Falácia das Projeções Lineares
Muitas vezes a gente faz essas projeções tecnológicas e até científicas de forma linear. Quando a gente é menor a gente estuda a teoria malthusiana, que tinha aquela discussão de progressão geométrica do crescimento populacional versus a progressão aritmética da produção de comida e alimentos. E acontece que a produção de alimentos cresce, mas dado os novos formatos e mecanismos tecnológicos para cultivo.
E o meu pai conta que quando ele estudou, também era falado que o crescimento de São Paulo e Rio de Janeiro traria o nascimento de uma grande megalópole, porque esses diversos bairros, cidades e cidades próximas vizinhas se aglutinariam de tal forma que toda a estrada estaria permeada por novas cidades. Então acabaria sendo um conglomerado só, uma conurbação única.
Bem, a gente sabe que isso não aconteceu. Inclusive temos o fenômeno do decrescimento populacional em muitos países e mesmo nos grandes centros urbanos já do Brasil.
E hoje a gente faz essas analogias de inteligência artificial pensando na automação do trabalho, no fim do trabalho, renda universal básica e diversas outras apostas, considerando que esse gráfico continua como é ou até mais, o crescimento exponencial ilimitado que a tal da inteligência artificial geral poderia nos proporcionar.
Mas o que costuma acontecer é que todas as nossas projeções estão erradas. Aliás, por definição, ela é uma projeção, é muito esquisito a gente acertar com exatidão, até mesmo de forma assintótica, o que vai acontecer.
E isso não só em tecnologia, onde vem a sociedade, a transformação dela, esses mecanismos de tradição, de cultura, de religião, de papel das pessoas. E a gente sempre vê que não necessariamente tudo vai para a linha do que a gente tem visto de mais moderno dentro dos grandes centros urbanos.
Tem gente que diz, inclusive, que as cidades médias vão tomar a rédea dos próximos passos de grandes países em relação ao recrescimento populacional, em relação à cultura e outros aspectos da nossa vida.
Porque eu também acho que esse decrescimento populacional, seja de Coreia, China, Japão ou mesmo dos países nórdicos, onde as projeções são abismais, pode haver efeitos não mapeados que mudam completamente o curso disso tudo.
E aquela exposição ao risco que a gente sempre tem com essas projeções, a gente precisa abraçar todos eles. Então, quem está nesse mecanismo empresarial, empreendedor ou até mesmo de carreira, deve considerar que outras hipóteses podem acontecer, bem na cinta leve.