Talvez muito do que sabemos esteja errado

Talvez muito do que a gente sabe hoje sobre computação (e outras coisas) esteja errado.

Quando eu tinha aulas de biologia no colégio, meus professores e professoras cobravam que eu aprendesse sobre como funciona o sistema circulatório, como funcionam as veias, artérias, o sangue… E eu me surpreendia com o fato de que os cientistas descobriram como tudo isso funcionava e sentia muito desejo de conhecer a VERDADE.

Mas, lá pelos meus 20 anos, percebi que o que ensinavam na escola era o que a humanidade e a ciência conheciam até aquele momento.

Ou seja… tudo o que eu estudei era UMA VISÃO de como o corpo humano funciona, mas eu tinha entendido aquilo como uma verdade absoluta. Tenho vergonha de dizer, mas só depois, quase na vida adulta, fui entender que esse tipo de ciência, como todas as outras, é o conhecimento que a gente tem até aquele momento. Tudo o que me ensinaram sobre o sistema circulatório era uma interpretação dos fatos. Estamos em um processo contínuo de descobertas, sem fim…

Isso nos mostra o quanto estamos enganados quando pensamos que sabemos tudo sobre como algo funciona. O conhecimento muda, boas práticas se alteram, tecnologias evoluem de tal forma que a gente pode estar agindo de uma maneira que não é a melhor. Aliás, pode ser bem longe disso. Ela é certa de acordo com as informações que a gente tem naquele momento, mas não com o que vamos descobrir e evoluir.

O livro A Ciência Mais Jovem, do Lewis Thomas, mostra como a medicina até 100/200 anos atrás era algo quase nada científico - tudo era feito na base de testes. Na pandemia mesmo, a gente viu o quanto a ciência ainda tem muito pra avançar… Não li o livro, quem me indicou e falou muito dele foi o Mauricio Aniche.

Um exemplo que me encanta: quando Edwin Hubble notou que a Via Láctea não era a única galáxia do universo. Há apenas 100 anos, achávamos que a quantidade de estrelas era 100 bilhões de vezes menor do que realmente é. Até então, Andromeda era uma nebulosa. Da “noite pro dia” todas as bases desmoronaram e passamos a pensar diferente e estudar em outra direção.

A computação é uma ciência jovem. Hoje desenvolvemos programas com designs, padrões e testes… mas daqui 10 anos talvez se descubra mecanismos assustadoramente melhores para programação, correção de bugs e manutenção de código.

O que fazemos hoje poderá ser feito de maneira muito melhor. Seja por estudo coletivo, por meio acadêmico ou por descobertas individuais mesmo, que vão melhorar a ciência da computação, a engenharia de software… Há muito para ser melhorado.

É assustador pensar no conhecimento e descobertas que vem por aí e como vão impactar tudo o que a gente sabe hoje.

Não é à toa que o mundo acadêmico e a pesquisa me encantam. Que a gente está cada vez mais próximo de cientistas, de projetos de longo prazo, da FIAP e de ir além das ferramentas técnicas que precisamos no dia a dia (sim, estudar o feijão com arroz e dominar as ferramentas continua mais que importante).


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15 comentários relevantes

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Brenon Barros Analista de Qualidade Operacional Sênior | Data Scientist | Data Analytics

É por isso que o salmista disse "graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem", e Paulo disse "ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos". E Sócrates também disse que tudo o que sabia era que nada sabia. Frente ao vasto desconhecido, realmente, sabemos bem pouco.

Adriano Bispo Assistente Técnico SAP ABAP @Deloitte | Desenvolvedor Full Stack

Concordo plenamente. Ainda bem que sou jovem(tenho apenas 18 anos), mas já despertei para isso. As vezes tenho medo desse avanço, medo de ficar para trás e não conseguir acompanha-lo. Por isso aprendi a importância dos estudos, o que antes não gostava de fazer, aprendi a fazer. E isso se deve por conta da tecnologia, que me deixa com brilho nos olhos toda vez que aprendo algo novo.

Cristian Souza Enfoque Intermediário.

Eu sou biólogo e amo assuntos do universo, porem hoje não atuo na area por formação. Porem depois de uns anos que conheci a tecnologia e a programação em si, hoje estou mais focado nessa area. Mesmo assim não deixo os assuntos da biologia para trás, sempre estudando e gosto do area também. So não sei se vou conseguir manter as duas area de estudos, mais vejo que a Ciência's hoje está mais como hobby e não como um futuro ganha pão como a tecnologia.

