Rituais, desempenho e crianças — Hipsters 444
Todo ano, na virada, eu gravo um episódio diferente. Não é sobre uma linguagem, um framework ou uma tendência do mercado. É sobre como a gente vive, trabalha, aprende e se relaciona com tudo isso. Esse é o quinto.
Café
Há muitos anos, quando ainda não fazia um ano de Hipsters, gravei o episódio número 33, que caiu num carnaval e batizei de Cafézinho Hipster. Foi a primeira tentativa de fazer algo diferente, que não fosse sobre programação, tecnologia ou gestão técnica. É um dos pouquíssimos até hoje.
Naquele episódio chamei alguns amigos e conversei sobre uma tendência que já existia há algum tempo: todo mundo passando a tomar café de um jeito diferente. Não mais aquele cafezinho de pacote padrão que você fazia em casa, tomava no trabalho ou comprava em qualquer cafeteria. Mas o café especial, que você mói, compra o grão, usa um método de preparo.
Foi lá que tive meu primeiro contato mais próximo com os cafés e os métodos filtrados. Para quem conhece, existem milhares, mas o que se tornou muito popular, e eu diria até popular especialmente entre pessoas de tecnologia, é o tal do V60, inventado pelos japoneses da Hario. Mas tem um monte: Aeropress, prensa francesa, Chemex, Kalita. Eu tenho todos eles. Porém o que me habituei mesmo foi o V60, que você vê em muitos lugares. Ele é tão popular em São Paulo que a própria Hario abriu uma das primeiras cafeterias deles aqui, em 2024.
O que eu acho interessante e trago como aprendizado é a ideia de entender com alguma profundidade aquilo que você gosta ou faz muito. Para mim foi realmente um diferencial ter despertado a curiosidade sobre o café. Naquele momento comecei a tomar café de outra maneira, a fazer o meu próprio café.
Isso se tornou um hábito que já deve ter uns oito anos. De manhã, no momento de acordar, eu já não pulo direto, ou pelo menos não sempre, para as notícias, para o Slack, para o trabalho, para todo esse mundo enorme de WhatsApp, Slack, Teams, e-mail, que mistura o pessoal com o corporativo. Uma tendência que tem se acentuado e ficado cada vez mais complexa.
O café é um mecanismo que eu encontrei, e muita gente encontrou, de separar alguns minutinhos. Às vezes não separo, às vezes está meio misturado com o resto, mas eu tento escolher o grão, moer, cheirar o grão, molhar o filtro de papel, aquecer a água a 96 graus. Esses detalhes meio bobos, meio coisa de nerd de computação, gente que está exagerando nos detalhes. Talvez seja um exagero mesmo. Mas cria uma relação diferente, sua com a manhã, com o momento, com o café. Entender a origem, entender que a moagem vai produzir um resultado diferente, que o grão diferente vai dar outro resultado. Fazer 16 gramas para 240 ml, que é a proporção que eu gosto, e que tem gente que prefere outras.
Ter um relacionamento com aquilo que você consome, manter um ritual, um momento separado, é incrível. Porque hoje a gente almoça com o YouTube, com a reunião e com o pedido online, tudo misturado com o trabalho. A gente não consegue separar mais nada. Poder separar um pequeno momento para algo pequeno, dar valor para aquilo específico, entender com alguma profundidade o que a gente está fazendo, é certamente essencial. Não para a nossa profissão, mas para a nossa vida.
Aquilo de você dominar um pouco a sua stack, ou dominar o café que você está fazendo, entender ele desde o grão. Tem gente que faz o café desde a torra do grão ainda verde. A própria pessoa compra o grão verde, ainda não torrado, e torra em casa. Existem mecanismos até meio domésticos: tem gente que torra na pipoqueira. Eu nunca fiz, fiquei curioso, mas dá para fazer na panela também. Óbvio que você não tem o controle do resultado final, mas você passa a ser dono do seu próprio café.
Você pode até colher de um cafezal urbano de São Paulo. São Paulo tem um cafezal urbano no Instituto Biológico, que é o maior da cidade. Eles colhem de tempos em tempos, e você pode pegar aquilo, descascar, secar e torrar numa panela, numa pipoqueira ou numa torradeira semi-profissional. Moer e fazer seu próprio café. Amanhã, quando você fizer outro, vai ver que sai diferente, mesmo seguindo o mesmo processo. Porque o grão verde já foi feito de outra forma, e você não torrou do mesmo jeito. A não ser que você controle. E tem, olha só, máquinas que aceitam Python e mecanismos open source para controlar a torra. Já vi com o pessoal que curte muito café.
Tem muita coisa que você pode entender, controlar e dominar, e que vai fazer total diferença em algo tão pequeno e simples quanto o café coado que você toma. Seja no V60, na prensa francesa, no Aeropress, no Chemex, na Kalita. Eu acabei tendo todos nesses oito anos, mas sempre volto para o V60, que indico para todo mundo. Quem fizer uma vez vai achar que fica “chafé”, vai dizer que não está amargo, vai querer colocar açúcar. Enfim, tem todo um aprendizado interessante. Tem exageros também, claro que tem. Mas é um mecanismo muito poderoso para que você comece a tomar conta daquilo que é seu, que você faz.
