AGI, tarefas bem definidas e um mestrado em 65 minutos
Jensen Huang deu as boas-vindas à AGI com a chegada do Astra. Pessoalmente, não gosto do termo, que acabou virando um mecanismo de marketing. O próprio Sam Altman disse que não é um termo muito útil. E há um conflito de interesse com a proximidade do IPO dos grandes laboratórios de inteligência artificial.
Dito isso, não podemos negar as façanhas que os modelos alcançaram. Tarefas bem delimitadas e com contexto suficiente já podem ser executadas de cabo a rabo pelo harness desses modelos. Preencher formulários, realizar pesquisas, escrever textos, clicar em sequências de botões de aplicativos sem conhecimento prévio. Todas essas tarefas ocorrem basicamente sem nenhum erro. E, diante de qualquer tropeço, o próprio raciocínio detecta, testa e tenta um outro caminho. A atual avaliação crítica da IA sobre seu próprio trabalho é no mínimo surpreendente.
Já tem alguns meses que é impressionante ver a IA clicar no seu navegador, trocar abas, preencher campos e jogar informações de um lado para o outro, em uma sequência encadeada de ações que possibilitam a execução de longas tarefas. O vídeo de lançamento do Astra mostra casos de uso que vão muito além:
Acredito que o termo AGI vá sumir deixando poucos rastros, assim como foi com o teste de Turing. Repare que não postulamos mais se o teste de Turing foi alcançado ou não: simplesmente viramos a página e ele se tornou uma questão menor, quase decorativa. Ficar discutindo minúcias sobre os critérios de Turing acaba sendo só uma distração.
O mesmo pode se passar com a AGI. Vamos olhar para trás e não vai ter uma data definida, um marco específico. Vamos ver rankings, classificadores, recaptchas, detecção de gatos, ChatGPT, carros autônomos e robôs chineses num bloco contínuo.
Quando o Astra saiu, conversei com o Fabrício Carraro, host do podcast IA Sob Controle. Ele me sugeriu fazer um benchmark e eu propus tentar implementar o algoritmo da minha dissertação de mestrado, de 20 anos atrás.

O problema que estudamos é o seguinte: dado um polígono desenhado no papel, de que forma podemos dobrá-lo para que todas as arestas fiquem alinhadas e, com um único golpe de tesoura, recortar exatamente esse polígono, de modo que, ao abrir a folha, o buraco seja o desenho. Uma mágica interessante, provada pelo professor Erik Demaine, do MIT: sempre há uma solução. Ele desenhou dois algoritmos num paper curto e conciso, em que postulou o problema e também a solução.
Eu e o Rafael Cosentino, além do nosso orientador José Coelho de Pina Jr., passamos um ano em cima do paper, também aprendendo origami computacional com Robert Lang e geometria com O’Rourke. Durante uns quatro meses escrevemos o JOrigami. Éramos jovens programadores. O algoritmo em si não é difícil, mas é bastante trabalhoso, ainda mais numa época em que as bibliotecas de primitivas de geometria computacional eram menos disponíveis.
Eu dei o PDF do artigo do Demaine para o Claude (Fable 5.1) executar. Levou pouco mais de uma hora e produziu isto:

A própria IA explica aqui como implementou o algoritmo e as diferenças que encontrou da nossa implementação.
Um ano trabalhando, cinco meses programando. A IA fez em 65 minutos. Não fiquei surpreso. Nem me questionando sobre a definição de AGI.
Mas já há impactos imediatos: precisamos entender como continuaremos fazendo ciência. Alguns consideram que resolver Navier-Stokes por métodos tradicionais poderia ter trazido outras descobertas intermediárias. Nesta nota escrevi sobre a analogia que o Terence Tao faz com o método científico e o processo da descoberta. Chegar no resultado é importante, é válido, e é muito poderoso ter acesso a essas ferramentas atuais. Ao mesmo tempo, podemos estar deixando de lado questões importantes, subtarefas que poderiam cativar a nossa mente e curiosidade. Há pessoas que contestam, dizendo que a própria IA vai também enxergar e ter esse mecanismo de inquietação. Não é o caso agora.
