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Fricção Cognitiva no Aprendizado

A encíclica do papa é mais afiada do que eu imaginava. Ataca os pontos que gosto muito da discussão ampla sobre a IA.

Nos parágrafos sobre escola, sobre aprendizado, fala sobre o problema de não encararmos fricção:

"140: Em contrapartida, os processos educativos requerem um tempo de maturação, de confronto com a realidade que vai além das aparências, e um caminho de paciência. A questão é fundamental, pois toda a tecnologia educa quem a utiliza. Educar para o uso da IA implica, portanto, educar para decidir quando e em que situações não a utilizar. A rapidez e a facilidade com que se obtém uma resposta ou uma síntese correm o risco de extinguir o desejo de colocar perguntas, o qual dá frutos só a longo prazo. Como escreve Platão, as coisas mais profundas e importantes só se aprendem depois de muito tempo e esforço, no empenho em discutir com os outros para "friccionar", como numa pederneira, os conceitos e as experiências, até saltar em nós a centelha da compreensão. [147] Devemos educar-nos ao jejum da IA e proteger os nossos jovens das promessas da máquina perfeita, daquela subtil sedução que parece tornar o pensamento humano inútil precisamente quando é mais necessário."

Ele está citando esse trecho de Platão (a Carta VII, que vai aproximadamente de 341c a 344d):

"Só a custo, depois de muitos exercícios sobre cada um desses pontos — os nomes, as definições, as imagens e as percepções sensíveis — após havê-los confrontado uns com os outros em discussões amistosas, nas quais perguntas e respostas se sucedem sem inveja, finalmente brilha sobre cada objeto a compreensão e o entendimento, com a tensão máxima de que é capaz a inteligência humana. [...] É preciso que, sob o atrito recíproco de nomes, definições, percepções visuais e sensíveis, depois de longa convivência em discussões benévolas, e por meio de uma dialética sem inveja, a inteligência e o pensamento sobre o objeto irrompam, à força de fadigas, semelhantes a uma luz que jorra da centelha."