Universo, nerds e o Pikachu do jokenpô — Hipsters 337
Reflexões de fim de ano sobre ciência, nerds, convites, São Paulo e brincadeiras de criança.
Coração, conhecimento e universo
Fico pensando que quando eu tinha aulas de biologia no colégio, no ensino médio, ou mesmo antes no ensino fundamental, as pessoas ensinavam: “Paulo, você precisa entender como funciona o sistema circulatório, como são as veias, as artérias, o que é o sangue venoso, como vai, como vem, por que ele existe, qual é a função dele.” Eu fazia prova, estudava, acreditava que os cientistas sabiam como funcionava o corpo humano. Ficava muito impressionado e sentia até uma pressão de que eu precisava conhecer a verdade.
Eu precisava saber como funcionava o corpo humano, como a gente funciona. Porque se havia outras pessoas que sabiam exatamente como o corpo tem seus mecanismos, como ele age, qual é o papel do sangue, o que faz a hemoglobina, as hemácias, eu precisava saber. Inclusive, era por isso que eu estava dentro de uma escola. Por isso que crianças e jovens iam estudar.
O curioso é que eu só fui perceber isso muito pra frente. Lá pelos meus 20 anos, quando entrei na faculdade, percebi que aquilo que ensinavam pra gente na escola era o que a humanidade, a sociedade, a ciência conhecia até aquele momento. Tudo que eu estudei sobre biologia, até sobre o DNA, aquele AA, ATG, o olho é escuro, o olho é verde, era uma visão de como o corpo humano, a biologia e as células funcionam. Por que o meu coração bate? Por que ele tem duas bombas assim, duas bombas assadas?
Eu entendi aquilo como uma verdade absoluta. Só quando entrei na vida adulta é que fui perceber que esse tipo de ciência e de estudo, como todos os outros, é o conhecimento que a gente tem até aquele momento. Quando eu estava estudando o sistema circulatório, não era exatamente como funciona o corpo humano, porque ninguém sabe como funciona o corpo humano. Essa é a verdade. A gente ainda está no processo de descoberta, e provavelmente nunca descobriremos a totalidade de como cada parte do corpo humano funciona.
Essa informação parece boba quando eu falo assim, mas é difícil a gente perceber que às vezes acredita que tem um conhecimento profundo, às vezes total, de alguma coisa. Na verdade, tudo pode mudar e a gente pode estar agindo de uma maneira não ótima, para não dizer que às vezes a gente está tomando decisões erradas sobre o nosso trabalho. Assim como médicos e médicas podem tomar decisões completamente erradas, super de acordo com a ciência atual, mas erradas com a ciência daqui a 10 anos.
O Maurício Aniche, que é fundador da Lura, me falou de um livro durante esse ano que me chamou a atenção. Chama The Youngest Science, de Lewis Thomas. Eu não li. Mas o mote do livro é que ele mostra desde o pai desse médico, da década de 1920, até a medicina exercida por ele mesmo. Vai mostrando como a medicina, até 100, 200 anos atrás, era algo muito pouco estruturado, muito pouco ciência, cheio dos elixires e daquela medicina que era “faz isso aqui porque resolve”. Você pode achar que é senso comum, mas havia muitas coisas erradas, e a gente prejudicava o paciente.
Como a medicina se torna uma ciência? Com métodos científicos, com testes, com planejamento. Acho que a gente viu muito disso durante toda a pandemia e a questão da vacina. De como a ciência ainda está engatinhando em alguns casos.
Estou falando tudo isso porque quero chegar na computação. E vou chegar. Mas antes, quero dar mais um exemplo.
O exemplo é Hubble. Não o telescópio, mas o astrônomo que deu o nome. Aqui posso dar informações não muito exatas, mas o que importa é o raciocínio. Edwin Hubble é considerado quem fez grandes descobertas na astronomia, também no começo do século XX. A pequena descoberta que ele fez foi de que o que a gente olhava no telescópio e achava que eram nébulas, nuvenzinhas, poeiras, na verdade eram outras galáxias.
Até os anos 1920 ou 1930, tudo que a gente achava era que só existia a Via Láctea. Com as suas 100 bilhões de estrelas, essa ordem de grandeza. A gente achava que o universo era isso. 100 bilhões de estrelas. É isso que existe. Hubble foi um dos responsáveis por perceber que era muito maior. Que cada pontinho de nébula era mais uma galáxia. Hoje a gente sabe que existem, em ordem de grandeza, mais ou menos 100 bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas.
Então Hubble é o responsável por ter percebido que a ciência que a gente ensinava nas escolas até aquele momento, que falava que o nosso universo tinha 100 bilhões de estrelas, estava errada por apenas 100 bilhões de vezes. É tão avassalador um conhecimento desse. Alguém olhar para o céu, com os grandes telescópios da época, e falar: “olha, o que a gente estava imaginando que era o universo é algo muito maior que isso.” Da noite para o dia, lá no começo do século XX, falaram: “não, peraí, é muito maior que isso.” Sem contar as outras descobertas sobre a expansão acelerada do espaço, o distanciamento entre as galáxias e outras conclusões correlacionadas ao Big Bang.
