Os três elogios depois de uma palestra
Tem muitos anos que eu ouvi uma dessas anedotas de algum palestrante. Ele falava que quando a gente assiste uma apresentação de alguém, ou mesmo que seja uma aula, você pode sair ali com três diferentes tipos de elogios.
Primeiro é você falar: “Nossa, esse palestrante é incrível, esse cara é impressionante mesmo, que inteligência, que linda”. Você sair de lá e falar: “Poxa, esse assunto é incrível, muito interessante, é algo que faz todo sentido”. E a terceira é você olhar e falar: “Poxa, eu sou capaz de entender, de ser desafiado. E eu posso evoluir com essa informação, posso utilizar. Ou fiquei bem instigado”.
Pode ser o foco no ego do palestrante, pode ser o foco no assunto, ou pode ser o foco que traga para a audiência. Tentar se conectar com o público, se colocar nos sapatos deles, poder entender como que isso pode impactar e gerar reflexões para a própria pessoa, vida e trabalho, é a melhor forma de transmitir o conhecimento. Tanto vai ser verdadeiramente mais impactante quanto o efeito gerado, a percepção de que aquela aula foi boa, será maior.
Enfim, é apenas um desses casos anedóticos que, quando a gente resume muito, quando você aprende pela inteligência artificial, não adianta: você precisa viver essa experiência.
Por isso eu não gosto tanto daquelas palestras que começam com a pessoa se apresentando e falando tudo o que ela fez, os títulos, as consagrações e o currículo dela. Porque parece que vai pelo primeiro caminho. Não é uma regra, mas óbvio que é esquisito.
E a segunda opção é quando alguém dificulta muito o assunto, mostra o quão árduo ele é e traz o tempo inteiro palavras difíceis e conceitos complexos que obviamente a audiência não tem conhecimento ou não está preparada para aquilo.
E o terceiro formato é aquele onde você consegue fazer a construção, trazer o esforço produtivo e que a audiência repita o processo cognitivo e o construtivismo mesmo, certo? De você pegar o conhecimento e ir montando os blocos para que a audiência chegue à mesma conclusão.
É óbvio que em um curto período de tempo isso fica mais difícil, mas se ela conseguir montar duas ou três peças e algumas outras ficarem faltando, já é o suficiente para essa percepção ser bastante positiva.