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Instagram, foco e descoberta de conteúdo

No mundo tech, cada pessoa costuma ter o seu próprio vício em um mecanismo de tela, um feed de notícias ou um sistema de rede social que está constantemente te bombardeando com estímulos e pedindo sua atenção. Bem, isso não é novidade nenhuma e as críticas abundam. Um movimento mais recente é a proibição do uso do celular nas escolas, capitaneado por vários países simultaneamente. Existem iniciativas na Austrália e inclusive no Brasil que mostram a preocupação que todos temos em relação a isso.

O meu caso particular era o Instagram, mas também já foi o Twitter, que eu voltei recentemente. Para alguns, eu entendo que seja o LinkedIn. Os algoritmos de feed estão toda hora buscando a forma de deixar a gente mais atento, seja através de gatos fofinhos ou mesmo de violência, raiva, consternação ou um sentimento de que a gente precisa corrigir a opinião daquela outra pessoa. Ou mesmo o fear of missing out das várias viagens que a gente está fazendo.

Eu fico bem impressionado de perceber que, a partir do momento que eu comecei a usar o Instagram apenas via web, onde a UX não é tão viciante e simples quanto no smartphone, especialmente porque o doom scrolling não acontece da mesma forma, depois de uns 20 dias a minha cabeça começou a se ordenar melhor. Fiquei durante um tempo tentando encontrar o motivo.

Eu acredito que o problema não é necessariamente redes sociais ou tela, porque a minha geração cresceu muito na tela, no videogame, na televisão e no computador programando, e não gerava esses problemas de tensão e ansiedade como hoje acontece. Eu acredito que o volume de informação, de conteúdo novo para ser explorado e de estímulos é certamente a pior parte.

Vou dar um exemplo: quando eu comecei a ver que eu estava usando o Instagram para entender mais de meditação, vi que a contradição estava explícita. E eu sei que todo mundo tem a frase “mas também tem coisa boa nesta ou naquela rede social”. É verdade, e é isso que dificulta o nosso processo de diminuir o uso ou de sair. É claro, ninguém vai voltar para como era na década de 90, mas algo precisa acontecer. Eu considero que cada pessoa precisa tentar enxergar qual é a sua vulnerabilidade maior em alguns desses sistemas, programas e redes sociais.

Eu verdadeiramente acredito que num futuro próximo, em apenas uma geração, pode ocorrer aquele fenômeno de nossos filhos e filhas falarem: “ah, meu pai é da época, poxa, ele usava rede social a qualquer hora do dia”. Da mesma forma como atualmente a gente fala: “ah, os nossos pais fumavam três carteiras de cigarro por dia, nossa, que absurdo”. Hoje em dia a nicotina é uma substância que não tem uso mínimo aceito como não nocivo. Eu não diria que as telas estão no mesmo patamar, mas talvez alguns mecanismos algorítmicos estejam, e já há governos, instituições de estudo e think tanks pensando dessa forma.

Eu volto a dizer que acredito que esse mundo agêntico de LLMs, de robôs que cruzam informações e buscam dados em diversos lugares fora dos jardins murados, possa ser uma possibilidade para a gente ter um espaço melhor, com menos estímulos, onde a gente vai visitar um único site com um único objetivo e um único tipo de informação para consumir ali. Eu fico pensando inclusive em criar um site sobre parada de mão, que é o esporte que eu pratico há quase 10 anos. Não quero criar uma página em uma rede social onde ela vai ficar isolada, misturada com um monte de outras informações, onde alguém vai cair ali por acaso, no meio de outras buscas. Eu quero que a gente possa voltar a ter esse controle de intenção e de pensamento mínimo, para que essa atenção não seja desviada a cada 5 segundos, que nem os peixes beta. Não era essa a piada antiga?

Fico pensando que é o mesmo quando a gente trabalha em educação. Nas páginas que a gente tem da faculdade e dos cursos da Alura, a informação está toda consolidada lá. Às vezes a gente fica tentando recortar isso para o modelo do Instagram ou de outra rede social, e nunca funciona tão bem. Além de que a atenção nesses ambientes estará completamente disrupta por mil outros estímulos, muito mais agressivos do que aquele conteúdo que você propõe.

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