O que eu quero dizer é que, de novo, o coração. Eu estava estudando o coração e era o que a gente sabia naquele momento. Hoje a gente já deve conhecer muito mais. Pode ser que haja momentos de ruptura do conhecimento que vão falar: “não, é bem diferente do que a gente imaginava, e por outro motivo o coração age assim.”
E se você for pensar, a computação é uma ciência jovem. Talvez seja mais jovem que a medicina. Hoje a gente desenha sistemas, programa, desenvolve software falando de design, de patterns, de encapsulamento, de clean code, de testes. Daqui a 10 anos a gente pode descobrir que era uma grande bobagem como a gente desenvolvia software naquele momento. Que há mecanismos assustadoramente melhores para manutenção, para legibilidade, para evitar bugs, para questão de segurança. Não estou falando de inteligência artificial para gerar código, não é disso. Estou falando de mecanismos que vão redefinir o que é um código bom, o que é um código ruim. Que isso possa mudar completamente o nosso conceito.
Às vezes a gente fica muito by the book, trabalhando pelos livros, preso a métodos de 10, 20 anos atrás. Não estou falando que, por isso, cada um programa do seu jeito. Mas acho que é um questionamento importante para a gente entender que o que fazemos hoje como profissional dá para ser feito muito melhor. Talvez por estudo coletivo, talvez pela ciência, pelo meio acadêmico, pela universidade, por professoras e professores doutores e mestres. Talvez você mesma vai conseguir ter uma descoberta e melhorar a nossa ciência da computação, a ciência da engenharia de software, a ciência de utilizar tecnologia como meio para melhorar diversos fins. Tem tanta coisa que a gente precisa melhorar.
Essa primeira história é para mostrar como é assustador o conhecimento que vem por aí, as descobertas que vão acontecer, e como elas podem impactar tudo o que a gente imagina hoje. Tudo o que a gente está aprendendo e ensinando pode ter momentos de grandes mudanças. E eu torço para que elas aconteçam.
Universo, vida e encantamento
Se tem uma notícia científica que me impactou muito forte esse ano, é o trabalho de um cientista do MIT chamado Jeremy England. Nos últimos 10 anos ele tem estudado sobre o universo, sobre vida e sobre como funciona tudo que é biologicamente ativo. Vou tentar descrever minimamente essa teoria dele, mas é óbvio que estou dando uma visão pessoal. Não há rigor físico e científico nenhum aqui nessa descrição.
Basicamente, o que o Jeremy tenta propor é que coisas vivas, qualquer tipo de mecanismo que possui vida, seja um unicelular, uma bactéria, uma alga, ou um sistema mais complexo como um mamífero, tem uma forma melhor de capturar energia do ambiente (comendo, absorvendo calor, com fotossíntese) e dissipar essa energia (correndo, se movimentando, produzindo coisas a partir da comida e dessa movimentação). Seres vivos, desde protozoários até seres humanos, seriam um mecanismo que trabalha melhor com a energia. O termo termodinâmico correto eu não vou saber usar, mesmo tendo relido alguns artigos de jornalistas sobre ele hoje.
Dado que seres vivos têm essa característica, a teoria do Jeremy é que a matéria, o universo, os átomos, desde o Big Bang, têm uma tendência para se rearranjar em direção a mecanismos com melhor capacidade de capturar e dissipar energia. A matéria está colidindo, explodindo, fissão, fusão, estrelas estourando, buracos negros engolindo matéria, porque elas tentam encontrar uma estabilidade de energia onde seja mais fácil e melhor capturar e dissipar. E a melhor forma da matéria para capturar e dissipar energia é a vida.
O universo, desde o Big Bang, meio que está indo nessa direção de encontrar sistemas e mecanismos em que isso ocorra. E a vida é um desses mecanismos. A vida se formar na Terra há 3 bilhões de anos (a Terra tem uns 4,5 bilhões) aconteceu porque era uma forma de estabilidade. Os gases estavam lá, havia trovão, nasceram os aminoácidos, os coacervados, e a Terra era um lugar com tanto agito que a estabilidade da matéria se encontra na vida. Esses mecanismos são uma evolução natural. Alguns jornalistas comparam com Darwin, imagino que ele não vá gostar, mas colocam como: a evolução da matéria é a vida.
É tão impressionante. Esses mecanismos de estabilidade das moléculas tornam necessária a vida, porque é ela que vai ter essa troca melhor. Se esse Jeremy, de alguma forma, provar algo, e ele já fez alguns testes, obviamente não com vida, mas mostrando que algumas matérias com características melhores de dissipação e captação de calor são mais estáveis e as coisas vão indo para essa direção. Parece que já tem alguns testes sendo feitos com algo muito rudimentar. É óbvio que toda a tese que eu pintei aqui não é bem isso, mas é tão bonito, tão interessante. E obviamente é místico. Obviamente tem um quê aí de determinismo ou não. Acho que isso que traz a força da ciência: a gente sempre se questionar.