Assim como fazer sua própria comida, uma vez ou outra, traz uma satisfação. Enquanto você cozinha, você está se alimentando, até no sentido literal. O café é a mesma coisa. Sem contar que você encontra um motivo, um horário, um ritual para fazer algo no seu dia a dia. Você encontra um tempo para aquilo que está fazendo. Você não está só engolindo café.
É muito diferente de apertar um botão da Nespresso. Eu não estou falando exatamente do gosto, do paladar. Estou falando do processo inteiro. O resultado do que você vai absorver vai ser diferente.
É óbvio que depois de um tempo você vai começar a automatizar essas coisas, e o melhor seria que a gente tivesse esse momento separado. É algo que eu tenho buscado para mim, por causa dessa aceleração toda do mundo corporativo que se mistura com o pessoal. Fica de algum jeito muito difícil de separar. O ideal seria que em alguns momentos a gente pudesse separar: a alimentação, a vida pessoal, o trabalho. Que a gente pudesse executar essas tarefas, ter esses momentos de maneira muito consciente e muito profunda.
Tem vezes que a gente não está bebendo café de maneira profunda, nem naqueles dois segundos que aperta o botão. Tem vezes que a gente não está trabalhando de maneira profunda. A gente está misturando tudo, e isso torna as coisas muito complexas.
A sociedade do desempenho, da transparência e o fim dos rituais
Já falei várias vezes sobre os livros curtos do filósofo alemão sul-coreano Byung-Chul Han. Ele tem livros relativamente fáceis de ler, de filosofia. Se coloca como um jornalista radical, assim como Lacan, segundo algumas entrevistas que já li. Eu leio muito pouco filosofia, para não dizer nada. Mas ele tem uma leitura relativamente simples. É óbvio que faz referências difíceis às vezes, mas dá para prosseguir na leitura. Fica a recomendação.
Toda vez que estou lendo alguma coisa dele, parece que ele está falando comigo. E está falando com você também. Desde 2015, quando estoura com o livro Sociedade do Cansaço, você percebe que ele já estava entendendo as coisas que estavam acontecendo.
Ele fala bastante das métricas, dos objetivos. Agora, no final do ano, a gente costuma fazer objetivos na vida pessoal, além de verificar se bateu as metas no mundo empresarial, corporativo, profissional. Ele mostra como essas coisas estão invadindo a nossa vida pessoal. Toda essa questão de produtividade, índices, KPIs, OKRs, metas. Tudo entra e fica enraizado na nossa vida.
A gente tem metas. A gente tem hoje em dia relógios, smartwatches, que dizem quanto de sono a gente precisa ter, quanto de batimento cardíaco precisa ter. Tudo é metrificado, mensurado, e a gente passa a fazer as coisas por causa dos números. Eu mesmo fico verificando se o meu café foi feito a 96 graus Celsius ou 94. E dá diferença. A gramatura perfeita, tudo precisa ser redondo. Preciso conseguir reproduzir, “produtificar”, criar aquilo como um produto.
Isso começa a invadir até as minhas resoluções de ano novo, que tenho feito menos e conseguido mais resultados. Elas às vezes possuem números. Tudo aquilo que a gente chegou como conclusão no trabalho transborda: preciso aprender tais linguagens de programação, preciso conquistar um salário maior, preciso conquistar tal certificação, preciso terminar uma pós-graduação, preciso fazer cinco commits, pull requests em projetos open source. Todos esses números, essas métricas, acabam se tornando metas de alguma forma profissionais. Tudo muito profissional. Nada tão pessoal.
Até quando a gente quer emagrecer: quantos quilos eu quero emagrecer? Você não quer necessariamente ficar saudável, você quer emagrecer. Quer comer tanto, quer chegar a tanto de exercício, quer aprender inglês no nível X. Que, obviamente, não é ruim, faz parte para atingir determinados objetivos. Mas repare que em algumas coisas a gente está chegando no limite. A gente faz corrida para tirar foto, postar numa rede social de corrida, ver qual foi o último tempo e bater aquele tempo. A gente não quer só correr e ser melhor na corrida, a gente precisa mostrar o número, ter uma meta do número, ter uma épica média no número. Começa a ficar estranho. Os objetivos pelos quais a gente está correndo, ou fazendo academia, ou aprendendo inglês, ou aprendendo qualquer coisa. Cadê o algo que é realmente pessoal? Fica misturado.
