Transições, complexidade e o tempo — Hipsters 497
Sete reflexões sobre transições, curiosidade, parentalidade, cultura, inteligência artificial, complexidade e o tempo que a gente tem.
Transições e mudanças
O ano de 2025 foi realmente bem diferente para mim. Quem me acompanha sabe que passei de desenvolvedor de software para professor, para empreendedor. Nos últimos dez anos trabalhei como CEO, um título que já virou meio cafona, tem muita empresa com CEO e a empresa tem uma pessoa só. Assumi essa persona e dirigi o grupo Alura, que é bem maior do que parece: tem a FIAP, a PM3, agora a Starts. Cresceu muito.
Tem o desafio de gestão, de gerenciar pessoas, não só de liderança, onde eu gosto bastante e acredito que faço um bom trabalho. Tem o desafio corporativo de trabalhar com mais de duas mil pessoas e saber lidar com os anseios de todos os lados e prioridades: alunos e alunas, liderança, chefes, empreendedores, sócios, diretoria, gerência. Cada pessoa, cada senioridade, cada lado da empresa tem mentalidades, objetivos, histórias muito diferentes. É um desafio gigante, que eu gosto bastante.
Já há dois anos eu havia percebido que queria ficar em outra posição, ter um trabalho mais próximo do que eu já fazia há algum tempo. E tem muito a ver com ser professor. Eu me identifico como professor.
Em 2025 saí da posição de liderança do grupo para uma posição de visão (CIVO), ajudando a guiar e trazer pontos de vista para as pessoas ao redor do grupo inteiro. Não só professores e professoras, mas também para entender mercado de trabalho, economia, tecnologia, inteligência artificial, como a formação das pessoas está mudando, como a gente deve estudar, futuro do trabalho. Todas essas questões que têm bastante opinião e vento e ainda não estão tão sólidas para os próximos momentos da tecnologia.
Também aproveitei para passar o bastão do Hipsters.tech para o André Davi, que tem se empenhado bastante, transformado, ouvido minhas críticas e sugestões e as suas também, para trazer a essência do Hipsters mas com a cara dele. Isso me deu espaço para outros podcasts: estou trazendo o Hipsters Talks, que em breve vai ter uma nova temporada, e a última temporada do Like a Boss, onde converso com lideranças, empreendedores, pessoas do meio de venture capital e startup.
Me senti muito mais preparado do que quando comecei a gravar, quase nove anos atrás, a primeira entrevista com um CEO de banco. Eu era lá um garoto que estava empreendendo e a empresa estava crescendo. Hoje tenho uma visão, uma articulação bem maior sobre os desafios de uma empresa, e ainda entendo que sei pouco. Foi muito interessante poder conversar com pessoas agora tendo mais bagagem, sabendo o que aquela pessoa pode estar passando naquela situação. Antes era mais difícil, eu estava conversando com pessoas muito mais sêniores que eu. Hoje ainda são muitos casos assim, mas o gap diminuiu.
Essas mudanças trazem uma grande oportunidade de aprendizado e também são um desafio. Quem passa por isso de mudar de posição ou de função, mesmo dentro de uma empresa, tem um momento em que fica tateando, tentando entender o que faz, como pode ajudar, como pode não atrapalhar. Especialmente para as pessoas que estão chegando como C-level, como diretoria, com mais experiência, mais capazes, para que elas possam ter o espaço devido para exercer o trabalho.
Tem gente que me fala: “Paulo, meu podcast preferido é o seu de fim de ano.” E eu preparo o ano inteiro. Vou colocando ponto por ponto que gostaria de falar, vou populando uma lista. No final do ano olho e falo: poxa, nem lembrava que tinha essa reflexão para trazer.
O primeiro ponto é esse: a importância e a força que uma transição, uma mudança na carreira, pode refletir na vida toda. É difícil até de mensurar. É também um momento reflexivo para encontrar e trabalhar bem e trazer um impacto profundo na vida de pessoas. Não digo em quantidade, digo em qualidade. Se uma pessoa puder me encontrar na rua e falar “poxa, eu ouvi você numa palestra, tive aula com você ali na lousa, você me explicou isso e por isso eu me animei”, isso é realmente um prazer muito grande. Um orgulho do trabalho e da missão como comunicador.
Estudos, generalismo e a curiosidade da criança adulta
Esse ponto sobre generalista versus especialista, sobre se aprofundar ou estudar um pouco mais para o lado, eu bato bastante há alguns anos. Já trouxe o livro Range, do David Epstein. Martin Fowler soltou em 2025 um artigo sobre especialistas versus generalistas de novo, porque a inteligência artificial está trazendo um impacto ainda maior para isso.
A nossa necessidade de resolver problemas curtos, mesmo que sejam tecnicamente avançados, diminuiu porque essas ferramentas conseguem resolver problemas específicos, bem contextualizados. Agora, lidar com amplitude, coisas grandes, fica mais humano. Necessita dessa articulação que o robô, a máquina, não tem e dificilmente terá em curto e médio prazo. Essa envergadura de conversar e tirar conclusões.