Porque a gente sempre acha que a ciência vai resolver tudo, mas a ciência coloca mais perguntas também. Inclusive para algumas coisas que a gente achava que “é assim, isso aqui aconteceu”, vem alguém e diz: “não, tem um motivo, não é exatamente porque é totalmente aleatório, é por causa disso aqui, porque a matéria se estabiliza melhor nessa forma.” É um tipo de ciência que ninguém nunca imaginaria, muito ligada à primeira história que trouxe aqui.
Essa questão da origem do universo, da origem da vida, especialmente a principal questão filosófica do mundo (por que existe algo e não nada?) é uma questão natural e inerente a todos nós. E me pegou de surpresa a minha filha mais nova, Elisa, que está com quatro anos e meio, um pouco mais. Ela é mais agitada, diferente da Olivia, que é mais questionadora. Mesmo assim, esses dias conversando à noite com ela, na hora de ler história, percebi que ela estava pensando um pouco sobre isso. Ela começou a colocar questões. Falou: “peraí, mas o seu pai nasceu de quem? Da barriga ou da cocota de quem?” “Ah, da avó.” “É verdade, papai? Mas e a sua avó?” E ela começou a fazer esse jogo para trás. Eu consegui gravar o áudio:
Tem que ter uma pessoa que já nasceu para os adultos também nascerem, e algumas pessoas têm que já ter nascido para as outras também nascerem, com a cocota, pela barriga. Então, como que nasceu antes?
É que quando ela tem que ter pessoa para nascer as outras. Pela barriga ou pela cocota. Precisa. Tem que também nascer algumas pessoas, e aí as pessoas nascem pela cocota ou pela barriga. Mas se não tiver pessoa, não tiver nascido outras pessoas já, aí não vai ter filho.
Olha que interessante ver que essas reflexões que os cientistas estão tentando resolver são algo que as crianças naturalmente fazem. A gente fica realmente fascinado, encantado pelo mistério, encantado pela ausência de conhecimento.
A gente precisa sempre ficar encantado com a ciência, com as novidades. O que está acontecendo com o James Webb, o telescópio? Fico entrando no site da NASA para saber se tem alguma novidade. Fico na expectativa de que a humanidade vá fazer alguma descoberta sobre o universo hoje. Tenho essa ansiedade. E gosto muito.
Acho que isso tem uma relação com o espírito nerd, com o espírito de não estar contente em simplesmente trabalhar com algo, ver algo, ler sobre alguma coisa e não entender nada. De não estar nem aí para o funcionamento do coração ou do universo, ou de quem é mãe de quem e a mãe de quem, como a própria Elisa. Então eu quero que você se sinta nerd por se interessar por essas questões. Ganhe um abraço.
Nerds, Marvel e videogame
O termo nerd é um termo pelo qual eu ganho simpatia a cada dia. Desde ter iniciado a jornada de podcasts dentro do universo do Jovem Nerd, do Nerdcast, até me reconhecer agora, na vida adulta, depois dos 40 anos, com toda a minha adolescência dentro desse estereótipo.
É claro, hoje eu me enxergo como uma pessoa muito articulada. Tenho um podcast. Você pode falar: “Poxa, mas Paulo, você é nerd?” Hoje eu desenvolvi habilidades sociais que não são características que a gente coloca dentro do estereótipo de nerd. Mas eu, na faculdade, levava… Até perguntei para um amigo, o Brez, falei: “Você acha que eu sou nerd?” Ele falou: “Paulo, na faculdade, ali no centro acadêmico, onde o pessoal ia se preparar para o vôlei, para o campeonato inter-universidades, beber cerveja e jogar truco, você não fazia nada disso. Você levava o videogame, era um Dreamcast na época, conectava lá na televisão grande.” A televisão grande era algo raro que tinha lá na Atlética. Ficava jogando, junto com o pessoal do fundo da sala. Soul Calibur, Crazy Taxi, nem lembro mais. Eu nem jogava muito jogo multiplayer, jogava aqueles action RPGs de fantasia, enquanto as pessoas estavam se encontrando, namorando, jogando cartas e se preparando para o esporte.
Eu fui descobrir esporte aos 35 anos. Esporte coletivo, até hoje, sou um zero à esquerda e nem acompanho.
Esse espírito nerd de fazer coisas estranhas, consideradas estranhas, especialmente na adolescência e na juventude, é o que eu sou, é de onde eu vim. É de onde, inclusive, a Alura vem, é de onde o Hipsters vem. Às vezes eu bato nessa tecla com colaboradores e colaboradoras da empresa, e eles falam: “Não, Paulo, mas veja bem, nem todos os nossos alunos, nem todas as nossas empresas que contratam a gente são assim.” Eu entendo, mas grande parte, o motor da Alura, o motor do que eu faço, de onde eu vim, eu, meu irmão especialmente (mais nerd ainda), é esse nerd no sentido raiz. De querer entender melhor as coisas, de querer entender o videogame e abrir o videogame com chave de fenda, de querer entender como um jogo de videogame foi feito, não só jogar.
Por mais que eu nunca tenha desenvolvido um jogo no final das contas. Bem, meia verdade: já desenvolvi algumas coisinhas na época de celular da Nokia grandão, em J2ME. Fica aí um trivia.
