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Conexão Leitor-Autor

Eu li Klara e o Sol, desse autor japonês que cresceu na Inglaterra, Prêmio Nobel da Literatura. Fui com expectativa alta, sempre tive como objetivo ler um livro de cada pessoa do Prêmio Nobel da Literatura. Eu estava muito longe, mas li uma ou duas dezenas. Curiosamente, terminei de ler o livro e três dias depois saiu um trailer do filme, com uma pegada mais cômica e irônica. Até interessante, mas não foi a forma que eu li o livro.

Essa questão toda do que é vida, de como a gente vai se relacionar com essas inteligências, com esses robôs, não é uma temática nova, de maneira alguma. E a forma que é colocada não é surpreendente. Sim, tem alguns trechos marcantes e muito bem elaborados, mas trata as questões grandes de mudança climática e poluição com uma abordagem bastante trivial e conhecida. Coloca de forma leve e indireta, mas é assim que, hoje em dia, é apresentado. Até o Arco, aquele filme francês que concorreu ao Oscar de animação e tem aquela pegada Studio Ghibli, faz essa mesma abordagem.

Enfim, eu acho estranho quando eu leio algum autor aclamado, que tem uma literatura de alguma forma fácil de virar as páginas, e eu não consigo ser tocado. Mas, como disse a Clarice Lispector na última entrevista, tem vezes que a gente se conecta com o autor e não se conecta com o outro.