Considero que as capacidades interpessoais, que o RH sempre falou para a gente, começam a ter um impacto ainda maior, uma força ainda maior para o trabalho. Mas o conhecimento técnico aprofundado de um problema não se dissipa. Pelo contrário, pode até ser interessante a gente saber mais a fundo. Vou voltar nisso quando chegar na inteligência artificial.
O que eu vejo também é que a gente às vezes fica muito imerso no próprio trabalho, na nossa área de atuação, e vai perdendo a capacidade de contemplar, de mirar as outras áreas do conhecimento. É óbvio, tem pessoas que estão numa situação que precisam focar totalmente no trabalho e na profissão remunerada. Você não tem tempo desse privilégio, que é poder estudar as bromélias ou entender um pouco mais de astronomia, um tema que acabo gostando, não que eu tenha conhecimento profundo de maneira alguma, mas que me fascina e me traz curiosidade.
É aí que eu queria colocar, como exemplo de entendimento e espírito crítico: o tema nerd. Eu sempre bati nessa palavra, inclusive pela nossa relação com o Jovem Nerd e como essa palavra perdeu o tom pejorativo e virou até glamourosa. Talvez hoje em dia tenha voltado um pouco para o pejorativo, mas enfim. O nerd no sentido de uma pessoa que não se contenta em só ser usuária daquela tecnologia, daquela técnica, daquela ciência, mas tem uma curiosidade de entender o que está por trás. Quero saber como o computador funciona, como a internet funciona, como as células funcionam, como o celular funciona, como as estrelas funcionam, como funciona a translação e a rotação do planeta. Essa necessidade de saber mais, essa curiosidade de “não, peraí, deixa eu entender”, acaba trazendo uma habilidade que considero boa não só para a carreira, provavelmente, como para a vida.
Essa forma de ser criança adulta. Vou pegar essa expressão que um colega de trabalho aqui na FIAP me contou. Ele conheceu meu pai, e meu pai brincou muito com o filho dele, que devia ter uns 5, 6 anos. Depois o colega me encontrou e falou: “Paulo, meu filho perguntou: papai, quem era aquela criança adulta que estava brincando comigo?” Meu pai tem 82 anos. Para essa criança, veio meu pai sendo curioso e despojado, assim como uma criança. O filho dele chama assim as pessoas que conseguem se relacionar com a criança de forma a brincar junto, estudar junto, investigar junto. Esse termo investigação aparece muito na educação infantil agora. Saber investigar algo é algo que a gente desenvolve, ou deveria ter desenvolvido na infância, e que a gente tem que continuar mantendo.
Algumas grandezas para a criança adulta contemplar
Eu queria que você, nesse momento, fosse criança adulta comigo e pudesse se deixar fascinar por alguns fatos que considero relevantes. Fui até conferir os números para não falar groselha.
A quantidade de estrelas na nossa galáxia: hoje as estimativas giram em torno de 200 bilhões de estrelas. Você põe um 200, mais três zeros vira 200 mil, mais três zeros vira 200 milhões, mais três zeros, 200 bilhões. É um número considerável de estrelas que podem conter sistemas solares com planetas mais complexos que o nosso.
O interessante é que a quantidade de galáxias é um número parecido. Por muito tempo, antes do Hubble, antes dos astrônomos de um século atrás, a gente achava que era só a nossa galáxia. Até que alguém olhou para Andrômeda, foi investigar, e tirou a conclusão de que aquilo não era uma nébula, era uma outra galáxia. Hoje o número que você pode usar também é 200 bilhões de outras galáxias, tem cientista que estima em trilhão. Imagina: 200 bilhões de estrelas por galáxia, e 200 bilhões de galáxias. É um número com muito zero. Muito impressionante, surpreendente, essa vastidão.
Eu gosto de saber esses números macro, assim como saber que tem 8 bilhões para 9 bilhões de pessoas no planeta. Gosto de estimular minhas filhas com algumas dessas grandezas, ainda está longe para elas, mas eu gosto dessas distâncias.
A distância da Terra para a Lua é de pouco mais de um segundo na velocidade da luz. A luz viaja a 300 mil quilômetros por segundo, e a Lua está a um pouco mais de 300 mil quilômetros. Eu também sei que a luz pode dar quase 8 voltas no planeta Terra no perímetro do Equador, então são uns 40 mil quilômetros de circunferência. Gosto de guardar essas grandezas.
O Veritasium, aquele youtuber famoso de ciência, tem um vídeo em que chega perguntando para pessoas na rua qual a distância da Lua para a Terra. A pessoa pega uma bola de basquete como a Terra e uma bola de tênis como a Lua, e tenta brincar com a mão para mostrar a distância. As pessoas costumam colocar uma do lado da outra, sendo que na verdade a Lua está tipo a um quarteirão de distância, proporcional. Porque são 300 mil quilômetros versus 12 mil de diâmetro da Terra. A Lua está bem longe, mesmo tendo um tamanho relevante próximo ao da Terra.