Eu quero, tenho vontade de fazer acontecer, de entender mais. É óbvio que isso é um privilégio. Tem pessoas que estavam na mesma condição e não tinham esse motor. Eu acho esse motor importante. Espero que você tenha esse motor, que sinta essa proximidade comigo.
Nunca fui fã de Marvel, preciso confessar. Os filmes, para mim, são assim: “Interessante, nossa, que legal essa imagem, essa armadura que faz isso.” Eu gosto, mas nunca fui profundo conhecedor, nem nos quadrinhos. De Matrix eu fui a fundo. Mas mesmo Star Wars nunca me atingiu forte. Porém eu vou na CCXP, porque tenho um profundo respeito e admiração pelas pessoas que vão a fundo nesses universos. Que se encontram lá, que sentem o pertencimento, uma palavra que a gente usa muito aqui na Alura como escola. A gente quer que você pertença ao Aluraverso.
Eu vejo as pessoas pertencendo ao universo da Marvel, fazendo cosplay. Cosplay é algo que eu nunca farei, mas respeito com muita profundidade alguém que passou dias, meses, talvez anos se preparando, planejando, desenhando, comprando, ajustando, fazendo a maquiagem, vendo os trejeitos, ensaiando, porque gosta muito daquele universo de ficção que outra pessoa criou. Acho que isso também é o nerd investigativo. Porque quem desenhou aquela roupa e o cabelo daquela lutadora do Tekken, ou daquele personagem de Street Fighter, do King of Fighters? Por que foi desenhado assim? Qual é a cultura japonesa de onde vem aquela personagem?
Mesmo as pessoas profundas conhecedoras do universo do Senhor dos Anéis, é a mesma coisa. Eu trato com profunda admiração quem de Star Trek sabe falar Klingon. É inútil, eu pessoalmente não faria nunca, mas é uma dedicação, uma profundidade, um trabalho a longo prazo. É como quando a gente elogia o trabalho que você faz numa faculdade, o trabalho de um mestrado de longo prazo. Tem sim seu mérito. Não tenha dúvidas de que esse seu hobby, o hobby que você faz profundo, que você estuda, que vai além para entender melhor como funciona, não só praticar… Você não é só bom, você entende aquele assunto. Acho que esse é um diferencial para a vida inteira.
Acho que é a gente exercer a capacidade humana em sua plenitude. De novo, é um privilégio poder ter tempo e muitas vezes dinheiro para se dedicar a isso. Mas é uma força que não aparece em todo mundo, ou pelo menos não é tão fácil de perceber. Talvez ela exista, espero que ela exista. Sei que você tem, você faz. Saiba que isso não é inútil, tem seu valor. Não é só para aquela pergunta de entrevista de emprego “qual é seu hobby?” É realmente um valor muito interessante para a sua vida, para como você age e como faz as coisas.
Pessoas, convites e honra
Tem um certo tipo de pessoa que me fascina. São aquelas pessoas que levam com muita seriedade qualquer convite que você faça. É aquela pessoa que, se você chama “vamos tomar um café tal dia” ou “vamos ao parque fazer alguma coisa” ou “vai ter o meu aniversário”, a pessoa fala: “Vou sim.” Curta, sucinta. Você não precisa mandar confirmação, não precisa repetir, não precisa falar nada. Você sabe que aquela pessoa vai aparecer no seu aniversário, vai ao cinema com você, sendo que vocês combinaram duas semanas atrás. Ela respondeu só com um “ok”, mas ela tem esse mecanismo. Ela não só gosta de você: ela sente que cada convite é uma honra, que você mostrou “eu quero você do meu lado durante esse tempo.”
Nesse mundo líquido, em que a atenção é a moeda mais forte, eu me sinto tão em dívida com a atenção, com as pessoas, com as minhas filhas também. Aquela atenção parada, focada total, em qualquer pessoa. A gente está tão em dívida. Mas tem pessoas que fazem isso de uma forma tão incrível que é muito prazerosa a convivência.
Meu pai é uma dessas pessoas, sem dúvida nenhuma, não tenho como não mencioná-lo aqui. Ele é aquela pessoa que, se alguém esbarrar um convite, falar “vem aqui no meu casamento no interior de um estado muito longe de São Paulo”, na hora que você fizer esse convite pro meu pai, o cérebro dele trava. Ele fala: “Opa, estão me convidando para um casamento, peraí, estou muito honrado. Casamento não é qualquer pessoa que você convida. Estou muito honrado.” Aniversário, jantar, qualquer coisa. “Eu queria que você conhecesse minha casa um dia.” A resposta do meu pai é: “Eu vou sim, só você falar que eu vou.” Você fala “tá bom” uma vez e meu pai estará lá. Porque ele sente que aquele convite é você se abrindo, algo que você não faz com tanta frequência, para tantas pessoas. Ele se sente imediatamente honrado.
É óbvio que deve ser difícil para essas pessoas. Eu conheço várias: tem um amigo meu Coutinho, tem a Roberta, tem várias pessoas que agem dessa forma. Elas ficam incomodadas se por algum motivo não vão conseguir fazer acontecer. “Não vai dar certo para eu ir” é um transtorno para elas.