Fica o problema mais complexo: o desenvolvimento da profissão dos juniores, e não estou falando só de devs. A carreira deles fica mais complicada a partir do momento em que as tarefas bem delimitadas, como as de front-end ou de consultoria de banco de dados, são perfeitamente executadas pela IA. Isso acontece também na ciência, no meu próprio mestrado. Quando meu professor escolheu esse problema, ele percebeu que, claramente, aquele artigo era viável de ser implementado por um jovem que estava testando seu interesse pela academia e pela ciência. Era um problema de computação interessante para aprender primitivas, geometria, combinatória e um pouco de ciência enquanto batíamos cabeça e trocávamos emails e dúvidas com importantes pesquisadores.
Onde ficarão esses problemas simples que inserem as pessoas na ciência e pesquisa? E na programação, na medicina ou em qualquer carreira em que o início envolve muita repetição, entendimento e reconhecimento de padrões? A IA estaria diminuindo tanto o nosso esforço produtivo que poderia causar uma estagnação científica? Sem o aquecimento com pequenos problemas, quem terá o interesse e a capacidade de fazer as novas e boas perguntas? Os medalhistas Fields, junto do Tao, também se manifestaram essa semana: “a produção em massa, em ritmo cada vez mais acelerado, de afirmações do tipo verdadeiro/falso pode destruir o terreno fértil em vez de dar vida a novas ideias”.
Meu pai leu o manifesto dos matemáticos e viu nele uma defesa de como as coisas são feitas dentro de uma instituição, de um grupo. Ele lembrou de dois casos. O primeiro é o dos machados de aço na Austrália, que o antropólogo Lauriston Sharp documentou entre os Yir Yoront, no Cabo York, nos anos 1930. O machado de pedra era só dos homens mais velhos e era trocado nas cerimônias. Quando a missão anglicana passou a entregar machados de aço direto para as mulheres e os jovens, essas cerimônias perderam a razão de ser, e o sistema de mitos deles não tinha como encaixar o objeto novo. O segundo é o das armas de fogo entre os nossos povos originários. Primeiro, só quem estava no topo podia usar a tecnologia, como os guaranis das missões jesuíticas, armados com autorização do rei da Espanha para enfrentar os bandeirantes. Depois, o resultado passou a chegar mais rápido, os rituais morreram e ninguém mais conseguiu segurar o uso dessas ferramentas.
O manifesto pode ser lido assim, como a defesa do trabalho e dos rituais de um grupo. Pode ser. Mas os rituais são onde muito do conhecimento tácito e da troca social existem. Como a gente pode conciliar isso com o progresso?
Citados neste texto: Erik Demaine · JOrigami · Sam Altman · OpenAI · Alan Turing · Claude · Terence Tao · Jensen Huang · ChatGPT · Fabrício Carraro · IA Sob Controle · MIT · AGI · Teste de Turing · Conhecimento tácito
55 comentários
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Mas a questão aqui seria: se vc fosse implementar sem entender, quanto tempo vc faria isso?
12 curtidasEu acho que eu não conseguiria implementar sem entender, pois o paper em muitas situações não dava pseudo código algum. Então de alguma maneira te obrigava a aprender. Você pode questionar se esse aprendizado eh útil, mas tem muita coisa que independente de ser útil eh
reflexão importantíssima!! tô cotidianamente vendo várias áreas passarem por esse mesmo estágio, e as perguntas sem respostas são as mesmas
4 curtidasEssa é a pergunta que me faço todos os dias. Como desenvolver o Júnior na era da IA que entrega tudo de bandeja?
O conto de Isaac Asimov cada vez mais perto https://bibliotecasemlimites.comunidades.net/sensacao-de-poder-isaac-asimov Assustador.
2 curtidasli e fiquei impressionado. acredito que de alguma forma se conecta com um texto do Asimov que o @renancapaverde me trouxe hoje, sobre de onde vem as ideias novas. vou ler.
A IA só conseguiu fazer rápido porque “leu” a sua tese. Provavelmente não conseguiria resolver se fosse um problema aberto (pelo com certeza não faria em 50 minutos também). Toda a base de conhecimento humano foi usada pra treinar esses modelos, incluindo sua tese. Não vamos subestimar o nível de burrice dessas máquinas quando não há treinamento adequado 😉
72 curtidasDaniel Cukier sim, mas. mesmo lendo a tese do professor, saber seguir as instrucoe ssuepr especificas e matematicas eh bem impressionante.