A distância da Terra para o Sol é de 8 minutos na velocidade da luz. Muito, mas muito mais distante que a Lua.
Fico sempre fascinado com essas grandezas. Tem aquela passagem do Carl Sagan sobre o Pálido Ponto Azul: a Voyager tirou uma foto para trás e a Terra virou um pixel, que na verdade talvez seja um erro ali de cor. A gente já mandou uma máquina numa distância tão longe que, se ela tirar uma foto para cá, a gente é um pontinho, uma poeirinha. E as distâncias são muito maiores do que isso; a gente ainda estava dentro do sistema solar. A Voyager meio que saiu, tem esse limite aí, uma parte que se considera que depois ela saiu para fora.
É interessante: essas diferenças, essas grandezas, a gente precisa ter esse espírito crítico. Inclusive, muita Big Tech entrevistava as pessoas perguntando coisas como “quantas bolinhas de tênis cabem num caminhão” ou “quantos pneus são trocados por ano no Brasil”. Você precisa ter uma noção de população, de carro, de uso, de tamanhos. Essas perguntas podem ser um critério meio bobo para entrevista de emprego, mas querem saber o seu raciocínio. Saber uma ou outra grandeza e depois multiplicar traz um espírito curioso.
Encontrar e ficar impressionado com como o computador funciona, a sua linguagem de programação, a inteligência artificial, a LLM. Ir lá ler o artigo do Stephen Wolfram explicando a LLM e entender o que está por trás, mesmo que você não vá escrever uma mini LLM. A gente precisa dominar o que está usando, para não ser dominado por aquilo. Dominar a ciência do que a gente usa, especialmente no nosso trabalho, mas também naquilo que nos fascina, tem uma importância muito grande.
Parentalidade
Parentalidade é uma questão eterna, porém super atual nesses debates de rede social, para o bem, para o mal, para gerar rage bait e deixar as pessoas apavoradas com o que estão fazendo errado ou certo. Se você vai ouvir os influencers, mesmo os psicólogos, psicanalistas, educadores, pedagogos, cientistas da educação, tem uma contradição um com o outro. Deixa tomar banho a hora que quiser, não deixa. Deixa comer assim, não deixa. Isso vai dar certo, não vai.
Acho que estar atento, ouvir a sua criança e participar com ela de alguns pontos importantes, de algumas brincadeiras, de alguns estudos, não de todos, é fundamental. De todos ficou insustentável. Acho que a gente criou uma pressão, especialmente sobre as mães, uma pressão muito grande dessa participação eterna e constante em todo momento. Saber escutar e criar essa parceria com a criança me parece uma fórmula muito interessante.
O que eu chamaria de uma amizade, uma amizade sincera. Como a que eu tenho com os meus pais. Meus pais têm mais de 80 anos e, literalmente ontem, foram me buscar no aeroporto de Guarulhos porque eu viajei por cinco dias e eles estavam com saudades. Quem não conhece São Paulo: sair do centro de São Paulo para buscar alguém no aeroporto de Guarulhos é uma declaração não só de amor filial, é mais do que isso.
A gente criar esses mecanismos de relação, entendendo que existem vários privilégios que possibilitam esse tipo de estrutura familiar, mas há alguns pontos que a gente sempre pode buscar e aprimorar, inclusive com os nossos pais, com as pessoas que temos relação de cuidado.
Tem essa crítica que aparece: a geração dos pais que deixam tudo para a criança, e aí o pêndulo vai para o outro lado, “tem que ser que nem a nossa geração antiga, todo mundo rígido, não é não e ponto, rotina estrita, cobrança, você não é amigo”. Justamente por isso usei a palavra amizade quase entre aspas, porque não sei explicar muito bem. O que quero dizer é que deve haver algum nível de negociação com as crianças e conversa aberta, até porque elas vão precisar disso no futuro.
Uma coisa é nunca frustrá-la. Mas também a gente não vai só frustrar a criança. O meio termo, saber lidar, é difícil. Com crianças diferentes fica mais complexo ainda: você acaba cedendo mais para um, para o outro, dependendo da abordagem da criança. Algumas crianças sabem negociar melhor, insistem mais, e te quebra. Mas flexibilizar, negociar, perguntar “olha, realmente é importante isso para você?” para abrir a exceção ou não, conversar com a criança, me parece uma boa solução. Sem embasamento científico nenhum, mas com experiência.
Ter essa ligação aberta com a criança, dizer o não, mas também saber ouvir a criança retrucar, e entender se aquele “não” é realmente “não”, ou se esse é o caso em que você deve parar, ficar bem atento, ouvir melhor e considerar se aquela é uma regra rígida e imutável ou se ali precisa pensar de outra forma. Nem sempre abrir exceções vai gerar os problemas que o pessoal aponta, e pais extremamente rígidos causaram outras situações complicadas. A gente está aprendendo o tempo todo e entendendo melhor essa parentalidade.
