Fiódor Dostoiévski
pessoa · citado em 15 textos · Wikidata ↗
Obras citadas: Crime e Castigo · Os Demônios · O Idiota · Os Irmãos Karamázov · Memórias do Subsolo
- Conselhos, Hobbies e Ravikant nota · 9 de out. de 2026
- Parricídio Figurado na Literatura Clássica nota · 24 de ago. de 2026
Lembro que fui ler a pequena peça, assim como Hamlet, por causa de alguma contracapa de Dostoiévski que fazia essa citação de Freud:
- Open Claw, Personal Knowledge e Second Brain post · 3 de mar. de 2026
Dostoiévski fazia isso (sua segunda esposa foi sua estenógrafa!), assim como outros autores de volumes longos escreviam mapas que pareceriam …
- A definição de niilismo? post · 12 de jan. de 2014
Pondé diz uma coisa, seu professor diz outra e encontramos uma terceira abordagem em Dostoiévski.
- A vontade de acreditar em Deus: A Vida de Pi, Dostoievski e Camus post · 24 de jan. de 2013
Não é a toa que o jovem Pi aparece lendo Dostoievski e Camus em ‘As aventuras de Pi’.
- O Idiota, de Dostoievski, no teatro e cinema post · 3 de ago. de 2012
Akira Kurosawa fez também sua versão (que infelizmente foi editada e lançada com metade da duração prevista), e cita Dostoievski como sendo seu autor preferido, “quem escreve mais honestamente sobre a natureza humana”: “Of all my films, people wrote to me …
- Aquilo que não é dito: o subsolo em Camus, Dostoievski e Nietzsche post · 22 de mai. de 2012
Sei que é covardia fazer a ligação entre Mito de Sísifo e qualquer livro de Dostoievski, mas fá-la-ei.
- Morte de Deus, fim da moral e o super-homem: Nietzsche e Dostoiévski post · 9 de abr. de 2012
Já na conversa com o diabo (páginas 840), este cita um outro pensamento de Ivan Karamazov (curioso observar como Dostoievski prefere apresentar os profundos pensamentos de Ivan através de outras pessoas).
- Dostoievski, Schopenhauer e a boa literatura post · 15 de ago. de 2011
E também em Dostoievski, no próprio Os Demônios, chamou-me atenção esta passagem que também discorre sobre autores contemporâneos:
- A miséria humana: o mineiro só é solidário no câncer post · 10 de mai. de 2011
Ponde cita Nelson Rodrigues e Fiodor Dostoievski.
- Moby Dick ou a Baleia post · 28 de abr. de 2011
… contente se evitassem usar a segunda pessoal do plural, assim como Paulo Bezerra e Boris Schnaiderman fazem em suas traduções de Dostoiévski.
- Sidarta e a fuga de nós mesmos post · 11 de jan. de 2011
Em O Lobo da Estepe, o protagonista havia prometido suicidar-se aos 50 anos; Dostoiévski diz que ninguém deveria ter o castigo de viver após seus 40 anos, em Memórias do Subsolo.
- O problema do Bem post · 14 de dez. de 2010
Isso mesmo, em Irmãos Karamázov, de Dostoiévski:
- Se eu fechar os olhos agora post · 6 de dez. de 2010
Talvez eu veja Dostoiévski em tudo.
- A produção teatral de Dostoiévski post · 29 de nov. de 2010
Aqui no Brasil, depois da primeira grande tradução de Paulo Bezerra pela editora 34, Crime Castigo, Dostoiévski é o maior sucesso de releitura que eu possa imaginar.
No acervo de citações
Busco um instante feliz que justifique minha existência
Todo homem tem algumas lembranças que ele não conta a todo mundo, mas apenas a seus amigos. Ele tem outras lembranças que ele não revelaria nem mesmo para seus amigos, mas apenas para ele mesmo, e faz isso em segredo. Mas ainda há outras lembranças em que o homem tem medo de contar até a ele mesmo, e todo homem decente tem um considerável número dessas coisas guardadas bem no fundo. Alguém até poderia dizer que, quanto mais decente é o homem, maior o número dessas coisas em sua mente.