Um dos exemplos que certamente me impactam nesses livros é essa transparência radical que a gente busca. A gente quer mostrar tudo para todo mundo. As redes sociais são um pouco isso. Em vez de ser mais opaco, e aí sim ter algo real, que você não consegue ver porque aquilo realmente tem uma complexidade grande. A partir do momento que a gente quer deixar tudo transparente, todos os nossos números pessoais num relógio ou num app…
E eu tenho app. Eu sei quantos exercícios faço, quando não como bem, quando estudo, quando não estudo, quando faço as reuniões e os one-on-ones que quero fazer, quando não fiz, quando estou empurrando com a barriga. Tenho isso metrificado. Tenho até mesmo o tal do jejum intermitente.
O jejum intermitente se tornou uma dessas técnicas, dessas milhares. Assim como teve low carb, assim como tem o negócio do banho de gelo, assim como tem o sono. Lembra do power nap? Tinha gente que falava de você dormir quatro vezes ao dia, tipo Leonardo da Vinci, que supostamente só dormia três horas por dia, mas dormia quatro vezes de 45 minutos, “para otimizar o tempo”. Tudo vira otimização. Tudo vira produtividade. O sono não é mais o sono por si, ele é um sono com quantidade de horas e os números têm que bater. O banho de gelo, você tem que fazer tantos banhos por tantos minutos.
O jejum intermitente me pegou. O jejum que vem de todos esses mecanismos cerimoniais, ritualísticos, religiosos, que tinham motivações, explicações, histórias. Eles se perdem. A gente passa a fazer um mecanismo como o jejum para diminuir o peso de tanto para tanto, porque diminui o pico do índice glicêmico, etc. Acaba virando algo completamente funcional, desconectado dos mecanismos de uma procissão, de uma cerimônia, de um ritual. Que seria de melhorar o paladar, de ter mais tempo para refletir sobre a comida.
É interessante que a gente perde um pouco isso. Eu que fiz muito tempo esse negócio, atenção, sem dar dica de saúde para ninguém, eu realmente me encontrava melhor no almoço. E eu deveria dar mais valor para isso: saber usar o paladar, saber fazer minha alimentação e entendê-la por completo, não só numericamente. Não só que eu vou ingerir mais ou menos em tal horário, pico do índice glicêmico, macro de proteína. Hoje em dia está todo mundo nisso.
Está todo mundo tendo essa pressão, não necessariamente a da saúde ou da academia, mas pressões por números e resultados. A gente tem isso na vida corporativa, a gente tem isso na vida pessoal. Precisa haver um balanço, e parece que ficou muito mais complicado.
Fico vendo o Mark Zuckerberg, o Jeff Bezos, todo mundo treinando 15 horas por dia e se alimentando de tal jeito. O Byung-Chul Han fala que o pessoal quer viver 95 anos só para bater o número. Porque tanto faz como vive. Ficam inventando números para serem batidos e esquecem da vida, esquecem do pessoal, esquecem do objetivo.
Acho muito interessantes essas reflexões. Que a gente possa entender melhor e parar de executar só como execução, só como objetivo de algo numérico ali no final. “Ah, precisa dar número.” A gente acaba caindo naquela situação daquelas frases atribuídas a Peter Drucker:
O que não é mensurado não é gerenciável.
Aquilo que você não tem um número para me dar, eu não consigo gerir, não consigo dizer se você está indo bem ou não, para te dar uma avaliação de performance. Isso faz sentido em muitos casos. Mas não dá para colocar isso em 100% dos casos, especialmente na nossa vida pessoal. E acaba acontecendo, especialmente com quem está nesse mundo corporativo, nesse mundo de tecnologia. Eu sei que você já está pensando: “opa, isso aqui está relacionado com tal coisa que eu faço.”
Chocolate
Parece engraçado, comecei com café e caí no chocolate. Eu sou uma pessoa que realmente, especialmente nesse último ano, mas sempre fui, interessada por chocolate. Foi depois do café que aconteceu. Comecei a me interessar muito pelo chocolate, para entender os processos de fabricação e produção, tanto de onde vem o cacau quanto as várias formas de fazer, e as grandes diferenças.
Eu não estou falando de Lindt, de Dengo ou de chocolate belga. Talvez da Dengo um pouco, que ficou muito famosa aqui no Brasil. Mas de entender algo mais profundo. Já que eu nunca fui desse negócio de vinho, não sei absolutamente nada, o chocolate tem um mecanismo similar. Já faz uns 20 anos no mundo, mas deve fazer uns 10 no Brasil que está mais forte. É o bean-to-bar, o “do grão à barra”.
É muito interessante porque, em vez de comprarem chocolate no atacado e fazerem as receitas com crocantinho para te vender, essas pessoas, essas mini-fábricas, esses produtores artesanais, pegam o grão, ou a amêndoa em português, do cacau, e transformam numa barra de chocolate. Então esse “bean” pode ser traduzido como grão ou amêndoa do cacau. Alguns compram a amêndoa, alguns são até donos da fazenda, e aí chamam de tree to bar, da árvore do cacau até a barra de chocolate. O cara é dono de ponta a ponta. Full stack, olha a analogia aí.