Eu precisava ler mais sobre isso, fico um pouco com os recortes da internet, terrível, dessa aceleração. Mas hoje consigo observar mais a escola, colegas, primos, primas, pais que admiro bastante, especialmente pela solidez de abertura com as crianças, essa cooperação, essa parceria.
Às vezes eu tento colocar nas minhas filhas algumas das minhas preferências, seja astronomia, podcast, calistenia, café (ainda não posso), chocolate. Quando eu tento ensinar de modo professoral, é mais raro elas demonstrarem interesse e conexão. Mas às vezes pego elas fazendo as coisas que eu gosto ou que eu repito: o microfone do podcast, as curiosidades que coloquei, a literatura, inventar histórias, o computador, escrever um e-mail, escrever uma apresentação, fazer um discurso no Natal, no aniversário. Algo que pareça um discurso, que é algo que eu gosto, falar três minutos e colocar para fora algo que acho bonito.
Essa é minha visão de como tenho me construído como pai. Já vejo que deveria ter me preparado melhor no comecinho. Hoje estou mais bem preparado, mas deveria ter me preparado antes.
Cultura de empresa, cultura de país
O RH, o departamento de pessoas, sempre falou para a gente: a cultura da empresa, o CHRO, a diretoria de pessoas, a gente precisa cuidar da cultura. Eu confesso que até quando a empresa tinha 100 pessoas, ou talvez até um pouco mais, isso me parecia um pouco vago. Hoje entendo por quê.
Nesse grupo menor, onde você tem uma ligação quase que total com todas as pessoas, você conhece ou deveria conhecer a história de cada uma, seus objetivos, anseios, um pouco da sua vida, de onde vem, o que estudou, o que pretende, seus problemas. Essa conexão forte interpessoal facilita com que todo mundo possa entender como a liderança, fundadores e chefes pensam que aquela organização, aquele organismo de pessoas, deve trabalhar.
Mas isso não acontece tão fácil quando os grupos são maiores. Pelo contrário, fica muito disperso. Não adianta só escrever no papel qual é a cultura, os valores e a missão. Você precisa escrever, refletir, reafirmar, comunicar e recomunicar. O grupo precisa saber o tempo inteiro como a gente trabalha, como gostaríamos de trabalhar.
Vi até um CEO de uma empresa grande falando que toda nova contratação é um passo para trás na cultura, porque é uma cultura diferente de trabalho que entra dentro da empresa. Não é que isso seja ruim, mas você tem que ter essa consciência. A cultura vai sendo puxada para outros lados, e você precisa o tempo todo estar fazendo esse trabalho de cultura, da organização, dos valores, entender onde estão perdendo força, onde estão ganhando força.
Assim como no Brasil a gente tem diversas culturas regionais muito diferentes, de comida, de música, de sotaque, de forma de viver, de estrutura familiar, existe algo na cultura brasileira que une todo mundo. A gente se comunica, se conecta de maneira muito fácil, independente de onde você é. A gente se reconhece. Existe algo ali, basal, que funciona bem. A gente precisa encontrar isso na empresa e saber comunicar.
Aprendi, e são aquelas coisas óbvias que todo mundo fala e você só aprende vendo e experimentando, que as culturas das empresas são extremamente diferentes. Não vou dizer só cultura: o modo de trabalhar. O que um diretor faz, o que o CEO é responsável, o que o financeiro é responsável, o que vendas e marketing faz, o que o analista de sistemas faz, o que a programadora faz, o que o front-end faz na sua empresa é diferente do que faz aqui, é diferente do que faz no Google, é diferente do que faz na startup de 50 pessoas. É diferente como faz.
Esse crachá que a gente carrega, e eu reafirmo isso em muita palestra: “eu sou professor”, “eu sou analista de sistemas”, “eu sou engenheiro de dados”, “sou programadora de LLMs”. Esses títulos estão rodando muito rápido. A gente troca de função dentro da mesma empresa várias vezes, algo que era inconcebível uma geração para trás. Você tinha uma profissão e ficar mudando de departamento era esquisito.
A gente precisa estar falando sobre a nossa cultura, nossos valores, como a gente trabalha. Como a gente tira dúvida, quando eu peço ajuda, quando tento resolver sozinho, quando jogo o problema para cima, quando pergunto para o lado, quando uso reunião no Teams ou Zoom, quando marco encontro presencial, quando mando no Slack, quando mando e-mail, quando não faço nada disso e ligo no telefone porque é urgência, se meus e-mails devem ser formais ou não, se uso WhatsApp para isso.
Esses mecanismos culturais, quando não são cuidados, viram o shadow IT, o shadow da cultura: as pessoas usando outras ferramentas, outros processos. Aparecem subculturas dentro de times diferentes que acabam gerando aquele famoso ódio entre departamentos. Eu considero exagerado, e a gente deveria entender melhor a outra pessoa. A empatia, a alteridade, se colocar no lugar da outra pessoa e entender que a maioria absoluta das pessoas não está fazendo o trabalho mal feito porque quer, não quer destruir tudo, não quer tocar fogo no parquinho, não vai ser o Coringa do Batman.
