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Quatro dias com Paris, Texas

Paris, Texas. Cecília insistiu comigo para eu assistir. E acho que do Wim Wenders tinha me marcado esse recente, o Dias Perfeitos, em que ele filma aquela ode à simplicidade no Japão e ao que é o imponderável, bonito.

Pôster de Paris, Texas com Nastassja Kinski

Gostei bastante. Mas também entendo que algumas pessoas criticaram esse mecanismo próximo a idolatrar uma pobreza. Algo similar eu tentei assistir: aquele alemão, Asas do Desejo. O Byung-Chul Han faz menção a esse filme num documentário no YouTube.

Paris, Texas me marcou bastante. Percebo que já tem 4 dias que fica vindo na minha cabeça. Primeiro, a forma com que as personagens agem, sempre no melhor interesse um do outro. Todos os movimentos, todas as conversas, todas as ações são boas, são construtivas: irmão com irmão, pai com filho, padrasto com filho, a madrasta com o cunhado, o ex-marido com a ex-esposa, a ex-esposa com o filho perdido. Todos esses relacionamentos que tinham sido degradados, o núcleo familiar completamente estourado, aquele sonho americano não realizado.

Desde o início do filme, desde aquele momento em que o protagonista está completamente perdido no deserto, todas as pessoas passam a agir da melhor forma possível, pelo menos na minha visão. É interessante como tudo vai desenrolando, mas ainda assim não é suficiente para, entre aspas, consertar.

E as cores da bandeira americana chamam a atenção. Depois eu fui pesquisar e foi obviamente proposital. Não sei se é por ser um desses diretores bem autorais, mas fiquei com a saturação das imagens que alguns filmes do David Lynch têm.

#filmes #storytelling