Paulo Silveira Saber seguir instruções não é impressionante, o que você fez em cria-las sim. Mais valor a inteligência humana que de fato é inteligência propriamente dita.
1 curtidaTalvez o exemplo que ele utilizou não foi o melhor para desenvolver o pensamento que tentou expressar.
Cara, nem precisa ter o QI do Terence Tao para perceber esse risco, saca? As demissões em massa me preocupam, sim. Mas a possibilidade de comprometermos a formação intelectual das próximas gerações me preocupa ainda mais. Aqueles meses de estudo e programação também formaram quem hoje consegue avaliar o que a IA entregou em 65 minutos. Comparar só o tempo de execução deixa esse aprendizado fora da conta. Se destruirmos esse terreno fértil, onde as próximas gerações vão aprender a formular hipóteses, reconhecer padrões, errar e desenvolver autonomia para questionar uma resposta pronta (e muitas vezes alucinada) dos modelos? Precisamos preservar espaços em que aprender justifique o tempo investido, mesmo quando uma máquina consiga entregar mais rápido. Como pessoa com altas habilidades também, a possibilidade de termos uma sociedade cada vez menos capaz de questionar me atravessa feito uma lâmina. Não consigo olhar para isso e enxergar apenas ganho de produtividade. Estamos comemorando a velocidade das respostas. Mas como vamos formar quem terá capacidade de fazer as próximas perguntas para nossa evolução da espécie?
20 curtidasAparentemente o trabalho em grupo e a troca de conhecimento que tanto é incentivada pelo software livre e pelas pesquisas científicas, tá morrendo. Para mim isso é o maior efeito colateral dos avanços da IA. Não sabemos ainda onde isso vai chegar, até os estudos sobre esses efeitos levam tempo.
14 curtidasDaniel R. é por ai. e eh obvio que traz coisas positivas tb. ate redes sociais trazem :)
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Daniel R. em um mundo onde essas coisas começam a virar o 'moat' que antes era o código faz sentido.
Em 2023 falei que o século XX foi marcado por quem tinha boas respostas. O século XXI ficará marcado por aqueles que fazem as melhores perguntas. Excelente post, Paulo.
7 curtidasRodrigo Yoshima e as perguntas ainda vao precisar de um nivel de "estrutura logica", quebrada em problemas e subproblemas. ou vai continuar respondendo "42" as vezes.
Concordo totalmente. Ao terceirizarmos o nosso próprio pensamento, corremos o risco de atrofiar, pouco a pouco, nossa capacidade de pensar, tanto individualmente quanto como sociedade. Com o avanço desse processo, em algumas poucas gerações as máquinas se tornarão, na melhor das hipóteses, oráculos da realidade: fontes de respostas corretas cujos fundamentos já não seremos mais capazes de compreender.
3 curtidasEsse post toca num problema que me parece ainda maior do que a substituição de tarefas: o desaparecimento dos percursos de formação. Durante muito tempo, uma parte importante da competência foi construída fazendo aquilo que, depois de experientes, passamos a chamar de “trabalho simples”. O problema pequeno não servia apenas para produzir uma solução. Servia para formar quem solucionava. Se uma IA transforma em 65 minutos aquilo que exigiu de alguém meses de programação e um ano de investigação, o ganho de produtividade é extraordinário, mas aparece uma pergunta difícil: como produziremos a pessoa que saberá reconhecer quando esses 65 minutos produziram algo extraordinário, algo trivialmente errado ou algo novo?
2 curtidasPaulo Silveira, a reflexão é profunda. Na engenharia de dados, o que antes levava meses de codificação para estruturar pipelines complexos, hoje a IA gera o esqueleto em minutos. A questão não é apenas a velocidade, de 1 ano para 65 minutos, mas a terceirização do "trabalho sujo" que forjava a senioridade. Se a base repetitiva for delegada inteiramente à máquina, a construção do raciocínio analítico estrutural ficará comprometida.