Eu pelo menos gosto de trabalhar muito com mecanismos de confiança plena. É claro que é arriscado. Mas a partir do momento que você criou uma relação, estabeleceu a conexão do trabalho, ali você fala: eu confio em você, você confia em mim. Se tiver algum problema grande, me seja direto, evite ficar escondendo ou demorando com informação. Seja um pouco mais direto. Você não precisa ser seco e ríspido e bruto, mas coloque qual é o problema, qual é a solução, para que a gente possa ter uma comunicação. Quando dá, dá. Quando não dá, você fala que não dá, e eu vou acreditar que não dá.
Esse é um mecanismo cultural que acho interessante e que é difícil de colocar em prática. De cultura, ainda acho que tem muita coisa que parece algo do fordismo, em vez de entender o time. Como você está indo, qual é o seu papel na empresa. Dentro de uma grande corporação, começa a ficar difícil esses mecanismos mais holísticos de visão 360, avaliação qualitativa. Entendo que existe uma necessidade de pessoas, de time, de gerência, de medir algo, caso contrário fica tudo muito solto e baseado no achismo. Mas acho que não deveria ser achismo: deveria ser um qualitativo um pouco mais formal, processual. Não sei, não tenho todas as respostas, e às vezes me pego falando opiniões. Mas esse texto é para isso.
Inteligência artificial
Vai mudar o mundo, vai mudar especialmente devs, tudo vai acabar, tudo vai mudar, já mudou, não mudou, já está fazendo cinco vezes mais rápido, dez vezes mais rápido, não está?
A visão que eu tenho pego muito é do IA sob Controle, podcast que o Fabrício Carraro, meu colega de trabalho há uma década e amigo pessoal, grava junto com o Marcos Mendes e outras pessoas. O Guilherme Silveira participa com uns minutos de sabedoria, sempre lá falando. Ele fez um post recente, comecinho de janeiro de 2026, falando sobre o que está sentindo.
Teve aquele post famoso que bombou, do Google, falando que uma engenheira conseguiu fazer em uma semana o projeto que estava há um ano fazendo. Todo mundo caiu matando: “mas é um projeto importante ou é uma coisinha pequenininha?” Fica aquele vai e volta. Mas existe aí um sentimento de que nos últimos seis meses melhorou muito. O Cursor com o Claude, o Claude Code, pouco importa a ferramenta, mas elas deram uma melhorada na contextualização para problemas um pouquinho mais abertos, e as pessoas estão ganhando mais produtividade. Finalmente.
Porque é um pouco estranho: tem essa dicotomia. Todo mundo fala que programar ficou quatro vezes, dez vezes, cem vezes mais rápido, mas nenhuma empresa está soltando produtos, apps e ferramentas dez vezes mais rápido do que antes. Então, de duas uma: ou estão mentindo no sentido de pegar exemplos caricatos e específicos, ou o código e até mesmo o deploy não é o gargalo de um produto digital de software.
A visão do Fabrício no post também é que, considerando que haja essa mudança significativa na produção de código, o mecanismo de análise de requisito, de produtos digitais, de entender e fazer pesquisa, entender o que o mercado e o cliente querem, saber conectar os pontos, negociar com stakeholders, com as pessoas de decisão, se tornam qualidades ainda mais essenciais. A sua habilidade interpessoal, de comunicação, de troca, de saber se colocar, saber entrar numa conversa com algum cuidado mas também não deixar passar, fica ainda mais importante.
Acredito que esse é o espaço para as ferramentas de build. A gente está com um projeto da PM3, que se chama Stack, criando uma comunidade de builders, pessoas que constroem produtos digitais com a ajuda de ferramentas, seja de código mesmo ou dessas que prometem mágica mas entregam metade disso. Para que a gente possa dominar essas ferramentas.
Já existem pessoas de gestão de produto que estão conseguindo shipar. Tudo bem, é uma POC, é um MVP, mas realmente funcional. Clicar, ver o que roda, que dá para colocar na rua para testar, e depois ver se vale a pena investir mais e angariar fundos para o time inteiro fazer algo melhor. Isso realmente está acontecendo.
Acho um pouco exagero essa história de “vai ter uma empresa de um bilhão que vai ser de uma pessoa só”. Pode acontecer uma, mas que isso vai mudar tudo para isso, acho um pouco infantil. Mas o fluxo para a descoberta e essas ferramentas vão ajudar a gente a poder concentrar em outras coisas que vão além da linha de código. Nós, como devs, vamos desenvolver o produto mesmo, não só o software e a linha de código.