Oh, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me respeitaria então! Respeitar-me-ia justamente porque teria a capacidade de possuir em mim ao menos a preguiça; haveria, pelo menos, uma propriedade como que positiva, e da qual eu estaria certo. Pergunta: quem é? Resposta: um preguiçoso. Seria muito agradável ouvir isto a meu respeito. Significaria que fui definido positivamente; haveria o que dizer de mim. 'Preguiçoso!' realmente é um título e uma nomeação, é uma carreira. Não brinqueis, é assim mesmo. Seria então, de direito, membro do primeiro dos clubes, e ocupar-me-ia apenas em me respeitar incessantemente.
O fim dos fins, meus senhores: o melhor é não fazer nada! O melhor é a inércia consciente! Pois bem, viva o subsolo! Embora eu tenha dito realmente que invejo o homem normal até a derradeira gota da minha bílis, não quero ser ele, nas condições em que o vejo (embora não cesse de invejá-lo. Não, não, em todo caso, o subsolo é mais vantajoso!) Ali, pelo menos, se pode... Eh! mas estou mentindo agora também. Minto porque eu mesmo sei, como dois e dois, que o melhor não é o subsolo, mas algo diverso, absolutamente diverso, pelo qual anseio, mas que de modo nenhum hei de encontrar! Ao diabo o subsolo!
Na maioria dos casos, as pessoas, inclusive os fascínoras, são muito mais ingênuas e simples do que costumamos achar. Aliás, nós também.
Não são os milagres que inclinam o realista para a fé. O verdadeiro realista, caso não creia, sempre encontrará em si força e capacidade para não acreditar no milagre, e se o milagre se apresenta diante dele como fato irrefutável, é mais fácil ele descrer de seus sentidos que admitir o fato
Eis a questão fundamental! É a minha questão mais torturante entre as demais. Abro os olhos e pergunto a mim mesma: aguentarias muito tempo esse caminho? E se um doente, cuja chagas lavasses, não te retribuísse imediatamente com a gratidão, mas, ao contrário, começasse a te torturar com caprichos, sem apreciar nem ligar para teu esforço humanitário, passasse a gritar contigo, a fazer exigências grosseiras, até a queixar-se com algum superior..., o que farias? Teu amor continuaria ou não? Pois veja — eu mesma já conclui estremecida: se existe algo capaz de esfriar imediatamente o meu amor 'ativo' pela humanidade, esse algo é unicamente a ingratidão. Numa palavra, trabalho por dinheiro, exijo pagamento imediato, ou seja, que me elogiem e que amor com amor se pague. De outro modo não sou capaz de amar ninguém!
Ele (Ivan Karamazov) declarou em tom solene que em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu a lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou, entre parênteses, que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia.
Nunca consegui entender como se pode amar o próximo. Ao meu ver, é justamente o próximo que não se pode amar, só os distantes é possível amar... Para amar uma pessoa é preciso que esta esteja escondida, porque mal ela mostra o rosto o amor acaba.
Acho que se o diabo não existe e, portanto, o homem o criou, então o criou a sua imagem e semelhança.
Eu te digo que o homem não tem uma preocupação mais angustiante do que encontrar a quem entregar depressa aquela dádiva da liberdade com que esse ser infeliz nasce. Mas só domina a liberdade dos homens aquele que tranquiliza a sua consciência.
Quando a humanidade, sem exceção, tiver renegado Deus (e creio que essa era... virá), então cairá por si só, sem antropofagia, toda a velha concepção de mundo e, principalmente, toda a velha moral, e começará o inteiramente novo. Os homens se juntarão para tomar da vida tudo o que ela pode dar, mas visando unicamente à felicidade e à alegria neste mundo. O homem alcançará sua grandeza imbuindo-se do espírito de uma divina e titânica altivez, e surgirá o homem-deus. Vencendo, a cada hora, com sua vontade e ciência, uma natureza já sem limites, o homem sentirá assim e a cada hora um gozo tão elevado que este lhe substituirá todas as antigas esperanças no gozo celestial. Cada um saberá que é plenamente mortal, não tem ressurreição, e aceitará a morte com altivez e tranquilidade, como um deus. Por altivez compreenderá que não há razão para reclamar de que a vida é um instante, e amará seu irmão já sem esperar qualquer recompensa. O amor satisfará apenas um instante da vida, mas a simples consciência de sua fugacidade reforçará a chama desse amor tanto quanto ela antes se dissipava na esperança de um amor além-túmulo e infinito.
Aparece junto com: Albert Camus · Friedrich Nietzsche · Hermann Hesse · O Mito de Sísifo · Paulo Bezerra · Boris Schnaiderman