Aqui no Brasil tem muitos produtores bean-to-bar. Hoje em dia tem um movimento grande, tem uma feira em São Paulo, a Chocolate Week, onde vem um monte de produtor mostrar o que faz.
O que eles fazem: a maioria já compra a amêndoa do cacau seca, porque existe todo um processo de pegar o cacau, abrir, tirar as sementes, deixar fermentar por alguns dias, isso varia, e deixar secar. Depois que estão secos, quando tritura, vira o tal do nib de cacau. Para quem conhece, quem já comeu chocolate com nibs ou já comprou nibs para colocar em iogurte: o nib é a amêndoa do cacau já triturada em pedaços grandalhões.
Eles recebem essas sacas de amêndoas e vão torrar. Para essa torragem, controlam quanto tempo torram, qual a temperatura, muito parecido com o café. Depois quebram e separam, tem uma parte de casca que precisa tirar, aí quebra tudo e viram os nibs. Depois esses nibs vão ser moídos, refinados, aí fazem a tal da conchagem, e produzem o chocolate através do cacau mesmo.
O interessante é que essas várias fábricas artesanais, esses artistas, eu vou chamar assim porque é essa a verdade do chocolate, pegam o grão e transformam em barra de chocolate. Só que um compra cacau de um afluente do Amazonas, outro da Mata Atlântica, outro de algum lugar do interior da Bahia. Quando fazem o chocolate 70%, com manteiga de cacau, cacau e 30% açúcar, se fazem com cacau que vem de um rio ali do Amazonas ou com o que vem da Bahia, que tem uma produção muito grande, os chocolates resultantes são completamente diferentes. A cor, o cheiro, a textura e o gosto. Sendo que foram feitos na mesma fábrica, com a mesma moagem, com a mesma temperatura. Só mudou de onde se comprou o grão, a amêndoa. E sai um resultado totalmente diferente.
É tão incrível que uma dessas fabricantes, a Mishon, tem um chocolate que chama Dois Rios (Two Rivers), que de propósito, na mesma barra, faz a mesma receita, só que com cacau de lugares diferentes. Você vê que está com cor, cheiro e gosto diferente, sendo que a receita é a mesma.
É muito impressionante ver que você troca um insumo ali da ponta e o resultado muda completamente. Quem entende sabe que o cacau tem lá o forasteiro, o trinitário, umas três variantes principais. Mas só de trocar a ponta ali e jogar tudo no mesmo processo, na mesma fábrica, do outro lado só mudou a ponta na esteira da entrada, o resultado é completamente diferente.
Você aprende com esses gostos. Vai descobrir, primeiro, que o chocolate 70% não é aquele preto, super escuro e super amargo. Aquele é assim porque as pessoas tiveram que torrar muito. Mesma coisa que café: sabe aquele café que não reflete nada? Normalmente é porque tiveram que torrar tanto para tirar o gosto ruim, porque a amêndoa, o grão do café, não era tão bom. Mesma coisa do chocolate.
De novo, não sou especialista nem em café nem em chocolate. Eu como e bebo muito, mas é mais para ilustrar aqui esse domínio do processo.
Para mim falta um ritual de como comer o chocolate, mas eu gosto muito de presentear com chocolate. Gosto de, no momento da sobremesa, abrir, mostrar de onde vem, explicar a origem. Ter aquele momento de saborear, e não simplesmente engolir enquanto está fazendo qualquer coisa do trabalho. Que eu também faço, admito. Mas a ideia é justo encontrar mecanismos para que a gente não perca cerimônias, rituais, para que não vire só uma coisa no meio de todas as outras.
Entender as origens. Eu nem estou falando de ajudar o produtor daqui do lado, que é excelente e fundamental. Estou falando de algo ainda maior.
Tem a Dengo, que citei no começo, que é uma das grandes que faz esse mecanismo bean-to-bar. Tem a Mestiço, que faz muito disso. Tem a Luisa Abram, tem o La Sèvices, eu comecei por esses dois muitos anos atrás. Hoje como muito da Mishon, que é da Darcelia. Tem um novo que se chama Miró, tem Âmbar, tem um monte. É um mundo muito interessante, de pessoas inteligentíssimas que usam equipamentos super complexos para gerar um chocolate impressionante. Alguns compram grãos de fora do país, o Miró traz de Madagascar, de outros locais incríveis.
Obviamente custa mais caro, esses chocolates. Mas realmente você se satisfaz com menos. É muito interessante. É óbvio que é um privilégio. Mas entender um pouco mais, especialmente aquilo que você sempre faz, é valioso.
Eu cozinho muito pouco. Hoje em dia estou entendendo melhor como fazer o ovo mexido, vários modos diferentes de fazer o ovo mexido. Entender aquilo com alguma profundidade e não só fazer o básico do básico, sendo que aquilo eu faço quase sempre, ou consumo quase sempre, ou é um horário onde estou sempre. Preciso encontrar e saber que os resultados finais podem variar muito se a gente muda qualquer uma das pontas. Qualquer input do nosso sistema, o resultado final vai ser muito diferente.
