Revisitando o Vale do Silício e o comportamento de manada
Eu vou revisitar o Vale do Silício, fazendo aquele tour por empresas, universidade e afins, depois de 10 anos. De 2016 para 2017, eu fui para lá junto com alguns empreendedores brasileiros, bem naquela época do boom de startups.
E eu fui com bastante preconceito, achando que ia ser um oba-oba onde eu estaria junto com sonhadores que não eram muito mão na massa. Eu fiquei completamente surpreso porque foi o justo contrário: encontrei lideranças e empreendedores com quem eu tenho contato até hoje e que admiro bastante o trabalho. Algumas dessas pessoas construíram empresas gigantescas, outras criaram business que foram reformulados várias vezes.
Mas o fenômeno que eu queria registrar, que não está tão ligado a isso do empreendedorismo e nem tecnologia, é esse mecanismo cultural de quando a gente pisa nos Estados Unidos. Você recebe um pacote da Amazon, a gente acaba absorvendo esse nível alto de consumo, especialmente de eletrônico e de ultraprocessado, que, apesar de ter diminuído o gap, a gente ainda encontra uma variedade muito maior nos Estados Unidos.
E óbvio que isso não é só nos Estados Unidos. Quando você vai para a França, você acaba pegando a fila da padaria e indo para o museu junto com as pessoas de lá. Aí você vai para o Japão, você começa a encarar o mesmo mecanismo cultural e ser absorvido por aquilo que todo mundo está fazendo em conjunto. A gente acaba adotando um pouco um comportamento de manada.
Claro que no Brasil a gente faz muitas compras de eletrônico, faz programas culturais, comemos queijos, e também sushi e lamen, e pegamos metrô. Mas quando a gente vai para um país de cultura diferente, a gente acaba absorvendo e executando aquele mecanismo muitas vezes estereotipado naquele país, naquela região.