Histórias que vão de Asimov ao Waze, de uma freira de 95 anos à poesia de Cortázar.
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Então ouça. Toda a ação levada a efeito por um diretor que não segue exatamente as instruções da Máquina com a qual ele trabalha se transforma em parte dos dados que serão apresentados à Máquina no problema consecutivo. Em conseqüência, a Máquina sabe que o referido diretor tem uma certa tendência para desobedecer. A Máquina pode incorporar essa tendência aos dados, até mesmo quantitativamente, isto é, calculando exatamente quando e em que sentido a desobediência deve ocorrer. Suas respostas seriam suficientemente desviadas de modo que, quando o referido diretor desobedecesse, corrigiria automaticamente as respostas, levando-as à direção ótima. A Máquina sabe, Stephen!
Talvez uma civilização agrária ou pastoril, com menos gente e menos cultura, fosse melhor. Se assim for, as Máquinas deverão agir nessa direção, de preferência sem nos dizer, uma vez que, em virtude de nossos preconceitos ignorantes, só consideramos bom aquilo a que estamos acostumados, e lutaríamos contra a mudança. Ou talvez a resposta seja uma urbanização total, ou uma sociedade regida por castas, ou a completa anarquia. Não sabemos. Só quem sabe são as Máquinas; elas se dirigem para lá e nos levam com elas.
Se tivessem tempo de sobra, seriam contra a matemática ou contra a literatura. Os reacionários que compõem a Sociedade em Prol da Humanidade alegam que a Máquina priva o homem de sua alma. Entretanto, ainda há falta de homens realmente capazes em nossa sociedade; ainda precisamos de homens bastante inteligentes para descobrir as perguntas adequadas que devem ser apresentadas à Máquina.
Os solarianos abriram mão de algo que a humanidade teve por um milhão de anos; algo que vale mais do que energia atômica, cidades, agricultura, ferramentas, fogo, tudo; porque é o que tornou tudo isso possível... A tribo. A cooperação entre indivíduos.