A vida online
É interessante quando a gente pensa na pandemia, no desafio do trabalho online, trabalho remoto, trabalho isolado, a vida isolada. No término da pandemia, a gente vê as feridas que ficaram na sociedade. Especialmente nos jovens, nas crianças.
Hoje é notável, não tem como não falar: essa crise de solidão, essa crise do online, essa dificuldade que as pessoas estão tendo de comunicação, está ficando maior. Isso aparece em números. Acabo gostando do Scott Galloway, que posta muitos números americanos. Lá nos Estados Unidos esses números são terríveis. A quantidade de amizades que os jovens têm hoje em dia, a quantidade de tempo que ficam com amigos fora de casa. São gráficos que nem tem o que comentar, porque são setas para baixo nos últimos anos, se acentuando cada vez mais.
Esse mecanismo deixa a gente mais isolado, mais distante, e fica difícil de exercer a empatia e a alteridade. Isso se traduz em desafios no trabalho remoto, não tenho dúvida. Eu que tenho esse trabalho de alguma forma híbrido, porque em uma empresa está online, remoto, a outra presencial, tenho muitas reuniões que preciso sair, outras fazer online. Eu sinto a dificuldade. Eu, que sou uma pessoa comunicativa.
A vida online traz uma falta de proximidade e uma ausência de costuras que têm a ver com as cerimônias. Você não para, não senta, não respira, não tem um intervalo de sair de uma sala de reunião para ir para outra. Tem gente que relata as loucuras, em mundos muito corporativos nos Estados Unidos e no Brasil também, de pessoas que estão em duas reuniões simultâneas. É óbvio que o resultado não vai ser bom, não vai fazer bem para as pessoas. A saúde mental vai ser terrível.
Esse isolamento que a vida digital gera é muito complexo. A gente precisa ter um olhar atento para isso. Não é à toa que na Alura a gente está trazendo mais momentos síncronos, onde você tem interação com as pessoas e com o professor. Assim como na universidade, no centro universitário, na FIAP, esse contato que a gente tem no presencial é um respiro. Ou mesmo no online síncrono. É um respiro para todo mundo, para que as pessoas possam fazer uma amizade.
Seja no ensino online ou no trabalho, para quem está entrando agora numa empresa remota, eu digo que um dos objetivos é você criar uma amizade. Talvez não precise ser uma amizade, mas um coleguismo. Você precisa entender com quem está falando, saber quem é a pessoa, ter uma troca real.
É óbvio que para ter uma troca real você não precisa estar presente, e o encontro presencial não é sine qua non. Porém, se você está só no online, é mais difícil. A frase forte é: a vida acontece fora de casa. Ela se desenvolve fora de casa. Você se desenvolve fazendo contato com os olhos. Porque hoje em dia a gente desliga as câmeras, o que considero cada vez mais complexo.
A gente precisa ter essa troca, por mais boba que ela possa parecer e formal, do bom dia, boa tarde, e perguntar como você está. Ela cria momentos e espaços onde tem aprendizado. As pessoas aprendem umas com as outras muito mais do que a gente imagina, e isso precisa acontecer. A gente precisa trabalhar a empatia, a alteridade. A gente precisa entender que o outro é muito diferente da gente. Não só na questão de diversidade de históricos das pessoas, mas é diverso também o modelo mental, como ela pensa, como raciocina. Ela não chega na mesma conclusão que você dados os mesmos inputs, porque tem outra forma de pensar.
Isso é muito difícil no online a gente perceber. Fica parecendo que está todo mundo óbvio, todo mundo muito alinhado, quando não está. Os mecanismos que a gente tinha no presencial de comunicação não verbal eram mais fortes, são mais fortes. No mundo online, seja trabalho ou pessoal, a gente precisa reabilitar isso, reaprender. Senão vamos cair nessa situação de avatares, de mundo totalmente mediado por inteligência artificial, um mundo muito mais recortado.
É uma preocupação que vejo, esse desafio do mundo online que realmente acelerou depois da pandemia. A gente viu que algumas coisas sempre dá para fazer e converteu tudo. Sair para comer fora de casa, comer um doce fora de casa em vez de ter um dentro e engolir enquanto trabalha. Um café com um doce numa cafeteria, parar para realizar isso no sábado, é uma experiência completamente diferente do que a gente se habituou pós-pandemia. A gente precisa retomar esses contatos sociais de uma forma mais real.
Quando uso esse adjetivo “real”, não é necessariamente presencial. Mas é claro que o presencial pode ajudar as pessoas a se comunicarem melhor. O Byung-Chul Han coloca certamente pontos aí, não só ele, também muitos desses filósofos e escritores de ficção científica, que colocam alertas para a gente. Especialmente sobre essa quantidade de relacionamentos humanos que está diminuindo drasticamente. Uma família menor, uma quantidade de laços de amizade menor, uma quantidade de colegas de trabalho menor. Isso deixa a gente numa situação mais complexa num momento que precisamos de apoio.