O Sérgio Lopes fala sobre a volta do analista de requisitos. A pessoa produtora vai estar envolvida com análise de requisitos, com uma pessoa de produto, uma pessoa de negócios. E quem dominar a linha de código, mesma coisa que estou falando: se você domina o computador, você trabalha com o computador, você precisa dominar o computador. Se você trabalha com IA que cospe código, você precisa ter domínio de código.
Lembro muito bem do Fábio Kung, que trabalhou aqui com a gente anos atrás, quando falou aquela frase:
Uma pessoa tem que dominar um ou dois níveis de profundidade a mais do que o que ela trabalha.
Se você é front-ender e trabalha com o framework React, Angular, XPTO, você precisa dominar não só o React: você precisa dominar o JavaScript, o navegador, o HTTP, talvez a V8. É óbvio que isso demanda tempo, mas se é a sua profissão, vai precisar.
De novo aparece esse tema de profundidade versus generalismo. É uma questão que você precisa encarar, entender onde vai investir, seus estudos. Por isso, novamente, eu aposto no ambiente universitário: um ambiente em que você tem conhecimento profundo, vai se aprofundar em base, em coisas que as pessoas colocam de forma negativa como “acadêmico” ou “teórico”, mas também vai explorar um mundo, ter acesso a pessoas, grupos, times, professores e professoras de outras disciplinas e outros cursos de graduação.
Graduação, mestrado, MBA, esses estudos de longo prazo, aprofundados, onde você tem um objetivo, um trabalho a ser concluído. Na FIAP a gente não tem mais TCC naquele formato clássico, é montar startup, montar projeto, iniciação científica. Mas que você tenha um objetivo de construção de algo. Acredito fortemente que a educação vai te demandar ainda mais profundidade e tempo de estudo, não menos. O “deixa eu aprender rapidinho essa tecnologia” não serve mais, porque a ferramentinha consegue aplicar o frameworkzinho no probleminha pequeno. Agora o problemão contextualizado, que vai interagir com muitas coisas ao mesmo tempo, ligar e cross-linkar as coisas, isso vai depender de um humano muito inteligente, sábio e com experiência.
Tem esse gap: como a gente vai conseguir pessoas com essa experiência, esse repertório, sendo que elas estão saindo da faculdade, de um curso técnico, de um curso online curto? Como vai ter esse repertório? É um desafio mesmo. Acredito que ter esse entendimento extra, essa curiosidade da criança adulta, vai te ajudar. Entender uma língua nova, um povo novo, outra cultura, outra ciência, outra linguagem de programação, outra profissão que está aí do seu lado no trabalho. Ter esse entendimento, curiosidade, conversar, vai trazer essa amplitude para o futuro do mercado de trabalho. Essa é a minha visão, que obviamente pode estar completamente errada. Você é que tem que ter esse critério, lendo, conversando e tomando a sua conclusão.
Atendimento humano e autenticidade
Também acho que o atendimento humano vai ganhar mais valor. Teve até um artigo sobre a Starbucks anunciando um novo processo de como os baristas devem atender: olhar no olho da pessoa, mas não muito tempo para não intimidar; escrever o nome no copo; falar bom dia, mas não pode fazer tal coisa; se a pessoa já veio três vezes antes, decorar o nome. Tentando robotizar um atendimento individual.
Não é à toa que a gente acaba criando mais ligação e vínculo com aquele pequeno restaurante, pequeno barista, pequena cafeteria, onde isso acontece de uma forma mais espontânea. Vai ter características únicas do café, da pessoa que te atende, de como ela faz. Não como um robô de inteligência artificial que faz sempre igual mas tenta dar aquela característica pessoal. É aquele e-mail que foi o ChatGPT que fez, cheio de emoji, e que você sabe que foi. Ou aquela imagem do Nano Banana, que obviamente é incrível, tem seu valor e seu uso, mas não é a forma que eu quero usar essas ferramentas assistentes.
A forma que eu uso hoje: eu não escrevo um e-mail com IA, não escrevo um roteiro de podcast com IA. Eu escrevo meu roteiro, meu e-mail, minha ideia, e pergunto “o que você achou aqui?” Não peço “reescreva usando as melhores práticas”. Peço “o que você achou, quais são os pontos aqui?” E eu mexo. É um assistente, como o Google. Eu não vou copiar e colar da Wikipédia. Tento usar realmente como assistência e não como “ó, faz aí”.
Para uma pessoa que quer se colocar como comunicação, ter a minha visão, ser professor, ter o meu mecanismo de conexão com alunos e alunas, eu não posso terceirizar isso. Essa parte de autenticidade, de conexão, é realmente muito forte, e as máquinas estão completamente distantes. A não ser que você esteja com a guarda baixa e se deixe levar pelo antropomorfismo: dar nome à sua IA, ter namorado ou namorada virtual de IA, ser conquistado pelo alto-falante. Como no filme Her, que já é filme do passado. Tome cuidado, porque a gente já é bombardeado por feeds de inteligência artificial que selecionam o que a gente deve ouvir, assistir e comprar. Agora, conversam com a gente.