Eu acho essas pessoas interessantíssimas. São pessoas dedicadas a outras pessoas, e logo são obviamente dedicadas no trabalho. Não tem erro. Dedicadas em tudo que fazem. Esse nível de comprometimento das pessoas que citei, eu não tenho. Gostaria de ter. Essas pessoas são exemplos para mim de como eu gostaria de trabalhar, viver e tratar melhor outras pessoas.
Eu não gosto de dirigir. Viajar de carro, fazer viagem longa dirigindo, é algo que eu preciso pensar muito. Quando alguém me convida para uma festa no interior de São Paulo e eu vou precisar dirigir, penso: “Poxa, a pessoa está me convidando e eu não vou porque tem que dirigir? Mas ela vai ficar triste, eu deveria ir.” É uma batalha comigo. Já para outras pessoas, ela pode ir rastejando, ela vai. Porque aquele convite é algo sério. Fico muito impressionado com essas pessoas, com essa qualidade.
Óbvio, não dá para ter todas as qualidades. Estou contente em como eu sou. Mas é algo que gostaria de almejar e certamente melhorar. Pensando em resoluções de ano novo, eu costumo fazer (faz uns dois anos que não faço, mas costumo), e coloco alguns pontos. Não resoluções exatamente, mas coisas que eu gostaria de fazer: um trabalho que gostaria de realizar na empresa, três livros específicos que gostaria de ler, algo que gostaria de melhorar no interpessoal, um exercício que pratico e que poderia tentar melhorar. Costumo executar 50, 60%, o que já acho interessante. Um deles seria ser uma pessoa que levasse ainda mais a sério convites e compromissos.
São Paulo, resoluções e abandonos
Durante esse ano, tive o privilégio de ir quatro vezes para Nova York. Fui visitar minha namorada, que estava estudando lá. É uma cidade que eu realmente gosto muito, porque o meu mecanismo de trabalho é curioso. Eu vou de café em café. Hoje em dia trabalho remoto aqui na Alura e vou de café em café, de lugar em lugar, em São Paulo, e vou trabalhando. O meu mecanismo de troca de contexto funciona assim: “Agora estou resolvendo esse problema, agora vou resolver outro.” Falo: “Vou terminar nesse café aqui, vou terminar essa tarefa para não procrastinar.” O meu Pomodoro é meio que esse: “Tenho que sair daqui às três porque a outra reunião é às quatro e vou ter que andar, pegar metrô, pegar Uber e ir até ali. Logo, preciso terminar essa tarefa agora.”
Vou trocando de lugares interessantes. Seja um museu, um café, uma padaria, a casa de um amigo ou amiga, a casa onde moram as minhas filhas, ir buscá-las na escola. E até lá eu tenho que fazer isso. Funciona como um relógio para mim. É interessante e estranho.
Lá em Nova York tem tanta coisa, tem tanto cafezinho diferente. Cada vez mais eu estou viciado em café. Devo tomar uns 700 ml de café por dia, coado. Tenho esse ritual de moer o meu grão, medir 16 gramas para 240 ml, fazer 3 ataques de água. Virou um ritual que também é interessante para mim.
Nova York é a segunda melhor cidade do mundo. Porque a primeira é São Paulo. A melhor cidade do mundo é São Paulo. É onde eu nasci, onde eu cresci e onde eu vivo. Onde eu tenho as minhas raízes, onde eu tenho ventilado e criado muita coisa com o meu trabalho, e ajudado outras pessoas a criarem seus trabalhos. Obviamente, hoje em dia com tudo remoto, a criação acontece em muitos lugares. Mas é onde eu tenho a proximidade.
Tenho um prazer tão grande de conhecer o bairro, de andar na Avenida Paulista. Fico contente a ponto de, às vezes, mandar uma mensagem para os meus pais: “Pai, mãe, estou aqui na Avenida Paulista.” Mando um vídeo: “Olha que bonito que está o dia aqui, olha as pessoas andando, indo para o trabalho, e a cidade vivendo.” Tanto a cidade visível quanto o São Paulo invisível.
São Paulo me fascina demais. Tenho um carinho muito grande e acho ela linda. Olho pela janela e acho os prédios, cada um no seu formato, aquela arquitetura que não se encaixa. Não é nem de bairro para bairro, é dentro do mesmo bairro. Falta de janela, cada prédio virado para um lado, sombras onde não deveriam, essa mistura do comércio, do bairro, de uma forma pouco estruturada. Obviamente hoje a cidade tenta se remodelar, mas eu acho de uma beleza. Como arte, como bonito, como arquitetura, como vida de uma cidade. Eu tenho um fascínio muito grande pela cidade onde moro.