Buscar criar mais conexões significativas sempre vai ser uma estratégia excelente. Respeitando as diferenças, porque tem pessoas que vivem não só muito bem, como é o modo de vida delas, de solitude, solitário. A gente precisa respeitar e entender. Mas acredito que em muitos casos isso está simplesmente acontecendo por forças maiores.
Inteligência artificial, programação e trabalho
Essa certamente é uma pergunta que muita gente me faz. Essas mudanças estão sendo rápidas. Assim como a pandemia trouxe grandes mudanças, a inteligência artificial está trazendo. Às vezes não fica tão perceptível, porque é de dia em dia. Só que você olha um ano para trás e é incrível.
Eu acredito fortemente que todos os trabalhos, ou como dizem, 80% dos trabalhos, estão tendo mudanças significativas, a ponto de que assistentes e o apoio de IA vai se tornar fundamental. Porque sem isso, o trabalho básico vai ficar muito difícil. Desculpa a analogia boba, mas é ela mesmo: depois que você está trabalhando com contabilidade e já entendeu o começo dos cálculos, entendeu o porquê, o motivo, sabe fazer o básico, a partir de um momento vai ser com a calculadora científica que você vai trabalhar. Assim como o datilógrafo, o escrevão, passou a usar a máquina de escrever e depois o computador, mesmo sabendo escrever à mão e tendo uma letra linda. Não fazia mais sentido, porque é uma questão de produtividade. Acaba sendo obrigado.
Repare como os assuntos aqui são todos muito próximos. A gente acaba sendo pressionado pela produtividade. Porque verdadeiramente a inteligência artificial pode nos ajudar para todo o boilerplate da programação, até esboçar os primeiros dashboards, até enxergar as primeiras conclusões. Mas se tudo for 100% automatizado, ninguém toma decisão de nada, e todos os resultados são iguais. Se todos os inputs são iguais, os processos são iguais, o resultado do café, do chocolate, ou da decisão da sua empresa, ou do código de programação da sua empresa, é o mesmo.
Então ainda haverá a necessidade de grandes profissionais, pessoas inteligentes, pessoas que entendem com profundidade, inclusive as continhas básicas, para que tenham domínio dessas grandes ferramentas e saibam usá-las da melhor forma. Saibam quando não usá-las, quando modificá-las, quando acertá-las.
Eu acredito que é um fenômeno tão potente como qualquer grande revolução que tenha sido: o smartphone, o computador, a máquina de datilografar, a calculadora. Só que elevado à quinta potência e num tempo muito mais curto. E é isso que traz as grandes dificuldades e grandes perguntas. A obsolescência de algumas profissões e a transformação de muitas profissões, tudo vai ocorrer muito rápido.
Todo mundo fica perguntando: para onde está? O que vai sumir? O que não vai sumir? O que vai diminuir? O que vai aumentar? Já está acontecendo. Quando a gente souber fazer um prognóstico, uma futurologia um pouco mais correta, já é tarde demais, já virou passado. É um momento em que os futuros estão tão abertos que vários vão ocorrer e não dá nem tempo de pensar.
É um momento muito interessante. É óbvio que fico empolgado, como muitos de vocês. Mas exige reflexão. Exige especialmente das pessoas que lideram a sociedade, a tecnologia, a responsabilidade. E não estou falando só da responsabilidade do trabalho com a inteligência artificial. Estou falando daquilo que já abordei em outros textos: a questão dos relacionamentos entre as pessoas.
Porque se a gente acostumar crianças, jovens, ou mesmo a gente, a conversar com um alto-falante que sabe ser dócil com a gente, entende muito bem, raramente critica ou discorda, às vezes discorda só para não ficar muito óbvio… Quem que a gente vai querer ter como melhor amigo, como melhor amiga, como companheiro? Vai ser o robô? Vai ser o alto-falante? Vai ser essa máquina estatística, esse processo estocástico, o nosso melhor amigo?
Você vai começar a se frustrar com as pessoas. Hoje esse isolamento do digital e essa diminuição de quantidade de relacionamentos já deixa a gente com frustração mais fácil com outras pessoas, porque elas não pensam como a gente, não querem o que a gente quer, discordam da gente. É difícil decidir para onde ir, o que comer, que filme assistir, o que fazer em conjunto. Vai ficar ainda mais difícil se a gente criar vínculos e relacionamentos sérios com robôs, com personas de mídias sociais, onde numa conversa com a outra você nem sabe quem é humano e quem não é.
Aliás, você vai começar a saber. Porque o não humano é aquele que simplesmente te entende sempre, sempre faz tudo o que você quer ou quase tudo, sempre complacente, sempre compreensível, sempre está lá para você, em qualquer momento. Nunca se frustra, nunca está bravo. Esse é o não humano. Se a gente se habituar a isso, vai se tornar uma questão muito complexa.
