analogia com o alcoolismo na Rússia em uma época distante. Como havia muitos alcoólatras, ninguém se reconhecia como sendo um. Simples assim.

Precisamos de mais tempo sem estímulos. Não podemos ficar apenas com o banho como momento de tédio e introspecção. Dizem por aí que em breve vão captar nossos sonhos para que a gente também de alguma forma “trabalhe” dormindo, assim como já trabalhamos durante nosso lazer (postando nas redes sociais).

O professor dá alguns passos importantes para tentar se reprogramar. Vou citar o básico. Mas não assistir o vídeo, ou pedir o resumo para o Gemini, já é um sinal do seu vício em “produtividade”.

  • não use o celular na primeira hora do dia nem antes de dormir
  • deixe a tela do seu celular preto e branco (pode ser só das 10 da noite às 8 da manhã no começo). Você perderá um pouco de interesse pela tela.
  • coma sem usar o celular.

Há outras táticas citadas, mas me concentrei no que estou tentando fazer.

E retomei o uso do caderninho de anotações, em vez de ficar sacando o celular o tempo todo para usar o Google Tasks.


Faisca comenta:

  • O Arthur Brooks dá em Harvard uma das disciplinas mais disputadas da escola de negócios, sobre liderança e felicidade. Antes da vida acadêmica, foi trompista profissional numa orquestra na Espanha.
  • A parte dos sonhos não é tão ficção: em 2021 a Coors fez um experimento de “incubação de sonhos” para plantar a marca nos sonhos das pessoas antes do Super Bowl. Cerca de 40 pesquisadores do sono assinaram uma carta aberta alertando contra publicidade em sonhos.
  • A tela em preto e branco tem respaldo: um estudo com universitários americanos mostrou queda no tempo de tela só de tirar a cor. Não é à toa que existe gente muito bem paga escolhendo o tom exato de vermelho da bolinha de notificação.
  • Ironia devidamente registrada: esta nota sobre vício em celular foi ditada num celular e publicada por um bot. O caderninho agradece.
#comportamento #tecnologia #friccao