Admiro e gosto sim de viajar. Não sou dessas pessoas que falam “eu amo viajar.” Não gosto dessa expressão, nem usaria para mim de maneira alguma. Mas a viagem de voltar para São Paulo é muito legal, é um momento especial. O voltar para casa, não é exatamente casa, mas o lugar que eu conheço o bairro, que eu conheço o café, que as pessoas me conhecem, que eu sei o nome de quem me atende no café. A pessoa que faz pra mim o V60 numa torra mais clara e num grão menos ácido. Encontrar na rua uma pessoa que fala o meu nome porque sabe que é lá onde eu vou comprar pão. Eu sou amigo do padeiro.
Criar essas relações, esse vínculo forte. Por isso, quando gosto de viajar, gosto de passar vários dias na mesma cidade, no mesmo bairro. Aquele negócio das pessoas fazerem mochilão na Europa, 20 dias em 10 países, aquilo é o meu pesadelo. Eu não vou entender nada, não vou respirar a vida. É claro, vai ser interessante ver as diferenças rápidas. Mas eu não quero ver as diferenças, eu quero ver o que é igual no mesmo lugar, as raízes daquelas pessoas. Para mim, isso é fenomenal. Para isso, você precisa passar tempo.
Obviamente não sou um profundo conhecedor de São Paulo. Mas eu sinto a cidade. E isso para mim é realmente muito gostoso, um sentimento muito bom. Por isso acho que hoje a gente tem tanta pressão do Instagram: “você precisa viajar”, ou “você precisa morar em outro país”, “precisa trabalhar em outro país.” São coisas um pouco impostas. Ninguém precisa viajar muito, ninguém precisa morar em outro país. Esse tipo de resolução às vezes é nocivo.
Pensando em resoluções, pensei muito nisso. Tem várias que eu faço e algumas eu abandono, e me dão aquela sensação: “poxa, não fiz essa resolução.” Queria dizer que está tudo bem a gente abandonar uma resolução de ano novo. Está tudo bem a gente abandonar um projeto e, às vezes, até um sonho. Faz parte a gente trocar, abrir mão de algumas coisas para atacar outros objetivos de trabalho, de vida. Isso é normal. Não dá para pegar todos e conquistar todos. Sem contar mentalmente a pressão que a gente tem desse sucesso pessoal, profissional. A gente tem que tirar essa pressão. É óbvio, acho que a gente tem que estruturar e ir atrás sim, mas a gente tem que tirar essa pressão.
Sobre São Paulo ser a melhor cidade do mundo, tem outra curiosidade sobre mim: eu nunca consegui decorar nenhuma letra de música. Nenhuma. Não estou exagerando. Tenho essa incapacidade desde que nasci. Meus pais sempre gostaram de poesia, e eu lembro quando meu pai falou do poema do rio Tejo, do Alberto Caeiro, um dos heterônimos do Fernando Pessoa. Quando li esse poema, fiquei tão impressionado que falei: “Vou decorar.” Deve ter uns 20 anos, um pouco mais. Tentei por muito tempo. Nunca consegui. Me esforcei, falei: “Não, eu vou. Um poema eu vou saber. As pessoas sabem tantas músicas, tantos poemas.” Curiosamente, é algo que eu tenho até vergonha de assumir: não consigo decorar uma música.
No ano passado, num episódio equivalente a esse, citei um trecho de um conto do Cortázar sobre o tempo, sobre relógio. Aqui vou ler o curtíssimo trecho, a primeira estrofe, sobre o rio da vila onde morava o Fernando Pessoa, e como ele compara com o Tejo, o principal e mais famoso rio de Portugal:
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
E ele continua, e até fala: olha, porque esse rio da minha aldeia pertence a menos gente, ele é mais livre e maior. O Tejo vai para o mundo, pode chegar além da América, e você pode encontrar a fortuna indo através dele. Mas ninguém sabe o que tem além do meu rio. Ou da minha cidade. Do meu bairro. Da minha rua. O cafezinho que tem aqui na minha rua, e o pastel, e a água de coco da feira que tem aos sábados. O cidadão morador de rua da pracinha que todo dia das sete às nove da noite grita e fala os palavrões mais pesados do mundo, e urra, e não fica rouco. Isso me liga com os meus vizinhos e vizinhas. Isso é tão forte, isso é tão bonito. Não é à toa que São Paulo é a cidade mais bonita do mundo.
Galinhas, jokenpô e Pikachu
Essa pegou de surpresa? Sim, tem relação com as minhas filhas e tem relação com todas as histórias anteriores.
As crianças, quando estão brincando, a gente sempre reconhece brincadeiras que tinham nas nossas infâncias. Acho que um dos grandes prazeres de ter criança é essa reconexão com a nossa própria infância e com os nossos pais, de ver todos os trabalhos, perrengues e complicações que eles passaram. Claro, tenho o privilégio de ter pais que foram muito presentes e apoiadores. Eu sei disso.
Tem uma brincadeira, o pega-pega. Quem tem criança sabe: o pega-pega evoluiu e tem diversas vertentes, sempre teve. Mas tem uma vertente que se chama galinha cocorada. Inclusive acho que minha namorada que me mostrou esse nome, mas eu já vi as crianças brincando. Funciona assim: é o pega-pega como qualquer outro, só que em vez de ter um local que é o piques, ou um local de proteção, a condição para você se salvar é que você precisa subir em alguma coisa, num sofá, numa cadeira, e ficar em posição de galinha. A cocorada. Como se fosse chocar um ovinho. Então você vê as crianças correndo e algumas ali em cima de uma mesa, num formato assim, com uns bracinhos… É tão interessante, tão bonito. O nome da brincadeira, o gesto, é muito mais interessante que o piques. Tem storytelling. Não é pega-pega com piques: é o jogo da galinha cocorada.