A gente precisa direcionar a tecnologia para que ela possa fortalecer aquilo que é de melhor da gente, e não o contrário, escondendo tudo que é sentimento, tudo que é emocional, jogando para um mecanismo mais fácil.
É óbvio que amigos virtuais, esse tamagotchi moderno, vão fazer bem para algumas pessoas que estão em momentos muito complexos, e nada melhor do que um robô amigo para essa pessoa. Mas é algo muito fácil de sair do controle de tudo e de todos. É algo que a gente precisa ter muita atenção.
Crianças
Agora tenho duas filhas que já estão ficando maiorzinhas, vão fazer sete e nove anos. Elas são incríveis, como os filhos e filhas de vocês. Fico cada vez mais impressionado, cada vez mais admirado.
Lembro quando me falavam: “Paulo, quando você for pai, você aprende muito sendo pai.” Eu achava que entendia essa frase como “ah legal, vou aprender a ser pai”. Mas não é isso. As crianças olham para você e falam, sem filtro, ou quase sem filtro, de uma forma inocente, ingênua e sincera, muitas vezes dócil, às vezes não, coisas com as quais você realmente aprende. Você fala “opa, é verdade”. A gente estar aberto às crianças é muito interessante. Ouvi-las e saber também nos colocar, tratá-las com respeito. Saber quando pedir desculpa, até. Quando você fala “opa, falei com uma voz, ou um tom, fiz algo que realmente não quero que você aceite isso de outras pessoas, porque esse não é o comportamento adequado”. Saber pedir desculpa, explicar. Isso é bem diferente de fazer tudo que a criança quer, óbvio.
Tem sido muito interessante. Essa é uma experiência pessoal, quem sou eu para dar dicas de paternidade para qualquer pessoa. Mas como professor, alguém me falou que as crianças acabam sendo nossos melhores alunos. É verdade. São esponjas. Elas nos observam de uma maneira que eu falo: caramba, que responsabilidade. É a responsabilidade que eu como professor na Alura, na FIAP, como professor na graduação, um dia quero dar aula. Fico falando isso para o pessoal: essa responsabilidade de que o que falar vai ressoar, vai ecoar, ainda mais nessa idade, ainda mais com esse relacionamento, essa relação familiar, paternal, maternal, ou diversas outras formas que também podem aparecer.
A gente precisa ter esse cuidado. Relacionando tudo aqui do texto: o cuidado do digital, das cerimônias e da inteligência artificial. Porque realmente o excesso de telas está aí, banir o smartphone nas escolas está aí. Acho que não são assuntos sobre os quais tenho um conhecimento profundo, mas é muito óbvio.
Eu tento segurar a tela. Tenho colegas que, vou ser sincero, invejo, que colocaram um mecanismo de zero, quase zero telas mesmo, tipo uma vez por semana. É incrível. Mas óbvio que isso também precisa de alguns privilégios. Eu consegui tirar as telas pequenas, smartphone, tablet, por um curto período. Ficou com tablet. Percebi a complicação que é quando a pessoa sabe que pode ter, a qualquer hora, a qualquer lugar, aquele doce, aquele chocolate, ou aquele entretenimento curto, aquele reels.
É diferente de ter uma tela grande, num único lugar, para o qual as crianças precisam se deslocar para chegar até lá. Entender que aquilo exige parar, sentar, ligar, procurar. Exige um mecanismo, inclusive, de buscar filmes maiores, séries maiores, com menos estímulos. As crianças precisam parar, sentar, ver começo, meio e fim. Não quer assistir começo, meio e fim? Desiste, porque vai levar um tempo para tirar o proveito, para chegar naquela recompensa que demora.
Tem sido muito interessante. E não deixa de ser parecido com os seus planos de resoluções de ano novo: você vai precisar estudar bastante, trabalhar bastante, para conquistar algo, para se satisfazer. Você não vai conseguir, num curso de três semanas, ter um grande salto na sua vida profissional ou pessoal. Vai precisar de um ano, ou de dois anos, ou de uma faculdade, de um mestrado, de um doutorado. Ou de um trabalho, de uma carreira de dez anos como analista pleno para virar sênior. Essa é a realidade. Eu tenho uma reflexão de que só uns quatro anos e meio atrás me tornei realmente um executivo sênior. Só depois fui me dar conta. Essas coisas levam tempo.
Para as crianças, elas precisam de tempo para tudo que fazem. Para a refeição, bem que a refeição eu faço bagunçado com as crianças, mas para aproveitar aquele momento do digital. Precisa entender que está chegando e não simplesmente consumir sem atenção. Senão logo mais elas vão estar assistindo à TV e vendo o celular ao mesmo tempo. Que nem a gente. Que é realmente um grande problema. A gente não faz nada bem.
Volta aquele primeiro ponto: essa mistura do pessoal, do corporativo, das várias coisas pessoais que a gente está fazendo ao mesmo tempo. As várias pessoas com quem você está conversando no WhatsApp ao mesmo tempo em que estava lendo este texto.
