A involução do racismo nas olimpíadas: de Jesse Owens a Usain Bolt
Usain Bolt foi ovacionado de maneira ímpar em Londres 2012. Um herói não só na Jamaica. Todos querem estar com ele. Patrocinadores abundam.
Curiosamente, parece que o afro americano Jesse Owens teve uma recepção não muito aquém na … Alemanha nazista! Quatro medalhas de ouro em 1936 e um ambiente que em teoria lhe deveria ser hostil.
Quando indagado a respeito do tratamento na Alemanha, as frases de Jesse Owens são aterrorizantes. “After all those stories about Hitler and his snub, I came back to my native country and I couldn’t ride in the front of the bus, I had to go to the back door. I couldn’t live where I wanted. Now what’s the difference?… in Germany I didn’t have to sit at the back of the bus“. E ao ser recebido no famoso Waldorf Astoria, foi obrigado a tomar o elevador de serviço. Cerca de 70 anos após o fim da escravidão nos Estados Unidos.
Ainda não chocado o suficiente? O atleta não conseguiu patrocínio nos Estados Unidos. Na Alemanha, os irmãos Dassler ofereceram os tênis de corrida como patrocínio. Esses irmãos são os fundadores da Adidas e da Puma. Mais: Owens diz que o povo alemão clamava seu nome e insistia por autógrafos e fotos. Afirma que Hitler não o esnobou, e sim o presidente dos Estados Unidos. Para receber os parabéns na casa branca, Roosevelt não convidou os negros que trouxeram o ouro. Convidou apenas os brancos.
Jesse Owens sempre me vem a cabeça. Talvez como um bom exemplo do chavão de que os vencedores são quem contam a história.
Não dá para ter desgosto apenas com a Alemanha nazista. Tanto as potências do eixo quando dos aliados cometeram barbaridades. Os campos de concentração de japoneses nos Estados Unidos são um outro caso inconcebível.
E Usain Bolt? É apenas para comparar a receptividade natural que um campeão negro tem hoje em (quase?) todo o mundo, com o recebido por Owens dentro de sua própria casa. Não sei se podemos utilizar isso como medida do nível da estupidez humana, mas prefiro pensar dessa forma. Então sim, estamos caminhando em uma boa direção. Devagar, mas caminhando. Aposto e desejo que, em 40 anos, nossos netos sentirão ojeriza ao pensar na maneira como as mulheres, os homossexuais e também as minorias foram tratadas.

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