Bom Ancestral
Pensando ainda no bom ancestral e no filósofo australiano do School of Life, às vezes me pego pensando o que as próximas gerações vão criticar na gente. Minhas filhas, netos... Tem alguns pontos que acho bastante óbvios. O primeiro: vai aparecer a frase "meus avós usavam redes sociais desde os 15 anos, sem tempo para descanso, a qualquer horário, em qualquer lugar", assim como aparece "fumava muito cigarro, inclusive quando jovem", ou bebida alcoólica e outras drogas, sem nenhum tipo de defesa ou proteção. Talvez algum desses usos de doomscroll e feeds de algoritmos sejam considerados nocivos em qualquer grau, assim como a nicotina é hoje.
Outros pontos mais genéricos não relacionados à tecnologia: o lixo, sustentabilidade do lixo reciclável. De alguma forma vai se tornar tão comum todo mundo ser responsável pelo próprio lixo, que vai ser uma questão o que a gente faz hoje no tratamento, mesmo dos recicláveis. Outro ponto talvez seja o consumo de carne, especialmente carne vermelha, mas esse eu não tenho conhecimento, é mais pelo barulho que eu ouço. E por último, o mecanismo de herança, que já é questionado, tem toda essa questão de imposto. É óbvio que as soluções não são fáceis nem triviais, mas algo vai acabar mudando e a gente vai ser julgado da maneira que a gente faz hoje.
São evoluções de ética e moral difíceis de prever e que acredito que na maioria absoluta dos casos a gente avança — se é que a gente pode usar esse termo, dado que uma direção nunca é tão clara. O avanço tecnológico, por exemplo, não quer dizer que a gente está melhorando como sociedade vive.