Fica o desafio: releia um dos segmentos aqui sem fazer nada. Sem lavar louça, sem outra aba aberta. Você vai ver a diferença. Vai inclusive trazer críticas para o que eu coloquei aqui. O que eu escrevi vai ressoar de uma forma muito diferente do que aquela que foi com você andando no metrô, ou pegando a estrada no carro, ou meio distraído. Vai ser um mecanismo diferente se você fizer só isso.
É algo que a gente perdeu na modernidade, na pós-modernidade digital.
O que a gente precisa, de alguma forma, e a palavra, o verbo correto, é proteger as crianças disso.
Meu irmão fez um mecanismo para os jogos que acho muito interessante. Assim como algumas pessoas estão pegando vitrola em vez do Spotify, ele coloca os jogos da década de 90 para o filho jogar. Como Lemmings. Só que, se for procurar esses jogos da década de 90, Prince of Persia, que já estão nesses abandonwares da vida, muitos você entra na web e já joga. Não. Como meu irmão falou: “Paulo, faz as crianças instalarem o DOSBox, esses emuladores de sistema operacional. Instala o DOS, instala o Lemmings. Ensina a criança a entrar em C:, digitar cd lemmings, lemmings com dois M. Se colocar só um M, vai dar erro, não encontrou o arquivo. Digita lemmings, dá um enter e abre o jogo.”
E vê o jogo. E não tem como salvar. Você tem que anotar o código da fase. Tudo isso gera um mecanismo de cerimônia, de ritual, de entender a passagem de cada coisa. Diferente daquele mecanismo super gratificante dos joguinhos de celular que a gente acaba dando para as nossas crianças, que é um monte de moedinha, um monte de prêmio e um monte de anúncio do próximo jogo. Nada tem começo e fim, é tudo um monte de meio, tudo conectado com tudo, dando saltos gigantes. Não tem uma história de começo, meio e fim, onde a conexão está em si.
É algo muito interessante para a gente fazer. Por isso que no estudo você precisa parar de ficar vendo um monte de vídeo no YouTube de dois minutos para aprender alguma coisa profunda. Porque não se conectam, não criam um mecanismo forte de aprendizado. Diferente de quando você sentou, discutiu, conversou, anotou no papel e depois fez um resumo.
É engraçado, fico falando isso e parece que sou Paulo Silveira, o grande estudioso que tem o domínio das técnicas de estudo, de anotação, de resumo, que faz boas reuniões. Nada disso. Eu estou sofrendo o mesmo que você sofre hoje nesse mecanismo que está ficando difícil de aprender, mais difícil da gente ler à noite, mais difícil da gente entrar, fazer uma imersão em algum assunto, porque está tudo ao mesmo tempo.
A gente precisa encontrar mecanismos. E vai encontrar. A tecnologia mesmo vai tentar resolver isso, porque chega num ponto que precisa de uma solução. Assim como encontraram o Ozempic para a solução de um problema que nós mesmos criamos, com essa alimentação e essa velocidade. Mesma coisa em muitos cenários.
Acredito fortemente que vamos achar soluções para diminuir esse ritmo que estamos impondo para as crianças, de super velocidade do digital. Para que elas tenham momentos separados disso e saibam quando é lazer, quando é estudo, quando é tédio, quando é o crédito do filme. Vai ver até o final. Vai ver o começo do filme também, não vai passar para frente. Quer ensinar a passar para frente e para trás? Põe na fita de VHS rebobinando, porque aquilo trazia um mecanismo de atenção.
Atenção: não é uma nostalgia da tecnologia antiga. É só que a gente consiga mecanismos para auxiliar nossas crianças, e nós mesmos. Para fazer o nosso café pensado, comer o nosso chocolate entendendo o que está acontecendo, assistir um filme sem ficar pegando mídia social o tempo todo como a gente costuma fazer, para pegar uma referência, o nome do ator que você já viu.
Precisa ter uma mínima meditação. De novo, falo isso sem conseguir muito, tendo bastante dificuldade, assim como você. Mas acho que a gente precisa se desafiar. A gente sempre precisa se desafiar intelectualmente, nos mecanismos, sempre um pouquinho, que é diferente do lugar-comum. Sair de zona de conforto é realmente se desafiar intelectualmente, fisicamente, de várias formas. Um pouquinho. Porque é aí que a gente aprende. É justamente aí que a gente aprende.
Você também pode gostar

Transições, complexidade e o tempo — Hipsters 497
Transições de carreira, a criança adulta, parentalidade, cultura organizacional, IA sem ilusões, o relógio de 10 mil anos e a aceleração social.

Conway, empatia e IA — Hipsters 390
Lei de Conway e becos de Tóquio, a importância de sair de casa, liderança e agree and commit, empatia na era da IA e o som da cidade.

Universo, nerds e o Pikachu do jokenpô — Hipsters 337
Da ciência jovem ao universo de Jeremy England, a beleza nerd, pessoas que honram convites, São Paulo como melhor cidade e o Pikachu do jokenpô.