Busque não se esquecer: a vida acontece lá fora. Tente sair e se conectar com pessoas diferentes, no sentido amplo da diversidade, para entender outras cabeças, outros mecanismos, e ter uma estrutura melhor para trabalhar, para saber viver, saber conviver. Certamente são habilidades que o RH sempre esteve lá falando, e acho que hoje, mais do que nunca, fazem bastante sentido.
Complexidade, tempo e o relógio do longo agora
Acabei tendo a oportunidade de estar num workshop de quatro horas com o filósofo Roman Krznaric. Ele é um dos fundadores de uma escola de filosofia junto com Alain de Botton, a School of Life. Um desses modernos, meio filosofia, meio lifestyle, bem legal, eu gosto.
Ele falou sobre o livro que escreveu, O Bom Ancestral, sobre a gente agir mais a longo prazo. Porque hoje a gente tem esse curto-prazismo do quarter, do trimestre: a gente precisa atingir as metas do trimestre para a empresa funcionar como quase que uma máquina, mas a gente é meio que organismo, uma organização.
A história do tempo medido
A gente tenta forçar a barra para esse relógio, e ele me trouxe uma história que fui conferir as datas, porque realmente é impressionante. Esse mecanismo do tempo, a aceleração social do tempo, um conceito do filósofo Hartmut Rosa: esse ritmo de vida acelerado, tudo chega muito rápido, as coisas acontecem rapidamente, de uma forma quase violenta. A gente tem tanto recurso, tanto acesso, e a sensação de que temos cada vez menos tempo. As coisas parecem acontecer numa velocidade maior, sendo que o tempo roda no mesmo ritmo para todo mundo. Bem, a não ser que você esteja numa nave espacial.
Na palestra, ele contava a história do relógio. Os sinos começaram lá na Idade Média, antes do século XIII. Tocavam em alguns horários para dar o tempo de trabalho: a hora de sair para colher e plantar, a hora de voltar para jantar. Esse era o relógio, além do sol.
Depois começam a aparecer sinos instalados nas torres, não só de igrejas, para marcar diversas outras coisas. Por muito tempo, eram só as horas. E aí aparecem os minutos, no século XVI, XVII. Olha só, é muito recente.
Só no século XVII, Christiaan Huygens, aquele astrônomo que dá nome a uma das sondas de Saturno, coloca o pêndulo no relógio e consegue precisão de segundos. É meio que invenção dos astrônomos, pelo que entendo.
No século XVIII, o minuto entra na casa das pessoas. No XIX, os segundos entram nas casas das pessoas. Você saber quantos segundos se passaram tem 150 anos, para assim dizer, de proliferação. Isso é algo muito recente. As pessoas passaram de “à tarde” para “às três horas”, para “às três e meia”, para ter segundos. Aparece o relógio de bolso e de pulso, dizem que o Santos Dumont inclusive contribuiu para isso. Em alguns relógios, o segundo aparecia num cantinho, girava. Eu tenho um de um avô guardado, que é assim.
Do XIX para o XX, na revolução industrial forte, o pessoal começa a precisar sincronizar tudo: a indústria, os trens, as chegadas, as partidas, para não bater. Até as guerras começam a ter essa necessidade de segundos. Depois aparece o relógio atômico.
E hoje o que a gente tem, nessa aceleração, é o Apple Watch no braço, o Fitbit, o Samsung Galaxy, que mede milissegundos, mede o batimento do seu coração, se você dormiu bem, qual é o seu VO2 máximo, te mede de cima a baixo. “O dado é o novo petróleo”, a gente é dominada pelos dados. A gente gera os dados e os dados nos controlam.
O Clock of the Long Now
O Krznaric propõe a gente tentar ter uma visão de mais longo alcance. Ele lembra que os pedreiros das grandes catedrais francesas começavam a trabalhar sabendo que os netos iriam à missa ali. Ele não ia ver a igreja pronta.
Ele está até envolvido com um projeto chamado Clock of the Long Now. É um projeto de um relógio mecânico gigantesco que querem construir para funcionar por 10 mil anos. Marca o tempo de forma diferente: o cuco só sai uma vez a cada mil anos. Tem um ponteiro de séculos. Está sendo construído de forma totalmente mecânica, dentro de uma montanha, em algum lugar dos Estados Unidos. É movido por diferença de temperatura do sol, sincronizado quando o sol passa em cima. Tem 10 mil degraus para você chegar, e cada ano toca um som diferente.
Estão criando um projeto para durar 10 mil anos. É uma provocação, é assim que eu vejo: uma provocação para os projetos que a gente cria de uma semana usando inteligência artificial para ver se sai alguma coisa e dá resultado. Um conceito para dialogar com essa modernidade e tentar fazer a gente refletir. Esse relógio estará aí daqui a 10 mil anos.
