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Contos de fadas e o trauma adulto

Lembrei de alguns livros que li para as minhas filhas e me marcaram. Acho que os Irmãos Grimm no original — elas precisam ter alguma idade. As Aventuras de Pedro Malazarte, os capitulados como Píppi Meialonga e o Pequeno Nicolau. Tem um que chama O Livro Sem Figuras, e tem o Grúfalo e esses mais da moda, um pouco americanizados. Acho que essa é uma palavra correta: ocidentalizados, porque imagino que seja europeu, mais modernos, mas que as crianças quando eram menorzinhas gostavam que ficasse se repetindo.

Eu acredito que os capitulados, que têm uma personagem central forte e que se repete, que não depende um do outro, têm aquela fácil compreensão e aquele mecanismo meio Chaves: você está esperando o próximo sem necessariamente ter entendido ou absorvido tudo do outro.

Eu gosto da recontação dos clássicos. Tem uma série que a Tatiana Belinky reescreveu, e que tem inclusive aquele conto do Anão Amarelo — que é o primeiro que a escritora usa o termo "conto de fadas", acredito que seja lá em torno de 1600. Inclusive o meu sobrinho Francisco ficou fascinado.

E é interessante que esses contos de fadas, especialmente os antigos, mesmo adaptados para a nova geração, causam uma aflição em nós adultos. Terapeutas e jornalistas especializados e críticos de literatura já dizem que eles doem mais na gente do que na criança. Isso pega em algum lugar que a gente nem estava preparado, que ficou alguma coisa assustadora.

Bem, eu fico pensando em tentar deixar essa relação longa, mas eu vou passar na bibliotecasinha delas, que não é pequena. Hoje, nessa abundância que temos de informação — e óbvio, quem tem situação privilegiada, mais ainda — tem acesso a muita literatura. Então eu queria escolher alguns para deixar registrado como meu pensamento e como eu acho interessante algumas coisas que a gente traz para elas.