2 curtidasVocê realmente tocou no ponto mais importante. É como se a necessidade de uma tonelada de conhecimento prévio deixasse de ser necessária em qualquer profissão, para se exerce-la. Mas não está claro quanta falta todo esse conhecimento de base irá fazer para profissionais performarem usando IA. É paradoxal.
1 curtidaCassyano Correr imagino que a sociedade vá entender e esse buraco vá ser preenchido. mas ha um paradoxo mesmo
Muito bom Paulo Silveira você trazer esse conteúdo e essa reflexão. Quando eu estava na universidade ainda nos primeiros anos de Ciência da Computação, haviam muitas disciplinas voltadas ao cálculo. No momento não entendia, depois amadurecendo o conhecimento e a parcepção, compreendi como estudar cálculo, geometria analítica, algebra linear, dentre outras, colaboravam com a construção da abstração e do poder da imaginação, ao mentalizar, por exemplo, um sólido de revolução, que é uma figura 3D obtida a partir da rotação de uma figura 2D em torno de um eixo. Calcular isso tudo, mas, principalmente imaginar uma figura 2D rotacionando um eixo e se tornando um sólido 3D, ao meu ver tem seu poder de construção mental e imaginação. Eu empregava um bom tempo imaginando no canto das paredes de casa os eixos X, Y e Z e como as figuras 3D se formavam no meu quarto, as dimensões, etc. Depois vieram os softwares como o MatLab e Matemática que tiraram um pouco da graça desses constructos. A questão que estou trazendo não é sobre o resultado que a IA produz. A questão é o quanto estamos perdendo mentalmente em termos de processos cognitivos e conhecimentos construidos ao deixar que a IA faça nosso trabalho mental.
Adriano Pila estamos perdendo algo sim. assim como perdemos boa parte de nocao espacia e geolocalizacao com o uso dos Maps da vida. a questao é entender o que estamos abrindo mao e se devemos ou nao. tem gente que acha que tem de ser free style e nao parar para pensar. ir no full power para o tal progresso
Essa parte dos “problemas simples” me pegou bastante. À primeira vista parece ótimo poder pular meses de implementação, mas depois fica a pergunta: se você pula justamente essa etapa, de onde vem o repertório para reconhecer um problema realmente difícil quando ele aparece?
1 curtidaGabriel Leao exatamente sobre isso que estão falando. pulando o básico, não se cria repertório nem mesmo para se indagar sobre o mais avançado. quanto mais entende-lo e resolve-lo.
Acho que tem muita empolgação sobre os resultados das LLMs. Eu que não sou da área vejo isso diariamente nos meus testes. Você consegue resultados ótimos quando toda a informação fornecida é lógica, mas quando apresenta enunciados ambíguos, as LLMs dão resultados absurdos. Em um teste recente que fiz sobre uma estrutura mecânica Isostática, a LLM entregou um mecanismo e outras 3 validaram. O resultado só mudou quando eu destaquei o risco humano. As LLMs tendem a resolver e não a analisar. O calculo estava correto, mas o resultado era uma estrutura que colapsava. Uso esses testes para definir as contenções no meu agente.
1 curtidaAilton Ripamonte Aço Vertical sim. se a sua pergunta nao estiver estruturada de maneira "logica", o resultado nao costuma ser bom (mas tem melhorado). por isso vejo que a profissao de programador continua ai. é quem vai estruturar melhor as perguntas, os pedidos e vai literalmetne programar a maquina para fazer o que foi pedido
Esse pra mim é o maior problema da IA em grande escala da forma que estamos vendo hoje.. mas a pergunta que fica é : será que os ganhos não superam as perdas?
Fellipe Carvalho nas redes sociais deu no que deu. precisamos é direcionar bem a IA
Otimo questionamento. A IA assumiu as tarefas de muitos estagiários ou juniores e isso está causando uma escassez de vagas de entrada no mercado de trabalho, que estao basicamente sumindo aos poucos. O primeiro problema é: se eu não tenho analistas juniores, como eu vou ter seniores? E pior, até quando vamos precisar dos seniores como nos precisamos hoje? Até que nível a IA vai conseguir assumir as tarefas de todo um departamentos de uma empresa? Isso tem cheiro de crise a longo prazo
Tem uma pesquisa que a autora inventou uma doença que não existia, subiu o paper, disse explicitamente no paper que era tudo inventado e, mesmo assim, alguns meses depois, LLMs começaram a citar a doença descrita no paper quando alguém pesquisava os sintomas. Tem muita gente achando ainda que a IA está raciocinando melhor, quando grande parte dessas informações são resultados knowledge destilation, modelos menores e melhores para determinadas tarefas sendo utilizados, e perda da cadeia de custódia dos dados utilizados. Em resumo, o seu trabalho ou trabalhos similares possivelmente foram usados pra treinar a IA e você está invertendo a causalidade.
