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Fóruns, comunidades e o fim do GUJ

Esse mecanismo de atenção dissipada, que acelerou muito com os feeds, a inteligência artificial e as redes sociais, é um enorme desafio para os antigos ambientes de encontros virtuais: os fóruns da web, ou antes mesmo as listas de e-mail de discussão, gerenciadas manualmente em um servidor Linux, ou até os já extintos newsgroups.

Na época do começo dos jogos online, seja StarCraft ou Age of Empires, as pessoas se encontravam em fóruns web, muitos deles rodando em cima do famoso phpBB e outras versões similares. Inclusive é a época em que esses pequenos sisteminhas open source começam a se disseminar bastante, como o PHP-Nuke e até o Zope e o Plone, em Python. Eles se transformaram com o tempo, mas no começo dos anos 2000 tinham muita força. O próprio fórum de Java da Sun Microsystems, o JavaRanch, a MSDN, que tinha sua versão de fórum escrita em ASP.NET e, se me lembro bem, não era open source. Esses espaços cresceram bastante, tudo antes do Stack Overflow, porque tinham um foco não exatamente apenas no técnico. Era um espaço para as pessoas se conhecerem e se reconhecerem. Amizades foram criadas, empregos foram desenvolvidos, diversos profissionais e jogadores fizeram seu nome por lá, inclusive nos fóruns de Magic: The Gathering e de RPGs.

Essas comunidades eram bem temáticas e específicas a quem usava mais computador. Não é à toa que jogos e programação tinham muito espaço. Assim como o Clube do Hardware, lembra? Outro fórum de muito sucesso no Brasil. O Stack Overflow entra com uma fórmula mais direta de resolver problemas, em vez de ficar em grandes conversas. E essa aceleração e popularização da web, especialmente das redes sociais, se torna uma ameaça para esses espaços. As trocas mais pessoais começam a ficar escassas. Curiosamente, as redes sociais, que diziam que iam aumentar esse toque pessoal na web, para que a gente pudesse se reconectar e se conectar melhor às pessoas, entram no lugar e substituem fortemente esse ambiente plural por um jardim murado. E o GUJ sofre bastante com isso.

O GUJ nasceu com toda essa inspiração dos fóruns web do início da década de 2000, ao mesmo tempo pegando o gancho dos grupos de usuários, especificamente de Java, que eram muito fortes nessa década, como o SouJava e o DFJUG. Havia mais de 15, 20 grupos fortes atuando presencialmente e em listas de discussão. Os fóruns web acabam consolidando esses movimentos presenciais de encontro e gerando trocas genuínas. E também avançando o sistema web: é muito a partir desses pequenos sisteminhas, não só fóruns, que frameworks nascem. Blogs, fóruns, sistemas de eventos, de portal, de gerenciamento de e-mails e newsletter. Isso antes mesmo do termo SaaS aparecer com força. Nessa época ele aparecia como ASP, Application Service Provider, mais um desses nomes, assim como Big Data, que acabam sendo renomeados quando a gente entende um pouco melhor o que é aquilo.

O GUJ também deu origem a diversas empresas, escolas e projetos open source, o que me faz ter muito orgulho de ter participado da criação. Ele nasce antes mesmo da Caelum e da Alura, e é onde eu, meu irmão e amigos ganhamos alguma notoriedade. Especialmente eu, que hoje me colocaria como divulgador científico, algo que existe com força no universo do YouTube, Instagram e TikTok, mas era muito diferente na década de 2000.

Dada essa movimentação mais baixa, e o mecanismo de programação ter mudado fortemente, a gente tomou a decisão de congelar o site do GUJ: fazer um pruning dos tópicos que têm algumas visitas, busca e fazem sentido, e dar uma otimizada para que seja rápido. Não há renderização: convertemos tudo para Astro, fazendo um dump do Postgres para um SQLite, em que um build com loader adaptado do Astro gera todo o HTML, todo o sistema de busca e todos os tópicos relacionados em build time, tirando só uma imagem Docker para fazer o deploy. O link está aqui, tem até uma página de sobre que fala um pouquinho dessa história. Nessa história também foi criado o JForum, uma versão de fórum em Java, que na época eu e o Rafael Steil estávamos hipnotizados e queríamos muito aplicar Java em qualquer lugar, independente de já existir uma alternativa ou de fazer sentido.

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