Assim como tem o do vampiro, o vampirão, o “chão é lava”, outros que não tinha na minha infância. Esse da galinha cocorada eu achei muito interessante, e foi um dos que me fez pensar: como nasce esse jogo?
É óbvio, de novo, que quem é pedagogo, pedagoga, assim como quando eu estava falando de física tem muitos físicos que devem ter se retorcido, é óbvio que tem respostas e tem pessoas que estudam os jogos e o brincar da infância, da cultura, de onde vêm, de que povos, de que estado passou para qual estado. Mas tem algumas questões que eu queria colocar especificamente. Quem deu o nome “galinha cocorada” para esse jogo? Quem definiu essas regras? Quando consolidou esse tipo de jogo? Será que em outros estados, em outras cidades, tem um nome um pouco diferente e funciona um pouquinho diferente entre as crianças? Se funciona, qual aparece mais? Qual veio primeiro?
Fico muito impressionado porque hoje, na época em que estamos, de dados, de YouTube, de tudo é filmado, fotografado, catalogado, está na Wikipédia, esse registro não existe. A gente não vai saber qual foi o primeiro momento que alguém teve a ideia de que, olha, quando a criança imitar uma galinha, ela está safe, ela está no piques. De onde vem isso? Quem foi o primeiro? Isso não está no registro da história. A gente vai conseguir descobrir isso um dia sem informação?
Essas brincadeiras eclodem. Não é de um lugar só. Elas vêm de vários lugares simultaneamente. Várias crianças, vários estados começaram a criar algum mecanismo de piques que era ficar em cima de algum lugar. Porque ficar em cima de algum lugar é uma proteção, é mais difícil da pessoa te pegar. Aí alguém pode ter falado: “Cuidado, crianças, não sobe até aí, é perigoso.” E aí a pessoa sugeriu: “Olha, faz o seguinte, se você não quer que eu pegue, combina que quando está em cima da mesa, em cima da cadeira, já basta, porque assim não precisa tomar o risco de subir em cima da mesa.” Estou criando uma tese aqui de como nasceu essa brincadeira. Provavelmente não foi absolutamente nada assim. Mas enfim, a gente não vai ter essa história, não dá para saber.
Tem a ver com conhecimento, com a primeira história que trouxe aqui nessa reflexão. Algumas coisas que a gente tem contato, que a gente aprende, que a gente faz, talvez a gente nunca saiba por que adquiriu esse hábito, por que escreve código dessa forma, por que as pessoas definiram que isso é senso comum e boa prática. O Linhares em um podcast usou um termo: uma loucura coletiva. Foi melhor que essa. Tipo assim: às vezes está todo mundo fazendo a galinha cocorada, mas era melhor jogar outro jogo. Às vezes está todo mundo fazendo TDD e teste de unidade com 100% de cobertura de código, mas não faz sentido. Está todo mundo fazendo só porque está todo mundo fazendo. Não quer dizer que é certo. Acho que tem algo aí. Estou extrapolando bastante, mas essas brincadeiras de criança me impressionam muito.
É claro que elas vêm de algum lugar, de épocas e de momentos. Aposto que tem algumas brincadeiras que nasceram assim como ideia. Sabe quando você pensa: “Ah, mas essa ideia eu sempre tive, eu sempre pensei em criar um Uber, eu sempre imaginei fazer uma rede social, só que eu nunca fiz. Se eu tivesse implementado antes esse sisteminha igual essa startup fez, eu já tive essa ideia.” E talvez seja verdade mesmo, você teve. As ideias são frutos, especialmente a ideia de resolver um problema que todo mundo tem. Já que todo mundo está tendo esse mesmo problema, tem pessoas que estão pensando: “Poxa, de novo isso aqui, se tivesse um app que fizesse isso.” Ideias eclodem de forma coletiva, mas a execução acaba se consolidando provavelmente em poucas pessoas e grupos. É um mecanismo que aparece.
Um exemplo que achei muito interessante: o Jokenpô. Passei minha infância fazendo jokenpô. Pedra, papel, tesoura. Obviamente tem várias variações. Tem essa origem no nome japonês. Mas esses dias cheguei e a Olivia estava brincando com a Elisa não de jokenpô, mas de Pikachu.
Olha só. Alguém teve a genial ideia. Já que elas brincam com as trading cards do Pikachu, assistem muito Pokémon, por que não? O jokenpô vira Pikachu. Tem até a sonoridade oriental, é trissílabo. Fica engraçadinho, mais convidativo para as crianças fãs de Pokémon jogar.