Com licença, posso dar meu 'palpite'? 'Onde ficarão esses problemas simples que inserem as pessoas na ciência e pesquisa?' Respondendo à sua pergunta: talvez a própria IA nos forneça problemas simples novos. Como eu tenho afirmado em algumas postagens pessoais também: a IA é uma ferramenta de consulta. Não é a panacéia que acreditamos que seria no começo. Novamente, "reinventamos a roda", ou melhor, aperfeiçoamos ela, pois, novamente, criamos outra ferramenta de organização da informação, assim como o mecanismo de busca, os computadores, os livros, etc. E, como ferramenta de consulta, é necessário saber perguntar, saber questionar. Saber como questionar é o conhecimento derradeiro! Isso sim é o diferencial e é algo que eu defendo há anos, desde a minha época de cursinho. Se antes a educação primária ensinava os estudantes a responder, agora ela precisa ensinar a como questionar. É fundamental. Entende? Agora, sua vez: concorda, discorda ou muito pelo contrário?
O problema não é achar problemas - até porque eles existem por todos os lados. O problema é encontrar problemas inéditos, pequenos, para que gerem publicações. Isso é um problema com o "sistema de méritos" e não da AI. O problema do Tao é que pela primeira vez ele, que é um cientista de renome, está assustado que alguma coisa pode ameaçar as pesquisas dele e talvez publicar antes, dando poder para outros cientistas - um problema que eles vivem justamente com a capacidade que o Tao tem, tanto intelectual como financeiro. É um rompimento de como as coisas funcionaram até aqui, o medo do novo. E não dá pra segurar pq se travarem isso nos USA, China ou outro lugar vai avançar, portanto, só vai mover pra frente e a mudança será assimilada de alguma maneira.
Acredito que a programação como fazemos hoje será algo que poucos farão. Serão poucos como são poucos os que programam linguagens de baixo nível ou de máquina principalmente. Mas acredito que seremos os responsáveis pela sensibilidade pelo menos por um tempo indeterminado. Depois nos preocuparemos com questões humanas específicas. Há quem acredita que será o fim da raça humana ou haverá evolução genética acelerada. Quem sabe veremos.
Perfeito esse final. Com a ajuda das IAs, os alunos não vão quebrar a cabeça com listas de exercícios. Vamos querer subir escadas sem passar pelos primeiros degraus.
Vejo um ponto. boas perguntas podem vir, mas ficaremos limitados em analisar se a resposta gerada será válida.
Gostei da resposta do Fable 5.1, mas é claro que a pergunta certa e cientifica foi responsável pelo o resultado, o que sabemos e provamos que temos que ter grandes pensadores para questionar o mundo em nossa volta.
O futuro da IA é incrível e assustador ao mesmo tempo, principalmente quando pensamos nos jovens e no desenvolvimento intelectual dessa turma. Animado e assustado, mas confesso que mais assustado do que animado Excelente post!
Eu não achei nada impressionante e muito menos útil, mas enfim.
caramba, que post legal! parabéns :)
Eu tenho uma tese sobre isso. O fosso entre os polos vai aumentar. E a afirmação é genérica mesmo. Burro X Inteligente. Pobre x Rico. Etc.. os modelos de LLM premiam nossos vícios e não as nossas virtudes.
3 curtidasEu respondo: só quem entender que a infância de hoje precisa ser desenvolvida com tarefas complexas, vai ser capaz de formar "juniores". Na minha visão haverá um hiato, algumas pessoas não serão capaz de aguçar suas próprias "criatividades" para encontrar problemas
1 curtidaE no mesmo sentido, como os Jr serão transformados em sêniors..?!