Klinger Haick Sales Manager at CIGAM | Consultative Sales | MBA in Sales, Merchandising and Marketing

São mais de 100 milhões de planetas, apenas na nossa galáxia! E o ser humano, pretensioso, fala que estamos sozinhos no Universo!

Bárbara Aniceto Historian | Researcher | History teacher | PhD in History (In Progress)

É exatamente isso que me atrai à pesquisa. Ela sempre começa com um "não sei". Toda pesquisa nasce de uma pergunta e da vontade incessante em respondê-la. Cabe a nós lidarmos com os limites de nosso próprio conhecimento, pois são eles que nos impulsionam a continuar.

Celso Furtado Senior Analyst - Back-End Development | Android | Professor FIAP | Conteudista

Muito boa a sua reflexão Paulo Silveira. Eu comecei a usar computadores em 1987, eu tinha apenas 13 anos, foi em um clone da Apple produzido pela Milmar, aqui no Brasil. É absurdamente fantástico e assustador, ao mesmo tempo, ver o quanto o uso e as aplicações da computação evoluíram de lá pra cá, ou seja, o aprendizado e as descobertas são eternos enquanto por aqui estivermos.

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Mateus Assis ML Engineering | AWS | GCP

200% verdade. No final, "muito do que é hoje não é amanhã". 😄 Agora aqui vai uma provocação: será que chegará um ponto em que colocaremos IAs para desenvolverem Ciência por nós? 🤔 Inclusive, para quem quiser entender um pouco sobre o avanço da Astronomia (e da Física, também), fica a recomendação do livro "A Dança do Universo" do Marcelo Gleiser. 🌠🎆🌌

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Lucas Garcia SWE. Sr Developer @Cyncly (NET | Typescript | React).

Evoluímos cada vez mais e em um intervalo de tempo cada vez mais curto. Isso é muito bom para nos manter humilde e sempre em busca de melhorar 📈 ...

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Pedro Souza CEH | 1xCVE | Vulnerability Analyst | Pentester | S.I

Paulo deu uma meditada sinistra hoje! 🤣🤣 Somos poeira desse universo bizarro e ainda nos achamos importantes..a muito deixamos de olhar pra cima para olharmos para a tela limitada de um smartphone, mas o importante é olhar pra dentro, é aonde estão todas as respostas..🧘🤘

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Fabio Batista Reduzo tempo de QA em 70% integrando IA a processos | Mentor de Automação Web/API/Mobile | Selenium, Robot, Cypress, Appium, CI/CD | Azure DevOps & Jira

Perfeito. Não existe verdade absoluta! A verdade é temporária e envolve vários conceitos de tempo, espaço, cultura e muito mais. As ciência explica as coisa através de muitos processos repetitivos, mas isso é uma percepção dos fenômenos. As artes e filosofias explicam e provocam a ciência para abrir a mente para o pensar, o sentir. Juntos todas essas áreas encontram uma verdade sobre algo, mas temporária.

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Julio Delgado, MSc Problem solver

Eh verdade que a visão da computação (e das coisas que podemos fazer com ela) pode mudar com o tempo, mas não concordo com que ela poderia estar "errada", eu acho melhor dizer que está na etapa inicial de um longo caminho.

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Edivaldo Dantas Técnico em elétrica

O meu conhecimento é fazer um transporte por magnetismo absoluto e o transporte mais revolucionário nascerá de um projeto. Ligar os continentes .

Diego Botelho Senior Software Engineer | AWS, GCP | React, NestJS | TypeScript, PHP | Clean Architecture

concordo. http e html por exemplo estão durando muito mais tempo do que deveriam. 😂

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Bartolomeu Fonseca gerente geral na Asgard Gtech Gestão empresarial

E para piorar ,tem gente que acha que Google é ensinamento e ChatGpt é pós graduação. Lamentável. Vc só aprende quando faz as perguntas certas e não procurando as respostas

Alexandre Gomes Hands-on Engineering & Product Manager

Complemento lembrando das pessoas que ignoram o fato de que teorias são tentativas de explicação da realidade, levando-as, muitas vezes, a forçar a barra para encaixar a vida dentro dos limites teóricos conhecidos.