Posso estar enganado, mas sabe quando esse projeto fica pronto? Eles não sabem. Não têm data. É um projeto sem deadline. Vamos fazer e quando ficar pronto, fica. É um projeto gigantesco, que precisa de muito dinheiro, muita engenharia e muita ciência. É para mudar essa percepção.
O hologramático de Edgar Morin
Algo que me pegou, trazendo esse filósofo, foi quando assisti a alguns episódios do Baká Gaidin, um dos poucos canais do YouTube que às vezes zapeio. Ele faz essas filosofadas de bar que eu gosto, é algo parecido com o que estou fazendo aqui.
Ele fala de sistemas complexos e do filósofo Edgar Morin, que tem um princípio hologramático: a parte está no todo e o todo está na parte. Ele dá como exemplo o DNA e o ser humano. Toda célula contém o DNA que tem a informação do corpo inteiro, e o corpo inteiro tem todas as células. A parte está no todo, o todo está na parte.
Igual o indivíduo e a sociedade. Nós aqui, na sociedade brasileira, na nossa cultura: você faz parte dessa família, essa família não existe sem você. Você está na família, a família está em você. Você carrega os traços da sua família, os comportamentos, as ansiedades, as questões, os princípios. E a sua família carrega você. Essa conexão corpo-célula, sociedade-indivíduo, de um não conseguir existir sem o outro, um dentro do outro e o outro dentro do um.
Não é à toa a importância da cultura de uma empresa. O indivíduo que vem trabalhar na nossa organização vai trazer a cultura dele para dentro, e a gente vai trazer a cultura da empresa para ele. A gente precisa saber calibrar, medir, remedir, repensar, o tempo todo. Essa cultura viva de uma organização, de um país, de um grupo, precisa ser pensada, repensada, trabalhada.
Hoje entendo mais aspectos culturais até do Brasil. Arte, artista, grafite de São Paulo, as rendeiras no interior de Alagoas. Tenho uma leitura mais ampla e uma apreciação muito maior do que tive até poucos anos atrás. Ter um entendimento daquilo, perpetuar, modo de viver, valores, e saber que isso está dentro da pessoa e a pessoa está dentro da arte.
Assim como a liderança de uma empresa ou de um país: os atos, como ela se comporta e o que ela fala, refletem muito para as pessoas. Numa escola, numa universidade, no grupo Alura, no podcast. Tenho certeza de que vai ter gente da Starts, da Alura, da FIAP, da Casa do Código, da PM3 que vai absorver algo deste texto, e isso vai impactar quem está lendo. E essas pessoas também me impactam. Citei aqui um colega que falou da criança adulta, e isso me impacta. Essas coisas estão completamente conectadas, um não existe sem o outro. Não é causa e efeito linear, está interligado. Esse holograma, hologramático. O todo está dentro da parte, a parte está dentro do todo.
De novo, estou debatendo aprendizagens de que estou no começo. São assuntos que definitivamente não domino, mas que acabaram me interessando este ano, me chamando atenção, falando: opa, aqui tem algo para ser investigado.
Resoluções e os 40 dias
Como última reflexão, queria falar de resoluções. De alguma forma, faço com frequência. Todo ano trago alguns pontos, tento fazer menos quantitativo (“ler X livros”, “fazer tantos quilômetros de corrida”), mas faço também. Tento colocar vários objetivos, às vezes compartilho com um amigo ou outro. Evito compartilhar com muitas pessoas. Às vezes funciona melhor, às vezes não. Nos últimos anos, tenho falhado bastante com as resoluções. Teve uma época que ia bem.
Tenho uma sugestão. Não gosto de dar sugestão na vida dos outros para tema assim, meio pessoal. Mas tem aquela época em que algumas religiões comemoram de várias formas o tempo entre o Carnaval e a Páscoa, os 40 dias. Eu tentei fazer isso no passado, não consegui. Este ano quero fazer. Ainda não defini do quê, mas quero pegar esse tempo entre o Carnaval e a Páscoa, 40 dias de algo: ler todos os dias, fazer exercícios todos os dias, não comer carne vermelha, ter um tempo para a família todos os dias, nadar todos os dias, não comer doce, não fazer compra online e fazer só compra presencial para ir lá conversar e sair.
Tem jovens que estão com dificuldade de conversar no caixa e encarar uma fila. Isso é uma realidade. A partir do momento que você nunca faz, é difícil mesmo. Você se provocar, tentar fazer alguma coisa, talvez esses 40 dias possam fazer sentido para você. Espero que faça para mim também.
Gosto bastante dessa época do Natal e Ano Novo, gosto bastante de São Paulo nessa época, que dá para aproveitar bem a cidade, ver pessoas, entender as pessoas e os lugares. Espero que você tenha aproveitado e possa encarar sua carreira, sua vida, seu aprendizado de uma forma interessante para esse ano. Que você consiga aprender, que possa ter essa curiosidade da criança adulta. Não deixa ela ficar aí num canto. Tente dar prioridade para ela, em algum momento, porque isso vai, acredito, refletir na sua vida.
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