1 curtidaSobre desenvolver quem está começando, cabe a nós, mais experientes, perpetuar a curiosidade e amarrando algumas coisas ao cotidiano atual e que ainda irá mudar. Não canso de repetir: conceitos > ferramentas, esse é meu lema que levo aos meus alunos
1 curtidaBom texto e reflexão. Mas deixa eu ver se entendi algo direito: então você acha razoável alguém dizer que atingimos a AGI? Sei que não gosta do termo, mas muita gente pensa algo como "wake me up when we have agi", então essa pergunta é importante.
Assustador e incrível ao mesmo tempo. Se um humano explorar o chain of thought não seria um jeito de participar do processo de descoberta? Eu acredito que ainda há espaço para AIs que sejam mais colaborativas.
Falo como um estudante prestes a iniciar SE: é completamente desanimador investir numa profissão cujo futuro você sequer sabe se existirá. Da vontade de abandonar tudo e ir instalar ar condicionado mesmo. rs
1 curtida65 minutos para escrever é a parte visível. O difícil foi você trazer 20 anos de contexto para saber o que pedir e como conferir. O benchmark mede velocidade, mas não mede esse repertório.
1 curtidaE nao acho que a academia vai perder importância, grandes estudos que treinam IAs vão valer cada vez mais! Mas como em todas as profissões, a IA vai limar a mediocridade, exigindo mais qualidade de quem quiser se destacar.
é exatamente este o ponto que eu percebo como o maior desafio atualmente.
1 curtidaEu tenho me feito essa pergunta sempre também: de onde virão os seniors se não houver mercado para juniores, em qualquer profissão?
Vamos precisar separar bem o desenvolvimento acadêmico e científico do desenvolvimento cotidiano. Didaticamente, eu já desenvolvi uma aplicacao visual inteiramente em linha de comando, satisfatório, mas improdutivo. Porém, o que aprendi nesta tarefa me ajuda até hoje mesmo com IA
que POST incrível ... ele fala sobre o SUBJACENTE... de certa forma, aquilo q nos faz humanos ... enfim, somos nosso próprio virus
Minha teoria: a IA vai fazer tanta coisa que a nós humanos só restará visitar outros planetas e capturar vacas, por isso que os ETs fazem isso, eles não tem mais nada melhor pra fazer
1 curtidaMas pra IA fazer em 60 minutos, N pessoas passaram meses estudando e validando. Ela é uma revolução "industrial" 3.0
Meu TCC hj ñ seria aceito 😅. C/ a "facilidade" d codificar talvez ñ teria limitado as ideias, subiria o nível sem limitar por código. Em problemas como o seu, penso na revisão, vcs chegaram resolução igual, teremos como avaliar se está certo ou errado qnd forem diferentes?
Ok. Mas isso serve para que?
é util. e é objetivo. pq uma grande parte essa é a diferença. a IA te faz em 2 horas, mas vc nao entende o que está por tras e nao pode mudar. Esse é o problema que vemos atualmente.
8 curtidasOs matemáticos ficaram menos capazes depois que foi inventada a calculadora?
Que bobagem! Por acaso deram calculadoras para crianças de 7 anos aprenderem e fazerem matemática? Ou a gente segura essas ferramentas para os juniors? Voce pode usar o comptuador para fazer sua prova de calculo?
Boa reflexão, Paulo. Para mim, a questão há tempos deixou de ser sobre tecnologia e capacidade dos modelos, é muito mais sobre que rumo daremos a sociedade para os próximos anos.
13 curtidaspara os juniors, os problemas serão maiores e as exigências serão maiores, por enquanto ainda não estamos sentindo nem 1% dos efeitos que a IA vai causar na nossa sociedade
8 curtidasUma dúvida: qual é a probabilidade de a IA ter simplesmente sido treinada com o SEU algoritmo?
4 curtidasBaita post, mas vou tentar responder a questão: os problemas "simples" subiram um degrau. O que era simples 20 anos atrás, agora ficou pra trás e teremos que adaptar pra problemas maiores (e talvez mais reais), mas que ficam simples com as novas ferramentas.
1 curtidaA inteligência artificial iniciou com Warren McCulloch e Walter Pitts, em 1943. Ela usa álgebra linear, cálculo, estatística/probabilidade e métodos de otimização para replicar a solução do seu problema.
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