Mas é mais interessante ainda. O Pikachu tem até uma musiquinha: “pica em cima, pica embaixo, pica de um lado, pica do outro, Pikachu!” E o Pikachu é o jokenpô, só que é uma melhor de três. A gente joga três vezes e vê quem ganha duas. Se alguém ganha as duas primeiras, já para. Quem ganha primeiro segura com uma mão a bochecha do outro. Está apertando, meio que dando um “castigo”: venci, segura aqui, apertando sua bochecha. Aí a gente vai fazer o Pikachu de novo, e quem está com a mão esquerda segurando a bochecha do outro vai mexer só uma mão. Se o outro ganhar, segura a bochecha de volta.
Fica uma cena engraçada: duas crianças, uma segurando a bochecha da outra, jogando jokenpô. É lindo isso ter saído de algum lugar. E no final, quem ganhar segura as duas bochechas, dá um apertão e fala mais alguma coisa que eu não lembro. Cheguei até a pesquisar. Falei: “Não é possível, eu vou encontrar quem inventou isso.” Tem no YouTube algumas professoras ensinando a brincadeira, com a criança, mas têm 100, 200 views. Não foi daí. Já vi que vários lugares reconhecem essa brincadeira.
Acho tão bonito. Uma ideia, uma brincadeira coletiva, algo cultural, tipo uma cantiga antiga. Ainda hoje nascem essas coisas. Elas nascem, se propagam, e a gente não sabe de onde veio. Em pleno 2023, a gente não sabe de onde veio um mecanismo desse. Eclodiu como ideia coletiva, obviamente começou com uma execução e foi pegando, viralizando de alguma forma que chega em todos.
Olha a capacidade que a gente tem como sociedade, como humanidade, de levar uma ideia à frente se ela for boa e agradável. A gente pode fazer um bem. Obviamente, o Pikachu vai deixar suas bochechas vermelhas, igual o Pikachu, que tem a bochechinha vermelha. Você entende como é genial essa brincadeira? Alguém que inventou isso vai ganhar um prêmio. Pena que a gente nunca saberá quem teve essa ideia. Provavelmente foi mais de uma pessoa, provavelmente foi sendo adaptada e melhorada por diversas pessoas.
A Olivia, inclusive, inventou a versão dela. Um jokenpô chamado Aloha. A abertura é: “Aloha é família, e família é nunca abandonar irmãos uns aos outros.” Aí você fala “Aloha”, mexe a mão tipo jokenpô, e escolhe entre o abraço (fica com as mãos cruzadas), o se encontrando (duas mãos se juntando, tipo dois bonecos se encontrando) e o tchau (mão aberta). Abraço ganha do tchau, tchau ganha do se encontrando, e se encontrando ganha do abraço. Fecha o triângulo, um ganha de um que ganha do outro. Perguntei para ela: “Será que vai pegar essa brincadeira na sua escola?” Ela respondeu: “Não, porque eles não conhecem o estilo.” O Pikachu ser bem mais conhecido ajuda. Mas a tentativa é linda.
Espero que você se reconheça em alguma dessas histórias. Uma mais, outra menos. Que gere empatia. Assim como eu disse que acho tão bonito essas pessoas que se sentem honradas com um convite, eu me sinto honrado por você aceitar e falar “vou ouvir o que o Paulo Silveira tem a dizer.” Quem sou eu. Ainda mais sobre elucubrações das mais variadas, sem rigor científico nenhum, mas com filosofadas de bar e alguns pensamentos que compartilho inclusive com amigos e amigas íntimos.
Você me ouvir é realmente, fico muito honrado. Você tem o tempo, poderia estar fazendo tantas outras coisas, inclusive coisas mais importantes, mais interessantes. No final, escolher me ouvir, ouvir algo que é produzido pela empresa onde eu trabalho, da qual sou sócio: é uma honra que poucas pessoas têm. Eu tenho que dar valor a esse tempo que você dedicou.
Desejo a você um novo ciclo. Acredite ou não, acho que é um momento em que você pode refletir. Eu ainda vou refletir sobre meus próximos passos, o que eu fiz, como devo melhorar como pessoa para que as pessoas ao meu redor se sintam mais felizes, para que eu pise menos na bola, para que eu decepcione menos. Esse é o momento para fazer essa reflexão. Espero que você também faça.
Desejo a você melhores tempos, cada vez melhor. Desejo dedicação, compromisso. E que você consiga ser essa pessoa nerd que você é. Que você possa ser quem você é. Sei que é difícil, sei que envolve privilégios também. Mas porque eu consigo exercer isso, espero que você consiga exercer quem você é.
Você também pode gostar

Transições, complexidade e o tempo — Hipsters 497
Transições de carreira, a criança adulta, parentalidade, cultura organizacional, IA sem ilusões, o relógio de 10 mil anos e a aceleração social.

Rituais, desempenho e crianças — Hipsters 444
O ritual do café, a sociedade do desempenho de Byung-Chul Han, chocolate bean-to-bar, solidão digital, IA como companheira e o tempo de tela das crianças.

Conway, empatia e IA — Hipsters 390
Lei de Conway e becos de Tóquio, a importância de sair de casa, liderança e agree and commit, empatia na era da IA e o som da cidade.